A Jornada do Herói como estratégia de Storytelling: SOLUÇÃO e DESFECHO

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Os 7 passos da Jornada do Herói fazem parte dessa série de posts que inicia aqui, e compõem uma mini-oficina de capacitação online em Storytelling. Aproveite para inovar suas aulas!

Para quem está ligado nessa sequência de textos, já percebeu duas coisas:

  1. O mundo educacional que vem por aí, pelos próximos 10 anos, é de quem (re)aprendeu a ensinar, ensinando os estudantes a aprender a (re)aprender para a Vida, não para a prova. E se você ainda não é capaz disso, é melhor pensar em outra profissão.
  2. iacg capaÉ preciso muito mais do que os slides e o discurso, para os novos tempos da docência do Ensino Superior. E não sou eu que “acho” isso! Dica de colega para colega: dá uma boa estudada no Instrumento de Avaliação de Cursos de Graduação do Inep/MEC (o IACG de 2018), nos itens que compõem a Dimensão 1. Eles estão mais rígidos que o anterior (de 2012), quanto ao que seja um conceito 3 (conceito mínimo para um curso superior funcionar), e quanto ao papel de cada membro do corpo docente nesse cenário chamado “Objetivos do Curso” e “Perfil do Egresso”.

Em outras palavras: se você não sabe como sintonizar a sala de aula com a gestão do conhecimento, no seu curso, você não é um profissional apropriado para permanecer em um corpo docente competitivo, em tempos tão duros de avaliação. Isso sem contar o ENADE, que é outra história impactante no Curso de Graduação!

desafio-2É assim que o Storytelling vem contribuir para seu repertório de estratégias de inovação educacional, sintonizado com sua realidade, espaço, recursos e especificidade de área.

Combinado? Bora finalizar essa série da Jornada do Herói em 7 elementos fundamentais (que iniciou aqui) para que você apresente já na próxima semana, nos Encontros Pedagógicos, de início de ano/semestre!

1- Revisando o propósito dos elementos anteriores, e como se conectam agora, para os 2 últimos passos

Temos o Cenário e os Personagens, passando por um Conflito/Problema que requerem uma intervenção específica, que só um Herói possui: conhecimentos, habilidades e atitudes, combinadas em uma solução única!

super heroiMas esse Herói (que deve estar identificado com o momento no tempo-espaço de formação com seu estudante) encontra Dificuldades ou Obstáculos para uma solução direta: uma contra-indicação, um momento ruim político ou de mercado (agravantes clínicos ou farmacológicos, para os estudantes de profissões da Saúde). Além disso, a Pressão sobre a solução aumenta o risco de uma tomada de decisões: o que fazer?

Se você percebeu, tudo o que foi planejado anteriormente foi feito para inserir um elemento que, normalmente, você e seu estudante d-e-s-c-o-n-h-e-c-e-m em planejamentos de aprendizagem convencionais (os tais Planos de aula). Estamos trabalhando com o RISCO e o ERRO, como elementos da aprendizagem!

A Jornada do Herói (baixe o material PDF aqui) é uma estratégia simples e fácil, para todos os envolvidos, porque vem de um modelo conhecido desde a infância: contar histórias! Ela abre espaço, em ambiente controlado, para explorar as CONSEQUÊNCIAS DO ERRO, o peso da TOMADA DE DECISÃO, as probabilidades consideradas, quando se ASSUME RISCOS!

E note que isso tudo não vem de uma ação restritiva ou punitiva, o que é comum quando só se faz isso com uma prova. Quando a única oportunidade de tomar uma decisão acontece em um momento de avaliação (seminário, provas, ou similares valendo nota), o professor imprime ao erro um caráter punitivo.

Vamos explorar esse SIGNIFICADO da Jornada do Herói, enquanto estratégia de aprendizagem e incorporação positiva do erro como elemento das trilhas de memorização e de tomadas de decisão, em situações de RISCO?

2- Como a Jornada do Herói e as neurociências interagem em um novo modelo de ensino-aprendizagem?

conexoes cerebraisEm termos de neurociências, usar o RISCO e o ERRO apenas em momentos em que eles representem uma consequência punitiva, significa dar reforço a um circuito de sinais, comandados pelo lado lógico do cérebro, que passará a inibir o lado criativo, na busca por soluções inovadoras e de risco, porque a probabilidade de que elas venham a causar perdas impactantes (nota, reprovação) é muito alta. Mas cuidado ao assumir a relação direita-esquerda como absoluta e imutável: estude bem esse assunto para aplicar estratégias bem-sucedidas, baseadas em lógica-criativa.

