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O empreender como uma questão no Ensino Superior

 “Como diz Michel Serres, somos contemporâneos da terceira grande revolução na história da humanidade. A primeira, foi a escrita, há 6 mil anos. A segunda, foi o livro impresso, há 500 anos. A terceira é hoje, a revolução digital. As tecnologias fazem parte do dia a dia das novas gerações. Claro que têm de ser integradas na escola e nos processos de aprendizagem e que têm de ser objecto de uma reflexão profunda sobre a forma como devem ser utilizadas por professores e alunos.”

                                                                   (António Nóvoa, 2016)

 

Por natureza da definição, os espaços educacionais estão vocacionados para o empreendedorismo e para o intraempreendedorismo. A consequência natural daquele que se empodera, na educação, por meio do uso orientado da tecnologia e da antecipação de competências, habilidades e atitudes de vanguarda no mercado de trabalho, é empreender. Mas ao contrário da definição, é exatamente nesse meio que o empreendedorismo carece de fôlego para crescer.

Martins (2010) estudou as impressões de 257 estudantes quando perguntados como os professores empreendedores ministraram suas aulas. Nessa pesquisa, os aspectos estratégicos relevantes elencados foram: qualidade de elaboração, variação de cenários, gestão participativa, dialogada e compartilhada da construção do conhecimento, conexão imediata entre teoria-prática nas simulações, e a coerência entre o conteúdo selecionado e a prática diária do exercício profissional. Os estudantes elencaram também os aspectos de personalidade dos professores, e destacaram: empatia, criatividade, simplicidade, domínio do conhecimento e sobre os caminhos onde se buscar o conhecimento mais refinado, paixão pela área.

200H “[…sucesso pedagógico…] depende também da capacidade de expressar competência intelectual, de mostrar que conhecemos de forma pessoal determinadas áreas do saber, que as relacionamos com os interesses dos alunos, que podemos aproximar a teoria da prática e a vivência da reflexão.” (Edgard Moran, 2007)

 

Meu trabalho com análise cinemática do movimento humano, e sua intensa interface com tecnologias mediadas por informatização frequentemente me levam a interfaces com diferentes profissões e áreas do saber, como Educação Física, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Engenharia Biomédica e até Direito, se considerar as vezes em que fui chamada para peritar funcionalidade (e quantificar sua perda) em litígios judiciais trabalhistas, principalmente. Por isso, lancei meu olhar sobre como Fisioterapia e Educação Física para entender como e se essas áreas estão engajadas em formar profissionais tão bons empreendedores para enfrentar esse mercado competitivo, quanto bons técnicos, para atuar de forma competente.

Na busca pelos pensamentos contemporâneos e das expectativas sobre aprendizagem e inovação, daqueles que estão nos bancos da academia e aqueles que recentemente ganharam o mercado de trabalho, encontram-se poucos estudos que tratam do empreendedorismo, particularmente nas áreas de Fisioterapia e de Educação Física. E aqueles que o fazem, imprimem-lhe a natureza de um pensar ilustrativo de simulação, ou ainda, apenas como um caminho de negócio profissional.

Na Fisioterapia, relatos de práticas empreendedoras são escassos, e os poucos existentes relacionam-se ao empreendedorismo social e à prática de hábitos saudáveis de vida como protagonismo de uma melhor qualidade de vida (BACKES et al., 2010), ou à gamificação como um estímulo ao empreendimento e protagonismo ao próprio aprendizado sobre conteúdos disciplinares isolados (ANDRADE et al., 2015).

Embora Pardini et al. (2008) tenha estudado competências empreendedoras e o sistema de relações sociais na dinâmica dos construtos da decisão de empreender nos serviços de Fisioterapia, sua abordagem não diferiu da concepção de empreendedor que remete ao pensamento de que as competências empreendedoras e os sistemas de relações sociais implicam na implementação de um negócio. Compensatoriamente, o estudo apontou sobre o comportamento de correr riscos, vislumbrar oportunidades, antecipar-se em relação aos demais, como consolidação de ações empreendedoras específicas, e ainda, a utilização das fontes de informações preliminares e da rede de relações sociais na estruturação de suas atividades.

