Planner 2019, parte 2: trabalhe as metas e complete seu álbum!

No post anterior trabalhamos com a ideia de que o comprometimento com uma meta, que só pode ser considerada concluída diante de um resultado concreto, estabelecido ao início do processo, é o ponto chave da inovação. Seja no pensamento, no planejamento ou nas práticas, nenhuma inovação se sustenta se não você não mudar suas trilhas mentais e seu mindset: o Planner 2019 do canal Insights Docentes quer estimular esse novo comportamento em você e ajudar para um novo ano, focado em resultados!

Vamos continuar o caminho do Planner? A gente tá junto nessa e, se você quiser, pode compartilhar seu caminho com a gente, nos Stories do Instagram, marcando @insightsdocentes para eu poder trazer seu desafio e suas conquistas para o meu Stories e, assim, incentivar mais colegas às mudanças!

Definida(s) a(s) meta(s), vamos ao mergulho nas etapas para convertê-las em resultados!

(e) PASSO 2: defina a sua meta (ou mais de uma) e mãos à obra!

planner2019 PASSO-2 DICAS

O PASSO 2 vem com duas páginas, no PDF da segunda parte do Planner:

e.1. Essa aí do lado são orientações e sugestões sobre como explorar sua meta, de forma que esse trabalho conduza-o a ações e resultados.

Note que as respostas às 6 perguntas pilares propostas aí aplicam-se, de alguma maneira, a qualquer área. Seu desafio é convertê-la em detalhes específicos para a sua área, e levar as respostas ao ESPAÇO DAS IDEIAS (vide post anterior) para refiná-las em caminhos, ações e resultados.

Cada um dos hexágonos se converte em planos para sua realização, e a combinatória disso será tão infinita quanto seu comprometimento em torná-las reais. Por isso a sugestão: escolha uma meta de cada vez!

planner2019 PASSO-2 PRINTe.2. A página de print para efetivamente fazer suas anotações diárias e relacionadas à meta.

Nessa página você vai usar o adesivo da meta (super novidade!) para colar ao centro da colméia de mudanças e desdobrar as questões relacionadas à meta em prioridades, etapas, prazos, dias… O que preferir!

Você pode imprimir quantas páginas quiser: uma para cada uma das perguntas que mencioneis no item e.1. acima, ou uma para todos os itens, ou uma para cada etapa trazida lá do ESPAÇO DAS IDEIAS.

RAZÃO: o Planner estimula a divergência criativa inicial para que você aprenda, dia a dia, a organizar suas ideias, metas, rever, refazer, reorganizar sempre que necessário. Num Planner normal, tem espaço pré-estabelecido para tudo, e é e-x-a-t-a-m-e-n-t-e por isso que você vive em uma rotina: você repete padrões, formas de registro, lógicas de organização estabelecidas por outros para uma zona de conforto cujos resultados você conheceu de perto, em 2018.

para ondeO Planner 2019 Insights Docentes propõe algum caos para uma nova ordem. Para reduzir a entropia interna é preciso gerar entropia externa, rever prioridades, obrigar-se a ler, pensar, arquitetar a SUA melhor ordem e organização.

Para estabelecer a SUA melhor meta de RE-organização é preciso treinar suas trilhas mentais de novo, e estaremos juntos nesse 2019 para isso! Lá no Instagram e no YouTube vamos compartilhar muitas novidades e complementações que o ajudarão no desafio de reencontrar aquilo que realmente deseja fazer para agregar valor ao que já faz.

(f) SEMESTRES & BIMESTRES: aprenda a seguir um macroplanejamento para que os resultados convertam-se em produtividade, com foco!

planner2019 SEMESTRE1
Faça aqui seu macroplanejamento por meses, bimestres e semestre, para não perder de vista o significado de cada etapa, rumo a uma meta!

Definiu suas metas? Planejou as etapas, em detalhes?

Chegou a hora de treinar a disciplina para com você mesmo! Quantas vezes você já fez listas de metas para um novo ano e… simplemente esqueceu delas?

Nas páginas dos semestres você encontra ideias e insights para ajudá-lo na divisão de tarefas: o que eu vou fazer primeiro, o que vem depois, quais os resultados e em quanto tempo eles serão atingidos.

São 2 páginas de semestres, divididos em meses, com opção para marcar os bimetres em ação (você pode imprimir a mesma página duas vezes, uma para cada bimestre). Cada página parece igual, mas não é: cada QR-Code no canto inferior direito leva você a um material diferente, para estimulá-lo a pensar em coisas novas ou diferentes.