Como resultado, o estudante passa a responder “o que o professor quer” e se descola do processo em si: idear, selecionar, avaliar, prototipar, testar, revisar, ajustar, aplicar, obter sucesso. E se o papel desempenhado por um professor inibe todo esse processo, a pergunta que fica aqui é: QUAL É O PAPEL DESSE PROFESSOR, AFINAL?

superA estratégia de Storytelling, permeando o Plano de Ensino, e Planos de Aulas, recupera o processo acima, em qualquer contexto de metodologia, ou perfil de Projeto de Curso (PPC). Ela personaliza a regionalização, abre espaço para discussões locais, globais, individuais ou coletivas, porque é o professor que abre espaço para isso, usando o melhor cenário e os melhores personagens e conflitos para aquilo que precisa ensinar, dentro do espaço de aprendizagem da sua disciplina.

O estudante se questiona o tempo todo: não há (ou não deve haver) caminhos únicos e seguros, porque os elementos de dificuldades e de pressão o fazem (re)pensar e (re)unir tudo aquilo que já lhe é conhecido, até esse momento, e tomar uma decisão justificada, baseada em evidências, riscos, necessidades de resultados e, principalmente, EMPATIA.

3- É hora da SOLUÇÃO DO HERÓI: momento da tomada de decisão e de assumir riscos!

É assim que o estudante chega à SOLUÇÃO DO HERÓI, respondendo à pergunta:

“Como resolver o CONFLITO, superando as DIFICULDADES e os ELEMENTOS DE PRESSÃO, aplicando uma SOLUÇÃO DE INTERVENÇÃO com inteligência, inovação e criatividade, aplicando o conhecimento recebido?”

A orientação para a solução deve ser a de uma resposta que contenha os quatro elementos-chaves acima, discriminados, ponderados em probabilidades de desfechos e condições claras de aplicação. O cenário e os personagens devem estar aptos a receber, plenamente, a SOLUÇÃO DO HERÓI.

É o momento do diferencial, da personalização, dentro do coletivo! E nesse momento, é ainda possível que o professor abra espaço para passar de um Storytelling para um Storydoing. Como? Eu explico…

3.1. Do Storytelling ao Storydoing: abrindo a SOLUÇÃO DO HERÓI para diferentes tipos de engajamento, na aprendizagem lógico-criativa

A participação cada vez mais ativa dos consumidores que produzem conteúdos, os chamados “prosumers” (anglicismo de produtor + consumidor), e a necessidade das empresas gerarem o vínculo desejado com seus públicos, fazem do storydoing uma das formas de comunicação que se impõe nos dias de hoje.

O eixo que move o storydoing é constituído por histórias reais. A experiência do consumidor é o mais importante neste contexto, tornando-se a base para se construir uma forma atrativa de atingir o  mercado. (Texto completo aqui)

Ao construir o espaço que precede a solução, você pode chegar a esse momento de duas maneiras:

  1. Oferecendo as possibilidades fechadas de escolhas (em torno de 2 a 3 opções): nesse caso, você continua na experiência Storytelling. Toda a narrativa é controlada por você, para assegurar um padrão de desfecho, que atenda a competências de aprendizagem previamente estabelecidas (geralmente eu uso Taxonomia de Bloom para esse planejamento). Essa é uma possibilidade para iniciar seus estudantes na estratégia de Jornada do Herói: é preciso treinar a habilidade de tomar decisões, em níveis menos complexos e arriscados, antes de abrir o cenário para a próxima etapa: a apresentação de soluções abertas, por parte do estudante.
  2. desafioDepois de uma ou duas experiências, no formato anterior, suas turmas estarão preparadas para o formato Storydoing, ou seja, a narrativa passa ao controle da criatividade do estudante que, diante da possibilidade de uma solução aberta, escolhe um final de acordo com suas percepções, aprendizagem, e desejo de assumir o controle do desfecho. É só no Storydoing que o porfessor consegue avaliar como a aprendizagem, oferecida pela disciplina, compôs um itinerário formativo, associado aos conceitos subsunçores (reveja sobre essa definição, nesse texto).

professor de sucesso-2Em outras palavras, ao expandir do Storytelling para o Storydoing, o estudante se torna parte efetiva da narrativa e da construção do desfecho. Ao ter liberdade para escolher a solução, assumindo risco e calculando probabilidades, o professor tem a clara ideia de como o aprendizado se deu, e tem a chance ÚNICA (que não ocorre em outros tipos de estratégias) de fazer correções nesse itinerário, ajustando-o e/ou melhorando sua precisão.