Na Educação Física, existe muito pouco sobre o que se pautar acerca do histórico do empreender como conceito e como prática. Até o final da primeira década deste novo século, a perspectiva do empreender na Educação Física recebia duras críticas posto que encontrava-se equivocadamente atrelada ao conceito de competências para empregabilidade, e a uma atitude de consciência, alienada e reprovável, de adaptação aos ditames do mercado capitalista, numa lógica do “cada um por si” ou “salve-se quem puder” (DIAS, 2010). Só recentemente os conceitos foram se ajustando mais para o que seja realmente a atitude empreendedora, como as novas formas de aprendizado e de relacionamento, servindo de base para o ensino superior (NASCIMENTO & CUNHA, 2012), e como uma competência desejável, até mesmo desde os bancos do ensino fundamental (BORGES, 2014).

Por outro lado, os últimos anos multiplicaram toda uma parcela de entidades e empresas dedicadas ao empreendedorismo e seu estímulo enquanto atitude perante a vida profissional. Emergiram novas formas de atuar no mercado perante esse conceito, gerando carreiras como de mentorias, coaching, consultorias empreendedoras e, mesmo os personal trainers, especialidade na Educação Física, refletem a mais clara aplicação da expressão do empreender com sucesso. Organizações se dedicaram a acompanhar o mercado global e medir as expectativas no âmbito da educação, especialmente relacionadas ao empreendedorismo educacional, com vistas a discutir propostas e soluções viáveis, voltadas para esses novos nichos de atuação. Uma delas é a Endeavor Brasil[1].

  “A Endeavor Brasil que tem por missão multiplicar o número de empreendedores de alto crescimento e criar um ambiente de negócios melhor para o Brasil. Por isso, selecionamos e apoiamos os melhores empreendedores, compartilhamos suas histórias e aprendizados, e promovemos estudos para entender e direcionar o ecossistema empreendedor no país.”

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A Endeavor Brasil e o SEBRAE[2] entrevistaram professores e estudantes sobre empreendedorismo nas universidades, em cinco capitais brasileiras. Em 2014, seiscentos professores e cinco mil estudantes universitários responderam à entrevista estruturada, sendo que quatrocentos estudantes já haviam participado da mesma pesquisa, em 2012, e serviram de base para conclusões em seguimento de conceitos, ou coorte. Os principais pontos levantados são apresentados a seguir, como reflexões que amparam tanto a concepção desta proposta como a relevância do momento de sua apresentação, enquanto pesquisa de inovação tecnológica na área da educação, tendo a análise do movimento humano como eixo condutor para a proposição de atitudes diferenciadas, de professores e de estudantes, voltada para o desenvolvimento de uma aprendizagem empreendedora e protagonista.

Note-se que a pesquisa teve foco nos cursos da área de negócios e de tecnologias, e teve dois tipos de coletas: uma coleta quantitativa, sobre números relacionados ao empreender, e outra qualitativa, sobre o conhecimento do que seja o empreender, em si.

Dos seiscentos professores brasileiros que responderam à pesquisa, apenas 6,1% declararam não se interessar ou não terem tempo para empreender, enquanto todo o restante já foi, é ou quer ser empreendedor. Por outro lado, os resultados apontaram uma relação direta entre titulação e perda do interesse no empreendedorismo, uma vez que quanto maior a titulação, foi constatada uma maior perda de interesse no empreender. Cerca de 39% dos professores de IES públicas indicaram que os temas de empreendedorismo estão no núcleo de informação de seus cursos, contra 12% dessa alocação nas IES particulares, onde 49% respondeu que tais temáticas são diretamente tratadas nas escolas de negócios. Mesmo nas IES públicas, o desafio ainda é o foco que se dá ao empreendedorismo (ENDEAVOR & SEBRAE, 2014a).

O estímulo à cultura empreendedora é o ponto mais forte das IES pri­vadas e públicas, com mais de 80% de cobertura, segundo os professores. Por outro lado, os assuntos menos co­bertos nas disciplinas de empreende­dorismo estão ligados a conteúdos que falam sobre o fracasso de empreende­dores nas instituições, com pouco mais de 50% de cobertura. O ponto fraco sobre empreender desde a faculdade, segundo os professores, ainda é a falta de apoio: cerca de seis em cada dez IES públicas pesquisadas não oferecem mentorias, redes de contato e sistemas de plantão para dúvidas na execução de projetos empreendedores, enquanto que nas IES particulares, esse número é de quatro em cada dez (ENDEAVOR & SEBRAE, 2014a).