(g) SEMANAS DE ATIVIDADES: imprima quantas vezes preferir!

Você conta com 4 páginas de semanas, como mostra a figura abaixo.

legalTambém, nessas páginas, cada QR-Code no canto inferior esquerdo leva você a uma discussão diferente. E AQUI TEM NOVIDADE! Essas páginas serão renovadas mensalmente, a partir das experiências que vocês compartilharem pelo Instagram do Insights Docentes.

As melhores do mês serão votadas (precisam estar online e em modo público!) e duas delas ganharão sua versão, em uma página como essa, com um QR-Code especial que levará até o link digital dos autores dos relatos de mudanças mais votado do mês!

As páginas novas mensais serão compartilhadas por link para download para que as experiências se espalhem, e engajem mais e mais colegas para o pensamento de que a transformação é possível, sim!

Então, se você realmente quer mudar, esse é o empurrãozinho que faltava para você ativar seu instagram, ou seu blog, ou seu canal no YouTube, para compartilhar suas próprias histórias de sucesso, e o mais importante para nosso Planner aqui: seus RESULTADOS!

fuiSugestões: imprima as suas páginas, e imprima mais algumas, para presentear colegas na volta às aulas: nas semanas pedagógicas, nas reuniões de colegiado ou NDE. Convide mais gente à mudança, amplie sua rede de pessoas dispostas a um 2019 diferente. O trabalho só COMEÇA aqui no Insights Docentes: ele continua, mesmo, na sua capacidade de – TAMBÉM – exercitar modelos colaborativos de mudanças, no espaço onde atua.

Partiu fazer o Planner acontecer?!

logo planner ID 2019 blog-2Resumão:

Licença Creative Commons
Planner de Inovação Insights Docentes v.2019 de Dra. Denise da Vinha Ricieri está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em https://denisedavinha.wordpress.com/.
Podem estar disponíveis autorizações adicionais às concedidas no âmbito desta licença em https://denisedavinha.wordpress.com/.

Planner 2019, parte 1: escolha as metas e entenda o desafio

welcomeOlá!

Essa sou eu, na versão second life (que também é um recurso para trabalhar estratégias engajadoras de aprendizagens) e você acaba de chegar ao meu espaço de intercâmbio de ideias e proposição de desafios! Que tal um 2019 desenhado em 365 dias de foco em mudanças, sem que isso se torne um fardo ou um peso para você?

Boralá conhecer o Planner de Inovação Insights Docentes, versão 2019!

Em 2017 eu acompanhei de perto as muitas mudanças no mundo da Educação Superior, e escrevi sobre elas e o Futuro da Educação. Foi assim que nasceu a ideia do primeiro Planner de Inovação Educacional, para esse 2018 que termina.

checkedA experiência foi tão boa em usar um mapa, ou bússola, que sugeria mudanças e motivava a reflexão por meio de acesso direto a material multimídia – via QR-Code – que nesse ano planejei algo mais detalhado, mais interativo e, principalmente, mais focado em descobrir a inovação no dia a dia.

As viagens que fiz em 2018, capacitando e orientando, professores e estudantes, tanto na parte educacional (em metodologias ativas), quanto na parte técnica (em análise do movimento), deram-me novas perspectivas sobre as dores que todos estão vivendo dentro dos muros das faculdades e universidades.

Desde a sala de aula até a gestão dos cursos, a palavra de ordem é INOVAÇÃO, e o verbo de ação é TRANSFORMAR. Muitos estão perdidos: somos (me incluo nessa!) frutos de um modelo ultrapassado de formação, para a profissão queescolhemos.

perguntaEstamos vivendo uma mudança de era, a transformação para um modelo completamente paradoxal àquele que supúnhamos dominado, e onde diploma, conteúdo e aulas – nossos pilares centrais de “atração” para o Ensino Superior, deixaram de ser o objeto de desejo da grande maioria dos egressos do Ensino Médio.

Perdidos nesse limbo, entre o que era e o que será, estamos tentando saber como inovar, como transformar, como nos reposicionar, mas não há modelos ou narrativas prontas capazes de atender a essa necessidade.

legalEntão veio a ideia: as novas competências para o mundo do trabalho (e não é só para os docentes) demandam novos HÁBITOS e novas HABILIDADES, e isso não se adquire por mágica, nem de um dia para outro. Os melhores resultados para quem transformou efetivamente suas práticas vieram do cultivo diário de novas formas de pensar, da busca por repertórios complementares àqueles já dominados, da prática empática do planejamento daquilo que se oferece em processos, produtos ou serviços.

Vale na Educação, vale no mercado de trabalho.