Só o erro dá espaço para ajustes de trilhas mentais, que ocorrem pelo upgrade dos conceitos subsunçores, a partir da nova aprendizagem. Quem consegue fazer isso acontecer, na sua sala de aula, consegue formar um profissional melhor, mais bem preparado para as transformações de mercado, capaz de raciocinar, calcular probabilidades e arriscar soluções mais inovadoras e criativas.

professor de sucesso-3De forma geral, esses egressos também alcançam melhores desempenhos em exames de larga escala (como ENADE) e daí vem o princípio de que é na sala de aula, e nas práticas docentes, que começa a Gestão do Conhecimento de um Curso Superior.

Ou seja, o verdadeiro gestor de um Curso é o corpo docente, e um professor de sucesso é aquele que já compreendeu essa nova competência e a desenvolve, a seu favor, tornando-se peça imprescindível para qualquer Curso, em qualquer Instituição de Ensino Superior (IES).

4- Ao final, no DESFECHO todos construíram a melhor aprendizagem, e treinaram as melhores competências

E o que dizer do desfecho, depois disso tudo? Só que ele é uma consequência natural de todo o planejamento!

Uma Jornada do Herói bem planejada chega ao desfecho com as seguintes características:

  1. Alinhavou (para o estudante) aprendizagem, significado, valores, empatia, riscos e desempenho, tornando real a discussão do processo, e não, do produto.
  2. Ofereceu (ao docente) espaço para treinar competências técnicas (específicas da profissão) e socioemocionais (trabalho com as Big Five), além de trabalhar com competências treináveis, essenciais para o profissional do futuro. O melhor: construiu tudo isso em um só amálgama, chamado trilha de aprendizagem, que renovou os conceitos subsunçores com sucesso, sucesso esse medido pelo desfecho alcançado pela solução do Herói!

O DESFECHO é puro diálogo, tipo “roda viva”: saia da frente da sala, sente em roda, deixe que eles tragam imagens, textos, vídeos para ilustrar sua solução chegando em um desfecho. Os desfechos são espaços de igualdade: rir do erro apresentado e vibrar com a correção para melhores soluções é minha melhor dica para esse momento!

desfechoO desfecho, em si, inicia uma nova história, um novo ciclo: o desfecho pode ou não ser sustentável, pode criar uma nova realidade ou um novo equilíbrio, e tudo isso está aberto para a discussão entre a expertise (aháaa! Aqui sua experiência faz a diferença em formar egressos diferenciados!).

Crie um novo vínculo com suas turmas.

No fundo, todos somos heróis, se nossa sala de aulas for um espaço aberto para o mundo, real e imaginário, e nossas competências profissionais devem tornar esse espaço um lugar melhor para todos. Desenvolver essa percepção e treinar essas habilidades é o que torna a estratégia Jornada do Herói única e flexível, ágil e personalizada, capaz de treinar comportamentos de análises, riscos, decisões e soluções.

Agora que você tem o roteiro completo, explicadinho, é hora de ser “essa metamorfose ambulante”, e não tem mais razão para continuar com “aquela velha opinião formada sobre tudo”.

Inscreva-se no canal Insights Docentes no YouTube, acompanhe nosso perfil no Instagram e venha fazer parte de novas trajetórias – dentro e fora – da sala de aula, componto o Clube do Professor de Sucesso!

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Até o próximo desafio de estratégias inovadoras!

 

Planner 2019, parte 2: trabalhe as metas e complete seu álbum!

No post anterior trabalhamos com a ideia de que o comprometimento com uma meta, que só pode ser considerada concluída diante de um resultado concreto, estabelecido ao início do processo, é o ponto chave da inovação. Seja no pensamento, no planejamento ou nas práticas, nenhuma inovação se sustenta se não você não mudar suas trilhas mentais e seu mindset: o Planner 2019 do canal Insights Docentes quer estimular esse novo comportamento em você e ajudar para um novo ano, focado em resultados!