Foram cinco mil estudantes respondendo à pesquisa em 2014, que estudavam em cerca de setenta IES públicas e particulares, sendo que quatrocentos deles já haviam participado da edição anterior, em 2012. Isso permitiu uma avaliação da mudança de expectativas, comportamentos e atitudes diante dos elementos básicos do empreender, como confiança na resolução de problemas, influência de estágios e programas trainees na capacidade de vislumbrar o mundo do trabalho, e busca pela inovação (ENDEAVOR & SEBRAE, 2014b).

No estudo comparativo, foi possível destacar alguns pontos em comum, como: (1) a autoconfiança para solução de problemas ser proporcional ao esforço dedicado é 5,7% maior em estudantes que já cursaram alguma disciplina ou programa de empreendedorismo; (2) essa confiança é quantitativamente menos numerosa em mulheres (52,7%) que em homens (63,6%), mesmo já tendo cursado conteúdos e programas de empreendedorismo; (3) embora o universitário seja, via de regra, um cidadão maior de idade, a opinião dos pais é um forte influenciador na construção de carreira e, nessa pesquisa, 79,1% dos pais dos potenciais empreendedores tem uma visão positiva ou muito positiva sobre a decisão dos filhos em empreender; (3) o foco de quem deseja empreender está relacionado com o potencial de crescimento inovador de uma determinada área (47,6% das respostas), num prazo médio de cinco anos (ENDEAVOR & SEBRAE, 2014a).

A diferença entre as duas pesquisas (2012-2014) esteve, justamente, no aumento do índice de empreendedores entre os universitários. Em 2012 havia mais empreendedores entre os homens (14,7%) que entre as mulheres (8,1%), e os estudantes com maior renda possuíam mais negócios (15,9%) que aqueles com renda intermediária (12%) e de mais baixa renda (8,8%). No total, em 2012 8,1% respondeu que já eram empreendedores, ao passo que em 2014 esse número subiu para 11,2% (ENDEAVOR & SEBRAE, 2014b).

Há pontos interessantes na comparação das respostas para os quatrocentos estudantes que fizeram parte da coorte, desde 2012. Entre eles, destacam-se: (1) apenas 40% dos que empreendem buscam as IES como fonte de conhecimento ou de modelos, no momento de empreender; (2) o número de potenciais empreendedores dedicados à pesquisa de novos modelos de oportunidades cresceu de 24,4% para 39,7%; (3) enquanto em 2012, mais da metade dos novos empreendedores tinham os pais como sócios, em 2014 somente 23% ainda os mantinham na sociedade, alegando que o apoio foi fundamental, e a dedicação levou à independência; (4) aqueles que concluíram a graduação relataram que as atividades empreendedoras fora do ambiente da sala de aula foram de maior valor formativo do que o tradicional ensino professor-sala de aula (ENDEAVOR & SEBRAE, 2014c).

No aspecto qualitativo, confirmou-se que: (1) havia uma clara concepção de que o empreender não estava ligado, necessariamente, a abrir um negócio; (2) a mídia só aponta os casos de sucesso, e que os cursos deveriam trabalhar mais os casos de insucesso, como aprendizagem válida; (3) existia um sentimento de falta de preparo dos estudantes, que foi citado durante todo o estudo, onde cobraram das suas IES aulas, programas ou estudos práticos que mostrem mais a realidade dos empreendedores, muito mais do que as teorias sobre ferramentas de gestão (ENDEAVOR & SEBRAE, 2014d).

a0c6cdd73f5c3a5d8d9965e1db3248e2Ainda no estudo qualitativo, os professores manifestaram seu desejo em melhorar suas aulas com experiências de empreendedorismo, mesmo quando este não é o tema central do conteúdo. Os estudantes, por sua vez, afirmaram que não é a disciplina que gera condições favoráveis para aprender a empreender, mas sim, o ambiente estimulador, como redes de contatos, desafios, empresas juniores.

Mais que isso, os estudantes reconheceram nas atividades de pesquisa, nas universidades, um veio empreendedor importante, quando ela tem a capacidade de causar impacto social em tempo real e desenvolver soluções de problemas.

Por fim, vale o destaque para uma percepção entre os estudantes: um programa de empreendedorismo deveria iniciar pela criatividade para a geração de novas ideias e pontos de vista, não pelos instrumentos de gestão dessas novas ideias, porque ideias e inovação, novos pontos de vista e criatividade, são as maiores dificuldade enfrentadas para quem quer começar algo diferente.