Assim foi nascendo, aos poucos, a ideia de um Planner mais interativo e mais personalizado, com foco em resultados que possam ser medidos porque se converteram em inovações reais, capazes de serem sustentadas no tsunami diário de compromissos e obrigações a serem cumpridas.

O Planner de 2019 é diferente em 3 pontos fundamentais, para quem quer mudar-SE:

1- ele trata a mudança de dentro para fora, desde o planejamento dessa mudança;

2- ele inicia com 6 metas básicas, e 6 sugetões de etapas para concretizar as transformações;

3- cada meta pode ser personalizada, de acordo com a área de atuação, especialidade de trabalho ou campo de estudo, porque as etapas trazem o significado dessa mudança para o mundo de cada um; e

4- ele não está fechado: será alimentado semanalmente com as interações que fazemos nas mídias que nos reúnem: o canal Insights Docentes no Instagram e no YouTube.

sherlockEm síntese: o Planner abre 2019 para uma imersão de trabalho diária, um “curso” de 365 dias de atividades, ora reflexivas, ora ativas, ora compartilhadas. Para dar organização a esse planejamento ousado, eu usei o resultado das enquetes que fizemos durante o mês de Dezembro/2018, no Instagram, com a rede de seguidores do canal.

Assim, essa nossa imersão rumo à transformação e conversão de resultados tem sua participação direta, desde o planejamento, até a execução (vem mais coisa boa por aí!).

Você pode baixar o PDF para impressão das páginas iniciais do Planner, mencionadas nesse texto, clicando aqui (o restante você baixa no próximo post, ou no link está ao final desta página). Elas estão formatadas para impressão em formato A4. Para melhores resultados, imprima em modo normal, colorido, e escolha um papel cuja gramatura esteja entre 90 e 115g/m2. Para a capa, sugiro uma gramatura mínima de 150g/m2. Saiba mais sobre gramaturas e as melhores escolhas para impressão.

Vamos conhecer como os elementos do Planner podem lhe ajudar, em 2019?

Conheça os elementos e a dinâmica que convida você a planejar e realizar mudanças

(a) CAPA

planner2019 CAPA A capa é ilustrada no padrão “flat”, ou seja, ela traz ilustrações planas, simples, geométricas. Aqui a essência é não roubar a atenção do que se deseja: FOCO NAS METAS, não no visual.

Você pode imprimi-la em um papel de gramatura maior, para encadernar todo o Planner e, então, personalizar com seu nome, adesivos, colorir… Divirta-se!

RAZÃO: parte do processo está em recrutar cada vez mais o lado criativo do cérebro para que trabalhe em cooperação com seu lado lógico. Abrir espaço para a personalização significa PENSAR SOBRE O QUE SE FAZ, refletir mais demoradamente.

A proposta é quase um meditar ativo, onde o desejo de mudar as trilhas mentais antigas nasce do comprometimento com o instrumento: acrescentar aquilo que nos agrada, a ludicidade do manuseio, a identidade do colorir. Aqui começa o traçado de novas trilhas mentais, capazes de gerar novas formas de pensar, agir, reagir e interagir com nossos próprios propósitos, antes que mudar a forma como lidamos com nossas tarefas. Detalhes são muito importantes: dê atenção a eles.

(b) INFORMAÇÕES & INSTRUÇÕES GERAIS

planner2019 ORIENTACOES
Preste atenção nessa página impressa: ela conta para você as estratégias do processo que o Planner quer estimular, por meio dos recursos e do formato desenhado para essa experiência de mudanças pessoais, frente às demandas inovadoras do mundo da Educação.

A página inicial foi feita para oferecer um start nesse processo e, como a ideia central é pensar fora da caixa, sair do quadrado, planner foi desenhado com base no conceito de hexágonos. É interessante o porque dessa escolha e basta saber que as formas geométricas possuem significados psicológicos e no design de comunicação.

RAZÃO: Você pode explorar essa ideia e chegar às suas próprias conclusões, porque toda leitura diferente é uma leitura que acrescenta à inovação!

(c) Passo 1: escolha a(s) meta(s) e comprometa-se com ela(s)!

planner2019 PASSO-1 DICAS

A experiência tem mostrado que para o desenvolvimento de comportamentos inovadores em práticas docentes, em qualquer área, são necessários – pelo menos – 6 pilares básicos, muito bem estabelecidos.

Esses 6 pilares estão resumidos no passo 1 e representam sua primeira etapa. O que você pensa ser mais importante transformar primeiro, considerando seu próprio universo de atuação profissional e o momento que está vivendo? Nessa página você vai escolher uma – ou mais – metas.