Vamos continuar o caminho do Planner? A gente tá junto nessa e, se você quiser, pode compartilhar seu caminho com a gente, nos Stories do Instagram, marcando @insightsdocentes para eu poder trazer seu desafio e suas conquistas para o meu Stories e, assim, incentivar mais colegas às mudanças!

Definida(s) a(s) meta(s), vamos ao mergulho nas etapas para convertê-las em resultados!

(e) PASSO 2: defina a sua meta (ou mais de uma) e mãos à obra!

planner2019 PASSO-2 DICAS

O PASSO 2 vem com duas páginas, no PDF da segunda parte do Planner:

e.1. Essa aí do lado são orientações e sugestões sobre como explorar sua meta, de forma que esse trabalho conduza-o a ações e resultados.

Note que as respostas às 6 perguntas pilares propostas aí aplicam-se, de alguma maneira, a qualquer área. Seu desafio é convertê-la em detalhes específicos para a sua área, e levar as respostas ao ESPAÇO DAS IDEIAS (vide post anterior) para refiná-las em caminhos, ações e resultados.

Cada um dos hexágonos se converte em planos para sua realização, e a combinatória disso será tão infinita quanto seu comprometimento em torná-las reais. Por isso a sugestão: escolha uma meta de cada vez!

planner2019 PASSO-2 PRINTe.2. A página de print para efetivamente fazer suas anotações diárias e relacionadas à meta.

Nessa página você vai usar o adesivo da meta (super novidade!) para colar ao centro da colméia de mudanças e desdobrar as questões relacionadas à meta em prioridades, etapas, prazos, dias… O que preferir!

Você pode imprimir quantas páginas quiser: uma para cada uma das perguntas que mencioneis no item e.1. acima, ou uma para todos os itens, ou uma para cada etapa trazida lá do ESPAÇO DAS IDEIAS.

RAZÃO: o Planner estimula a divergência criativa inicial para que você aprenda, dia a dia, a organizar suas ideias, metas, rever, refazer, reorganizar sempre que necessário. Num Planner normal, tem espaço pré-estabelecido para tudo, e é e-x-a-t-a-m-e-n-t-e por isso que você vive em uma rotina: você repete padrões, formas de registro, lógicas de organização estabelecidas por outros para uma zona de conforto cujos resultados você conheceu de perto, em 2018.

para ondeO Planner 2019 Insights Docentes propõe algum caos para uma nova ordem. Para reduzir a entropia interna é preciso gerar entropia externa, rever prioridades, obrigar-se a ler, pensar, arquitetar a SUA melhor ordem e organização.

Para estabelecer a SUA melhor meta de RE-organização é preciso treinar suas trilhas mentais de novo, e estaremos juntos nesse 2019 para isso! Lá no Instagram e no YouTube vamos compartilhar muitas novidades e complementações que o ajudarão no desafio de reencontrar aquilo que realmente deseja fazer para agregar valor ao que já faz.

(f) SEMESTRES & BIMESTRES: aprenda a seguir um macroplanejamento para que os resultados convertam-se em produtividade, com foco!

planner2019 SEMESTRE1
Faça aqui seu macroplanejamento por meses, bimestres e semestre, para não perder de vista o significado de cada etapa, rumo a uma meta!

Definiu suas metas? Planejou as etapas, em detalhes?

Chegou a hora de treinar a disciplina para com você mesmo! Quantas vezes você já fez listas de metas para um novo ano e… simplemente esqueceu delas?

Nas páginas dos semestres você encontra ideias e insights para ajudá-lo na divisão de tarefas: o que eu vou fazer primeiro, o que vem depois, quais os resultados e em quanto tempo eles serão atingidos.

São 2 páginas de semestres, divididos em meses, com opção para marcar os bimetres em ação (você pode imprimir a mesma página duas vezes, uma para cada bimestre). Cada página parece igual, mas não é: cada QR-Code no canto inferior direito leva você a um material diferente, para estimulá-lo a pensar em coisas novas ou diferentes.

(g) SEMANAS DE ATIVIDADES: imprima quantas vezes preferir!

Você conta com 4 páginas de semanas, como mostra a figura abaixo.

legalTambém, nessas páginas, cada QR-Code no canto inferior esquerdo leva você a uma discussão diferente. E AQUI TEM NOVIDADE! Essas páginas serão renovadas mensalmente, a partir das experiências que vocês compartilharem pelo Instagram do Insights Docentes.