 

 

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[1] URL: www.endeavor.org.br
[2] Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.
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Teoria dos Híbridos na Educação: Inovação Disruptiva

Christensen é um dos pioneiros no que denominou de inovações híbridas na educação. Segundo ele, as inovações híbridas são um estágio intermediário para uma inovação disruptiva, partindo de uma inovação sustentada a partir de um modelo anterior de tecnologia (CHRISTENSEN et al., 2013).

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Por razões previsíveis, a indústria de toda natureza, cria híbridos como forma de testar novos conceitos, ideias, produtos e serviços, até que o mercado, adaptado ao híbrido, esteja pronto para uma disrupção.

Para Christensen (CHRISTENSEN et al., 2013), as inovações híbridas seguem um padrão distinto, com quatro características fundamentais:

(1) representa a nova e a antiga tecnologia, enquanto uma disrupção não oferece a tecnologia anterior em sua forma plena;

(2) buscar atender aos clientes já existentes, em vez de formar novos clientes, induzindo-os a um novo hábito para conhecidas finalidades;

(3) procura ocupar o espaço de uma tecnologia pré-existente e tem, como resultado, a obrigação de atingir um desempenho que supere as expectativas dos clientes existentes, uma vez que o híbrido precisa realizar o trabalho pelo menos tão bem quanto o produto anterior;

(4) seu uso tende a ser mais simples do que o de uma inovação disruptiva, porque ele não reduz o nível de renda e/ou conhecimento necessário para adquiri-lo e operá-lo.

O ensino híbrido segue uma tendência de mudança que ocorreu em praticamente todos os serviços e processos de produção de bens que incorporaram os recursos das tecnologias digitais. Nesse sentido, deve ser entendido não como mais um modismo que cai de paraquedas na educação, mas como algo que veio para ficar.

Todas as transformações observadas na indústria, comércio e serviços, desde a massificação da informatização e tecnologias, a partir do novo século, fizeram com que o foco das atividades passasse aos usuários, ao invés de serem providas pelos agentes que ofertavam os serviços.

Restaurantes por quilo, caixas bancários automatizados, lojas e supermercados com autosserviço, fizeram com que o cliente passasse a servir-se ao invés de ser servido, ao mesmo tempo que muitas tecnologias permitem o desvinculamento geográfico entre o cliente e o serviço, como aplicativos bancários, de músicas e de pedidos de alimentação nos smartphones.

E uma vez que essas facilidades vieram para ficar – e evoluir – um dos poucos, senão o único, serviço que ainda não passou – completamente – por essas inovações, é a educação (VALENTE, 2015).

O ensino híbrido permite-se assumir a intermediação entre a inovação sustentada e a disruptiva, na área da educação. É a partir dele que se pretende que o estudante modifique suas posturas em relação à aprendizagem, à construção do seu conhecimento, e principalmente, à significação que ele deve dar a essa construção.

aprendizagem-3O ensino híbrido é provocador de uma profunda mudança tanto nos hábitos dos estudantes, quanto nos comportamentos dos professores (VALENTE, 2015). E essas mudanças nos processos educacionais, proporcionadas pela introdução do ensino híbrido, são quase naturais, embora haja dois pontos a serem considerados.

O primeiro é que já existe um cenário social de uso intensivo de tecnologias, incluindo aquelas da “palma da mão”, que predispõem a uma adesão imediata das mudanças, por parte dos estudantes. O segundo é que há um necessário movimento de instituições, professores e estudantes, em sair da zona de conforto de papéis muito bem estabelecidos, que vão de detentores da diplomação, a detentores do conhecimento, até o de receptores do conhecimento e da diplomação.

 

Referências:

CHRISTENSEN C.M., HORN M.B., STAKER H. Uma introdução à teoria dos híbridos. Online: http://isesp.edu.br/ensinohibrido/curso/ Última atualização: 2013. Acesso: 15Fev, 2016.

VALENTE J.A. O ensino híbrido veio para ficar (Prefácio). In: Ensino Híbrido. Personalização e tecnologia na Educação. Porto Alegre, RS: Editora Penso; 2015

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Uma visão diferente sobre aprendizagem

A revolução digital é, sem sombra de dúvidas, causa e consequência das mudanças necessárias na educação como um todo, e do Ensino Superior, no contexto desta proposta. No bojo da revolução digital, surgiu uma nova expressão e forma de ver o mundo: o empreendedorismo. Basta esclarecer que a palavra EMPREENDEDORISMO não existia no dicionário até o ano 2000 e que hoje, uma busca Google traz mais de 15 milhões de resultados em 0,43 segundos.