Mas lembre-se: quanto mais metas, mais complexas serão as ações necessárias se você realmente se comprometer com as mudanças que cada uma delas propõe.

Então, que tal começar com uma a uma?

Quem me conhece sabe: meu primeiro passo foi PENSAR DIFERENTE. Essa foi a minha escolha! Achei incrivelmente essencial, para meu modo de levar a vida e o trabalho, ir em busca de conhecer como pensava a nova geração, para recalibrar meu próprio modo de pensar e planejar minhas práticas docentes.

como ehAssim, investi pesado em mim: em um curso e um weekend de pensamento inovador, em São Paulo, e depois, em uma formação presencial super, de 4 dias, em Design Thinking com um dos melhores designers brasileiros da atualidade. Entenda que, na maior parte das vezes para ter algo diferente você precisa ser “aluno novamente”, ouvir mais atentamente, e olhar o mundo pelos olhos de outras perspectivas (e idades).

RAZÃO: Ler é um começo, mas para mudanças maiores, ler não é suficiente, porque tendemos a filtrar as leituras pelas nossas trilhas mentais. E são exatamente elas que precisamos renovar!

Por outro lado, a maior parte do que é online, muito barato e gratuito, não oferece os recursos essenciais que permitam o aprofundamento necessário na aquisição de novas competências: é preciso ousar e planejar os investimentos também!

Analise suas possibilidades, faça um planejamento e priorize-SE, em detrimento de coisas que podem ser redimensionadas em função de fortalecer – e até repocionar – sua carreira docente, estudantil e/ou profissional. Vale muito à pena!

(d) ESPAÇO DAS IDEIAS: às vezes é preciso começar por aqui…

Você pode escolher sua meta no passo 1, ou ainda não ter muita certeza por onde começar. Está tudo bem: todo processo começa assim. Então eu preparei um espaço especial para você rascunhar aquilo que deseja e dei a eles hashtags para que possamos trazê-los à tona no Instagram e nas nossas interações online.

As neurociências mostram que visualizar recompensas para novos feitos ajudam o lado lógico do cérebro a reforçar uma trilha nova de comportamentos e de aprendizagem, ao mesmo tempo em que permite maior liberdade de ação ao lado criativo no desenvolvimento de novas ideias.

Em outras palavras, o planner tem um ESPAÇO DAS IDEIAS para seu lado criativo registrar expectativas, enquanto seu lado lógico encontra soluções para executá-las, aprendendo novos repertórios e criando novas oportunidades. Quer saber mais como isso funciona?

planner2019 PASSO-IDEIAS
Essa página pode ajudar você a se decidir por uma meta, no PASSO 1, caso você não tenha claro, ainda, por onde começar seu planejamento de mudanças para 2019. Detalhes no texto.

Escreva suas expectativas no lado “e se…” e determine o que é preciso aprender/ fazer no lado “preciso”. Algo como:

E SE… eu fizesse videos animados para explicar os elementos básicos do necessários para desenvolvimento de uma habilidade, que faz parte do meu trabalho (seja você um professor, um estudante ou um profissional, tanto faz)

Portanto, você está inclinado para 3 metas, daquelas 6 apresentadas:

Para tornar realidade esse repertório desejado (ex.: produção de vídeos) e atingir a meta (ex.: produzir ao menos um vídeo), é hora de passar o caminho para a coluna “preciso”:

PRECISO… fazer um curso de edição de vídeos, aprender como produzi-los e publicá-los em espaços digitais, para acesso dos meus estudantes/clientes a ele.

Pronto: expectativa/sonho encontrou com a lógica da realização, ou o caminho. Isso ajudou a entender o que é preciso para chegar a novos resultados (nesse caso: “explicar os elementos básicos do necessários para desenvolvimento de uma habilidade, que faz parte do meu trabalho”). Começa a parte da ação: pesquise, levante preços, faça cursos gratuitos para experimentar como é a produção de vídeos (tenha certeza dos seus desejos antes de investir no aprofundamento das novas competências).

Trabalhe nesse processo e, ao final, APÓS PRODUZIR UM VÍDEO COMPLETO, aí sim marque cada nova conquista circulando o EU FIZ! (note que EU FIZ! é maiúsculo e representa o registro de conquistas pelo seu lado lógico do cérebro, em oposição ao “e se…” e “preciso” que estão grafados em minúsculo).

excelenteÀs vezes é mais fácil determinar o início do que precisamos registrando aquilo que gostaríamos (“preciso”), dando significado ao porque de investir nesse sonho (“e se…”). Preencha esse ESPAÇO DAS IDEIAS com as muitas coisas que você passou 2018 desejando, mas não achou tempo, oportunidade, dinheiro (ah! o dinheiro!), motivação ou que, por qualquer outro motivo, você não levou o desejo adiante.