As melhores do mês serão votadas (precisam estar online e em modo público!) e duas delas ganharão sua versão, em uma página como essa, com um QR-Code especial que levará até o link digital dos autores dos relatos de mudanças mais votado do mês!

As páginas novas mensais serão compartilhadas por link para download para que as experiências se espalhem, e engajem mais e mais colegas para o pensamento de que a transformação é possível, sim!

Então, se você realmente quer mudar, esse é o empurrãozinho que faltava para você ativar seu instagram, ou seu blog, ou seu canal no YouTube, para compartilhar suas próprias histórias de sucesso, e o mais importante para nosso Planner aqui: seus RESULTADOS!

fuiSugestões: imprima as suas páginas, e imprima mais algumas, para presentear colegas na volta às aulas: nas semanas pedagógicas, nas reuniões de colegiado ou NDE. Convide mais gente à mudança, amplie sua rede de pessoas dispostas a um 2019 diferente. O trabalho só COMEÇA aqui no Insights Docentes: ele continua, mesmo, na sua capacidade de – TAMBÉM – exercitar modelos colaborativos de mudanças, no espaço onde atua.

Partiu fazer o Planner acontecer?!

logo planner ID 2019 blog-2Resumão:

Licença Creative Commons
Planner de Inovação Insights Docentes v.2019 de Dra. Denise da Vinha Ricieri está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em https://denisedavinha.wordpress.com/.
Podem estar disponíveis autorizações adicionais às concedidas no âmbito desta licença em https://denisedavinha.wordpress.com/.

O sorriso de quem nunca desistiu de transformar sonhos em realidade

Ela é uma menina crescida, ou seria uma mulher que não deixa a alegria da criança morrer?! Não importa… Os sonhos fazem parte da vida dessa profissional, que me dá o orgulho hoje de ser minha amiga (também), colega de profissão (também) e que, um dia, me procurou porque queria fazer uma carreira diferente. Ela queria fazer a diferença: no mundo, na vida das pessoas, mas principalmente, na vida dela mesma. Ela queria (e conseguiu) ser tão feliz quanto ter uma carreira brilhante.

reginaEducadora Física e Fisioterapeuta, Regina é uma profissional como poucas, e para além disso, ela é uma das mais queridas histórias de mentorias que eu abracei, ao longo desses mais de 30 anos de carreira no Magistério Superior. Cada mentoria vem de um contexto, de uma oportunidade, de uma expectativa do próprio estudante, e essa nossa história juntas durou mais de 4 anos, como orientadora, parceira e, finalmente, colega e amiga.

A história é linda e conta o sucesso de uma Guerreira que formou-se em Educação Física e Fisioterapia (no mesmo ano), teve um TCC premiado em um Congresso de Fisioterapia Desportiva, e entrou direto no Mestrado em Engenharia Biomédica em uma universidade federal para estudar sua paixão: o ciclismo e os ciclistas, esporte no qual atua como árbitra.

Essa paixão derrubou fronteiras e a motivou estar em intercâmbio em Portugal durante a graduação, além de levá-la como voluntária nas Olimpíadas do Rio. Pouco depois, ela voltou à cidade maravilhosa como Fisioterapeuta, integrando a equipe do ciclismo paralímpico.

Regina-Mentoria

No dia em que foi convocada, a Regina, essa menina que sabe o que quer, mandou uma mensagem que me fez chorar junto com ela, via WhatsApp. O Instagram dela foi cheio de tanta coisa boa – pessoal e profissional – que eu me tornei sua fã!

No Rio ou em Curitiba (onde mora e trabalha) seu sorriso sincero e pleno da felicidade de ver sonhos realizados é o mesmo da foto do treino que mantém, sob temperatura de 17graus.

Regina paralimpiadas

Hoje ela é a Profa. Ms. Regina, da UFPR e a sua história é um presente para mim. Sempre acreditei que meu papel não era oferecer respostas, mas apontar novos cenários para instigar perguntas diferentes daquelas que geralmente vão pela cabeça de quem está nos bancos da universidade, “estudando para uma carreira”.

Meu papel – e minha história como mentora – convergem para a certeza de que a Mentoria é uma corrente do bem, e que nos dá a possibilidade de formar para além da sala de aula. De formar para uma carreira e uma vida, totalmente inovadoras em resultados e perspectivas!

Regina descobriu seu caminho à luz do esforço e dedicação próprias, mas nunca deixou de procurar aconselhamento e olhares diferentes para situar-se com competência e com vantagem competitiva frente à média daqueles que possuem a mesma formação que ela.