O problema central deste diálogo inicial é o empreender como estratégia na multiplicação de capital intelectual para inovações na aprendizagem, tendo como ponto de partida a mudança de mindset para hibridização das estratégias pedagógicas.

think outside the box3Empreender é uma atitude que não está ligada, necessariamente, a ter uma empresa. Empreender é um modo de pensar e agir de forma inovadora, identificando e criando oportunidades, inspirando, renovando e liderando processo.

Empreender é tornar possível o impossível, entusiasmando pessoas, combatendo a rotina, assumindo riscos em prol de resultados positivos. Uma visão empreendedora é, em síntese, uma visão inovadora, que transforma informação e conhecimento em oportunidades, e que pode resultar – até – em um negócio próprio (empresas, startups) ou simplesmente modificar uma rotina de um local de trabalho, o que se define como uma ação de intraempreender.

Em uma sociedade da informação, onde praticamente todo conhecimento pode ser acessado da palma da mão, por um smartphone, o papel do professor, dos estudantes e dos profissionais, necessita de urgente ressignificação.

“O que define a aprendizagem não é saber muito, é compreender bem aquilo que se sabe. É preciso desenvolver nos alunos a capacidade de estudar, de procurar, de pesquisar, de seleccionar, de comunicar. Para isso, o professor é insubstituível.” (António Nóvoa, 2016)

Para compreender o ponto de vista de Nóvoa, cada professor precisaria desapegar de seu quadro e seu projetor na sala de aula, suas anotações ensaiadas sobre o que falar em cada momento da aula. Mas, e principalmente, deixar de ressentir-se daquele momento em que os estudantes estão manuseando seus smartphones como uma competição. É preciso tomar este momento como oportunidade. É disso que trata um novo pensamento educacional, ou um novo mindset.

mindsetMeus estudos e projetos tratam da aprendizagem, e não do ensino; tratam do engajamento protagonista do estudante na sua própria aprendizagem por caminhos inovadores para todos os envolvidos; tratam da inovação rumo à disrupção na educação, e não de simples inserções multimídia em um modelo pedagógico conteudista vigente.

São propostas inspiradas no pensamento moderno de um dos educadores mais respeitados do mundo, e em como ele, do alto dos seus sessenta anos de idade, já percebeu que a disrupção caminha para dentro da educação a passos largos.

Inspiram-se também no acompanhamento de estudantes de graduação e de pós-graduação, de suas aspirações a contextos profissionais, suas dificuldades em adaptar-se – lá fora, como dizem – ao novo, ao inovador, ao transversal, quando nos bancos da academia seus professores seguiram modelos de ensino que os convidava apenas à memorização de conteúdos.

Como eixo condutor para uma proposta inovadora de aprendizagem, com aspiração de ser disruptiva em um momento posterior, estou desenvolvendo uma proposta que se utiliza de uma das áreas transversais mais tecnologicamente articulada entre profissões da saúde, e cujo franco crescimento na última década atraiu os estudantes e profissionais de modo quase paradoxal. Por um lado, a análise do movimento, qualitativa e quantitativa, é meio e método de intervenção para diferentes profissões da saúde – como Terapia Ocupacional, Medicina, Educação Física, Fisioterapia, Fonoaudiologia – cujo domínio assegura ao profissional um diferencial relevante no mundo do trabalho.

Por outro lado, a complexidade da biodinâmica, que envolve uma análise de movimento, qualitativa ou quantitativa, exercita ativamente, e com significado pleno de aplicação, uma integração de conhecimentos pouco motivada nos currículos tradicionalmente conteudistas. Isso se traduz num grau de dificuldade que acaba por se materializar, justificando a paradoxalidade, em obstáculo à adoção de seus instrumentos no repertório de atuação.

Essa série de posts no blog traz a minha visão de inovação para a educação superior, e as muitas maneiras de pensar e agir que, eu acredito, serem possíveis e viáveis para promover mudanças nos rumos da aprendizagem. Trata de como velhos mapas não levam a novos mundos, e de como já consegui atravessar um oceano e me juntar a outros pesquisadores que acreditam que, juntos, podemos desenhar novos mapas.

Você está convidado a me acompanhar!

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