Talvez muitas delas tivessem acontecido se fossem registradas, pensadas, planejadas e testadas. O Planner vai ajudar para que em 2019 os resultados sejam diferentes.

Gostou? Então agora é hora de ir em frente: no PASSO 2 do Planner de Inovação você vai mergulhar na mudança diariamente e fazer as perguntas que anda evitando, porque elas vão, inevitavelmente, tirá-lo da zona de conforto!

logo planner ID 2019 blog-1Resumão:

Licença Creative Commons
Planner de Inovação Insights Docentes v.2019 de Dra. Denise da Vinha Ricieri está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em https://denisedavinha.wordpress.com/.
Podem estar disponíveis autorizações adicionais às concedidas no âmbito desta licença em https://denisedavinha.wordpress.com/.

O sorriso de quem nunca desistiu de transformar sonhos em realidade

Ela é uma menina crescida, ou seria uma mulher que não deixa a alegria da criança morrer?! Não importa… Os sonhos fazem parte da vida dessa profissional, que me dá o orgulho hoje de ser minha amiga (também), colega de profissão (também) e que, um dia, me procurou porque queria fazer uma carreira diferente. Ela queria fazer a diferença: no mundo, na vida das pessoas, mas principalmente, na vida dela mesma. Ela queria (e conseguiu) ser tão feliz quanto ter uma carreira brilhante.

reginaEducadora Física e Fisioterapeuta, Regina é uma profissional como poucas, e para além disso, ela é uma das mais queridas histórias de mentorias que eu abracei, ao longo desses mais de 30 anos de carreira no Magistério Superior. Cada mentoria vem de um contexto, de uma oportunidade, de uma expectativa do próprio estudante, e essa nossa história juntas durou mais de 4 anos, como orientadora, parceira e, finalmente, colega e amiga.

A história é linda e conta o sucesso de uma Guerreira que formou-se em Educação Física e Fisioterapia (no mesmo ano), teve um TCC premiado em um Congresso de Fisioterapia Desportiva, e entrou direto no Mestrado em Engenharia Biomédica em uma universidade federal para estudar sua paixão: o ciclismo e os ciclistas, esporte no qual atua como árbitra.

Essa paixão derrubou fronteiras e a motivou estar em intercâmbio em Portugal durante a graduação, além de levá-la como voluntária nas Olimpíadas do Rio. Pouco depois, ela voltou à cidade maravilhosa como Fisioterapeuta, integrando a equipe do ciclismo paralímpico.

Regina-Mentoria

No dia em que foi convocada, a Regina, essa menina que sabe o que quer, mandou uma mensagem que me fez chorar junto com ela, via WhatsApp. O Instagram dela foi cheio de tanta coisa boa – pessoal e profissional – que eu me tornei sua fã!

No Rio ou em Curitiba (onde mora e trabalha) seu sorriso sincero e pleno da felicidade de ver sonhos realizados é o mesmo da foto do treino que mantém, sob temperatura de 17graus.

Regina paralimpiadas

Hoje ela é a Profa. Ms. Regina, da UFPR e a sua história é um presente para mim. Sempre acreditei que meu papel não era oferecer respostas, mas apontar novos cenários para instigar perguntas diferentes daquelas que geralmente vão pela cabeça de quem está nos bancos da universidade, “estudando para uma carreira”.

Meu papel – e minha história como mentora – convergem para a certeza de que a Mentoria é uma corrente do bem, e que nos dá a possibilidade de formar para além da sala de aula. De formar para uma carreira e uma vida, totalmente inovadoras em resultados e perspectivas!

Regina descobriu seu caminho à luz do esforço e dedicação próprias, mas nunca deixou de procurar aconselhamento e olhares diferentes para situar-se com competência e com vantagem competitiva frente à média daqueles que possuem a mesma formação que ela.

Ela é uma das razões de eu acreditar que Mentorar novos profissionais me renova. Me enche de forças, ideias e me orienta para desenvolver novas perspectivas sobre o que o mundo (e as profissões da Educação e da Saúde, minhas áreas de expertise) foi, o que está sendo, e como será no próximo decênio.

Mais que uma profissional de sucesso, Regina é uma pessoa de sucesso. Ela reflete como é possível desenhar o próprio futuro que se deseja, acreditar nesse desenho, planejar o caminho, e executar o planejamento.