Ela é uma das razões de eu acreditar que Mentorar novos profissionais me renova. Me enche de forças, ideias e me orienta para desenvolver novas perspectivas sobre o que o mundo (e as profissões da Educação e da Saúde, minhas áreas de expertise) foi, o que está sendo, e como será no próximo decênio.

Mais que uma profissional de sucesso, Regina é uma pessoa de sucesso. Ela reflete como é possível desenhar o próprio futuro que se deseja, acreditar nesse desenho, planejar o caminho, e executar o planejamento.

Conheça quem é a Profa. Regina no Currículo Lattes, mas saiba que a Regina, aquela menina-mulher, ou mulher-menina, continua desenhando seus sonhos… Porque ninguém para de sonhar.

A vida profissional da Regina que cruzou com a minha, um dia, porque ela acreditou que eu tinha algumas ideias que podiam fazer a diferença para a carreira dela. Mas ela não só acreditou: ela fez. E essa é a primeira, de algumas histórias, que quero contar por aqui também, porque não é só uma história: essa é uma vida! 

O que representa ter um “Growth Mindset”?

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Versão em português do texto publicado originalmente pela Harvard Business Review What Having a “Growth Mindset” Actually Means (Carol Dweck, January 13, 2016), disponível para acesso aqui.

“Acadêmicos ficam profundamente gratificados quando suas ideias se tornam populares, ou “pegam”, virando moda. Ficam ainda mais felizes quando suas ideias fazem a diferença – melhorando a motivação, a inovação, ou a produtividade, por exemplo. Mas toda popularidade tem um preço: as pessoas às vezes distorcem as ideias e, portanto, deixam de serem beneficiadas por elas. Isto começa a acontecer com minha pesquisa sobre a mentalidade “fixa” versus “expandida”, entre sujeitos e dentro das organizações.

Resumindo rapidamente os achados da minha pesquisa: sujeitos que acreditam que seus talentos podem ser desenvolvidos por meio de treinamento intensivo, boas estratégias, e processos colaborativos de aprendizagem possuem uma forma mais expandida de ver as coisas (ou growth mindset). Eles tendem a alcançar mais que aqueles com uma mentalidade mais fixa, ou seja, aqueles que acreditam que seus talentos são dons inatos (fixed mindset). Essa diferença acontece porque aqueles dotados da mentalidade-expandida preocupam-se menos com parecer inteligentes e colocam sua energia na aprendizagem.

mindsetQuando companhias inteiras adotam o growth mindset, o relato dos funcionários traz um sentimento de empoderamento e comprometimento; eles recebem um suporte organizacional muito maior para colaborar e inovar nos processos da empresa.

Ao contrário, pessoas que trabalham em empresas com fixed mindset relatam com maior frequência uma única coisa: a percepção de trapaça e a decepção dos funcionários entre si, presumivelmente porque passam a ter foco apenas em ganhar vantagens pessoais, na corrida pelo talento.

No rastro destes achados, growth mindset tornou-se um chavão em muitas grandes empresas, trabalhando essa visão em suas missões regimentárias. Mas quando eu investigo, frequentemente descubro que a compreensão das pessoas é limitada sobre o que realmente signifique o conceito de growth mindset.

Vamos dar uma olhada em três confusões muito comuns:

  • Eu já tive, e ainda tenho”. Pessoas confundem ter uma mentalidade-expandida (growth mindset) com ser flexível, ter mente aberta, ou ainda, ter uma visão positiva – qualidades que eles acreditam que, simplesmente, sempre tiveram. Meus colegas e eu chamamos isso de falsa mentalidade-expandida (false growth mindset). Atualmente todo mundo apresenta uma mistura entre as duas mentalidades, fixa e expandida, e essa mistura evolui continuamente, com a experiência. Uma mentalidade-expandida pura não existe, e é preciso reconhecer isso para atingir os benefícios que buscamos, ao trabalhar a mentalidade expandida.
  • A mentalidade-expandida está relacionada com elogiar e recompensar esforços”. Isto não é verdade nem na Educação, para estudantes, nem no mundo corporativo, para funcionários. Em ambos cenários, o processo é importante. Esforços improdutivos nunca são boa coisa. O ponto crítico é recompensar não apenas o esforço, mas a aprendizagem e o progresso atingidos, enfatizando o processo que gera os gera, como buscar ajuda de outros, tentar novas estratégias, e capitalizar sobre os contratempos para seguir em frente, efetivamente. Em todas nossas pesquisas, o desfecho – linha de base – acontece a partir de um engajamento profundo nesses processos.
  • Una-se à mentalidade expandida e coisas boas acontecerão”. Missões são coisas maravilhosas. Você não pode argumentar com valores elevados, como crescimento, empoderamento ou inovação. Mas o que eles significam para os funcionários, se a empresa não implementa políticas que os tornem reais e factíveis? Esses valores tornam-se, simplesmente, palavras da boca para fora. Organizações que incorporam uma mentalidade-expandida , encorajam apropriadamente o enfrentamento de riscos, conhecendo que alguns riscos não vão funcionar. Elas recompensam empregados pelas lições aprendidas, aquelas úteis e importantes, mesmo se um projeto não atingiu as metas originais. Elas dão apoio à colaboração entre fronteiras organizacionais, ao invés de colocar em competição suas unidades e seus empregados. Elas estão comprometidas com o crescimento de cada membro, num comprometimento não apenas em palavras, mas em atitudes, como oportunidades de desenvolvimento amplamente disponíveis. E elas reforçam os valores da mentalidade-expandida, continuamente, com políticas concretas.

mindset-2Mesmo quando tais equívocos são corrigidos, ainda não é fácil atingir a mentalidade-expandida. Uma razão para isso é que todos temos nossos próprios gatilhos para a mentalidade-fixa.

Quando enfrentamos desafios, recebemos críticas, ou quando nosso desempenho é baixo em comparação ao dos colegas, facilmente caímos na defensiva ou na insegurança, uma resposta que inibe a expansão.

Nossos ambientes de trabalho também podem ter seus próprios gatilhos de mentalidade fixa. Uma empresa que atua sobre talentos torna mais difícil para as pessoas praticarem a mentalidade de expansão pensando e em seus comportamentos, tais como informação, colaboração, inovação, busca por feedback ou reconhecer os erros. Para permanecer na zona de expansão, precisamos identificar e trabalhar tais gatilhos.

Muitos gestores e executivos se beneficiam da aprendizagem, reconhecendo quando personas com mentalidade-fixa aparecem, e o que é dito para que eles sintam-se ameaçados ou na defensiva. Mais importante de tudo é que, ao longo do tempo, esses gestores aprenderam a devolver tais falas, convencendo esses funcionários a colaborarem e perseguirem metas.

Esse é um trabalho duro, mas sujeitos e organizações podem ganhar muito aprofundando seu conhecimento nos conceitos da mentalidade-expandida e nos processos para colocá-los em prática. Isso lhes dá um senso mais rico de quem eles são, o que os representa e como querem seguir em frente.”

OBS: A expressão growth mindset não possui equivalente em português. Refere-se à capacidade de possuir uma mentalidade (ou visão de mundo) capaz de absorver as dificuldades e transformá-las em oportunidades de desenvolvimento para novas habilidades, por meio de treinamento, estratégias e busca por ajuda. Em outras palavras, um sujeito com growth mindset acredita que dons podem ser desenvolvidos, e não se restringem àqueles inatos, o que lhe permite encontrar soluções criativas, ampliar seu repertório, estar pronto para aproveitar oportunidades, e desenvolver redes e processos colaborativos eficientes. Nesse texto, growth mindset foi traduzido como mentalidade-expandida, podendo também ser tomado como visão-expandida, ou mentalidade-de-crescimento.

IMG_4379Comentários da tradutora

Para modelos educacionais engajadores e ativos é preciso que o sistema onde o Curso Superior está inserido tenha um funcionamento diferente do padrão atual, elaborado há mais de 50 anos atrás para as necessidades da época.

Os sistemas de acreditação e gestão universitária mudaram muito, desde então, assim como as ferramentas para formar os profissionais do mercado de trabalho do futuro. É necessária a mentalidade de crescimento aplicada ao desenho educacional de projetos de cursos superiores, para que a formação não seja resumida à diplomação.

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Quer desenvolver mentalidade-expandida nos seus estudantes? Atente para esses 3 elementos e estimule-os em seu Planejamento!
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Como diagnosticar nos estudantes o tipo de mentalidade que eles possuem, frente ao processo de aprendizagem na sua disciplina? Observe os comportamentos!