Conheça quem é a Profa. Regina no Currículo Lattes, mas saiba que a Regina, aquela menina-mulher, ou mulher-menina, continua desenhando seus sonhos… Porque ninguém para de sonhar.

A vida profissional da Regina que cruzou com a minha, um dia, porque ela acreditou que eu tinha algumas ideias que podiam fazer a diferença para a carreira dela. Mas ela não só acreditou: ela fez. E essa é a primeira, de algumas histórias, que quero contar por aqui também, porque não é só uma história: essa é uma vida! 

Design de Aprendizagem e os caminhos do sucesso: emoção e liberdade de criação (1)

EMOÇÃO e LIBERDADE DE CRIAÇÃO. É disso que se trata o caminho para o sucesso…

 

EMOÇÃO  e LIBERDADE DE CRIAÇÃO são as duas coisas que mais cativam as pessoas. Muito mais que as tecnologias, é a identidade com a emoção que engaja a atenção, e pontua na balança, para uma influência de opinião. Então se você quer influenciar a opinião de uma pessoa, esses são os dois caminhos do sucesso.

E educadores são influenciadores por natureza, profissão e vocação, esse é nosso primeiro ponto.

mudar-rita-lee

Na Educação, embora esses dois princípios pareçam bastante óbvios, cada vez menos são identificados nas salas de aulas, entre professores. Mas também deixaram de ser alimentados pelos estudantes. O resultado? Bom…

Pergunte para alguém que faz um curso superior, porque ele(a) vai às aulas. Ah! E pergunte também aos professores(as), porque e como se dá uma aula?

Não se espante se as opções de respostas passarem ao largo de ações, de ambos os lados, carentes totalmente de qualquer tipo de emoção e de liberdade de criação. Aliás, provavelmente você terá repostas conflitantes também, porque são gerações diferentes com trilhas mentais diferentes e expectativas diferentes do que seja a função do Ensino Superior.

Com isso, provamos um primeiro ponto: isso é o que se chama ensino. Ensino vem se tornando cada vez mais um procedimento, executado por um binômio professor-aluno. Professor é aquele que professa (no caso, o conhecimento). Aluno (a=sem, luno=luz, ou seja, sem luz) é que está ali para receber o que o professor professa, e “iluminar” sua formação profissional.

O fato é que ensino não assegura aprendizagem, exatamente porque não possui os elementos de sucesso para influenciar: emoção e liberdade de criação. Essa é uma máxima que vem sendo fortalecida a partir dos resultados de outros tipos de relações e formas de trabalhar a formação dos estudantes, nos ambientes educacionais. Você conhece lugar mais desprovido de liberdade de criação do que uma sala de aula convencional?

Vejamos…

Intuitivamente, há muitos anos, a aprendizagem centrada no interesse do estudante tem sido meu pilar de atuação nos cursos superiores. Embora tenha sempre atuado em modelo de Projetos Pedagógicos de Curso professor-centrado, me incomodava aquela espécie de show time padrão, onde alguém sobe ao palco para brilhar enquanto a plateia assiste quieta. E aplaude ao final.

Por causa dessa minha forma intuitiva de ver e de fazer a Educação, levou muito tempo até que eu tivesse contato com conhecimentos de modelos inovadores e formações em metodologias ativas. Um fato interessante é que nas pós-graduações que frequentei, a Metodologia do Ensino era um crédito fácil para mim: eu sempre tinha uma carta na manga, porque já fazia isso no dia a dia. E me admirava a admiração alheia pelo meu repertório, sempre mais amplo que o dos demais professores… O que havia de diferente?

11059445_980540081991126_8938698962105624069_n

Diferente era a RELEVÂNCIA do que eu fazia. Além de ampliado, meu repertório sempre foi claro: sem a atenção do estudante, e do seu engajamento na aprendizagem, nada funciona. É aí que entrava o segredo da experiência…

Percebi, ao revisar muitos materiais didáticos que produzi, inclusive em vídeo, que somente quando mexia com o emocional dos estudantes, de modo autêntico e genuíno, é que conseguia sua atenção e disponibilidade pessoal para minhas propostas de métodos ágeis e criativos. Fazer diferente provocava respostas diferentes.

Emoção! Era isso! Percebi que sempre parti da emoção, da personalização de cada estudante com seu próprio processo de aprendizagem (e não deles para com meu processo de ensino, percebeu a diferença?), para cativá-lo a voos mais altos, e para estimular neles a liberdade de criação supervisionada.

Pronto! Intuitivamente eu tinha os dois elementos fundantes do sucesso no processo de aprendizagem, um como consequência do outro! Mas, como fazer disso uma realidade na sala de aula?

Não perca o próximo bate-papo

IMG_3923Ah! Se você quer começar a transformar suas práticas docentes também, venha comigo e vamos fazer isso juntos: comece agora os cursos e oficinas online que eu preparei especialmente para professores que querem mudar o curso da sua carreira.

Assista as aulas livres e inscreva-se agora na oficina online sobre as NOVAS TRILHAS MENTAIS DOCENTES E DISCENTES e conheça porque EMOÇÕES e LIBERDADE DE CRIAÇÃO são os caminhos para o sucesso em trilhas de aprendizagem efetivas.

WWDC Apple 2016: processo acima do produto

thi wwdc2016

Um dos meus filhos viaja para a Apple Special Event WWDC 2016 e vai daí que eu resolvo assistir, pelo link, a conferência magna que aconteceu hoje. Afinal, aprendi com meus filhos (desenvolvedores Apple) que, muito além dos novos produtos, o mais importante de um desenvolvedor Apple é seu mindset sempre à frente. É a natureza pró-ativa e protagonista de pensar e desenvolver muito além do produto: é pensar num novo modelo de oferecer o processo, a experiência.

A experiência de compartilhar à distância uma grande conferência como essa sobre inovação, tecnologias, mudanças, e novos produtos que afetam ao mundo todo foi impressionante. Mas, ainda mais impressionante não foram os novos produtos apresentados. Foi perceber o processo que guia essa empresa e como ela trata o processo de liderança e criatividade que sustenta no mercado de tecnologias.

Aprender com as entrelinhas dessa riquíssima apresentação do primeiro dia é o que me deu a inquietação de compartilhar. Cá estamos, você, leitor, e eu. Peço que acompanhe meu raciocínio (e se puder, assista também às novidades, com outros olhos). Vamos lá…

1- Compartilhar a trajetória da empresa para um desenvolvimento colaborativo ao redor do mundo

wwdc-1

É característica da Apple os encontros mundiais com seus desenvolvedores para apresentar as novidades. Dividir para multiplicar é um mindset que transformou-se em um dos principais comportamentos de empresas e profissionais de sucesso. E daí a relevância da máxima que transformou a empresa e seus colaboradores em líderes natos: “não vendemos um produto, oferecemos a experiência”.

2- Ousar o sonho maior de todos, o vôo mais alto, preparar-se com qualidade para um auditório gigantesco lotado

wwdc-2

É de encher os olhos quando a câmera transita pelo auditório. Na tela desproporcionalmente gigantesca (em relação ao apresentador), o reflexo da grandeza almejada e alcançada pelo trabalho sério, ano a ano. Pela capacidade de estar sempre um passo à frente, a cada novo produto e nova atualização. A simplicidade e criatividade das composições de logos, imagens, símbolos e mensagens a serem transmitidas. Cada minuto contém uma aprendizagem empreendedora, para olhos que sabem ver.

A cada passagem das câmeras de transmissão pelo auditório, pode-se perceber que há muitos mais empreendedores e afiliados da empresa do que se imaginava. São todos os continentes representados e, embora a faixa etária seja predominantemente da Geração Y e Z, há muitos representantes da Geração X, ousados e presentes.

No palco, o comando da Geração Boomers, que harmoniosamente se alternam com todas as novas gerações, que os sucederão breve. Uma grande lição de cooperação mútua, respeito, coletividade, cocriação e empreendedorismo a ser aprendida, muito diferente do que vemos sendo propagado por aí, nas mídias sociais, por empreendedores de palco. É… Quem é grande tem grandes comportamentos. Só isso.

3- Swift: a linguagem que fez a Apple imbatível nos últimos tempos

wwdc-3

Lembro quando a Apple lançou a Swift, em 2014. Meus filhos estavam no Brasil, acompanhando o lançamento das novidades daquele ano, e eu só ouvi “lá se vão meus próximos finais de semana, até aprender e dar conta disso!”. Era o início de uma boa revolução no mundo da linguagem de programação.

Swift é uma linguagem de programação consistente e intuitiva, desenvolvida pela Apple para a criação de apps para iOS, Mac, Apple TV e Apple Watch. Ela foi criada para dar ainda mais liberdade para os desenvolvedores. Uma linguagem fácil de usar e em código aberto, para que qualquer pessoa com uma boa ideia consiga fazer coisas surpreendentes. E fizeram! Como fizeram…

Os desenvolvedores não foram os únicos que perceberam o potencial da linguagem Swift. Algumas das melhores universidades e instituições acadêmicas estão ensinando Swift nos cursos de programação em computador e oferecendo cursos gratuitos no iTunes U. Nunca foi tão fácil passar das noções básicas de código à programação profissional.

Hoje foi apresentada a Swift 3: The powerful programming language that is also easy to learn. Swift 3 is a thorough refinement of the language and the API conventions for the frameworks you use every day. These improvements make the code you write even more natural, while ensuring your code is much more consistent moving forward. For example, select Foundation types such as the new Date type are easier to use and are much faster than previous releases, and the Calendar type uses enums to feel more at home within Swift.”

Os conceitos chave, desde 2014 com a Swift na primeira versão, reforçam o que tem movido a empresa: conquiste colaboradores, abra espaço para que todos compartilhem sua criatividade e suas ideias, não filtre nada, e você terá conquistado o usuário pela experiência de cocriação. O preço deixou de ser do produto, e passou ao valor do processo, à experiência. E todos sabem que você pode até comparar produtos, mas experiências são únicas e não têm preço, têm valor. Ponto pra maçã!

4- Swift Playgrounds e os desenvolvedores do futuro

wwdc-4

Mas a meu ver, o grande lançamento mesmo não foi nem a Swift 3, nem tampouco a versão Swift Playgrounds enquanto produto. Foi a visão da Apple em considerar que a mudança de geração em seus desenvolvedores traz em seu bojo uma mudança de visão do mundo, da tecnologia, do relacionamento com a tecnologia e, finalmente, a mudança da relação entre tecnologia e educação.

wwdc-6

A visão de futuro da Apple, implícita no discurso de hoje, mostra que os novos tempos chegaram. Brinco sempre em minhas aulas, cursos e palestras, que os Millenium nasceram chorando em 140 caracteres. Hoje ficou claro que, em muito pouco tempo, haverá uma outra linguagem de expressão de ideias, trabalhos, conceitos e criatividade: a linguagem de programação, a lógica da programação já está encantando e desenvolvendo os futuros desenvolvedores da Apple. Muitos deles lá, no auditório, em largos sorrisos e brilho nos olhos. Fascinante de ver essa transformação acontecendo…

wwdc-8

Muito mais que uma empresa de tecnologias, a Apple vem se transformando em uma alavanca de mudanças e de transformações, que cresce exponencialmente a cada geração. Hoje entendi o porquê. O merecido porquê.

Assistindo ao vídeo você também entenderá que o projeto do Swift Playgrounds visa ganhar espaço nas escolas do mundo, oferecendo a aprendizagem de programação de forma intuitiva, praticamente um jogo que ensina lógica, sequências, criação, transformação.

wwdc-9

As crianças de amanhã, assim como os Millenium hoje, terão trilhas de raciocínio muito mais amplificadas que as minhas, que as nossas. E isso se refletirá em todos os níveis de organização da sociedade, em todas as áreas do conhecimento. Mas pensando em educação superior, que é a minha praia, é passado do momento de promover disrupções importantes em salas de aula.

5- Lições de futurismo e empreendedorismo a serem aprendidas

O modelo professor-slide power-point não poderia estar mais surrado, desagastado e superado, embora a grande maioria dos professores do ensino superior ainda se agarre a ele. Aliás, escrevi sobre isso semana passada (dá uma olhada lá!).

Sou da opinião que, num naufrágio você tem duas opções: ou aprender a dar braçadas, que se transformarão em nado para manter-se na superfície, ou agarra-se a um pedaço-de-qualquer-coisa até que tudo à sua volta tenha mudado de lugar e não reste outra alternativa senão sair nadando também… Só que atrasado e sem companhias. Aliás há uma terceira opção: afundar feito pedra. E esse comportamento de ensinar-professor-centrado já está superado pelo novo comportamento aprendizagem-estudante-centrada. Percebeu a diferença? Ensino é diferente de aprendizagem, em nomenclatura e atitude. Passei do ensino de conteúdos à condução da aprendizagem dos conhecimentos muito antes da palavra empreendedorismo constar como verbete em dicionários. E isso vem de dentro… Ainda bem! Porque agora, tem que vir de fora, como necessidade daqueles que querem manter-se atuantes na carreira do magistério superior. Aliás, do magistério como um todo.

A Apple suscitou muitas reflexões em mim em pouco mavatar euenos de duas horas de apresentações. Mas veja, caro colega leitor, não foram os PRODUTOS que me instigaram as reflexões, e sim, o PROCESSO que a empresa adotou como mindset de negócio. É esse mindset que eles gerenciam tão bem, de forma tão limpa quanto suas logos e apresentações, e que apontam para os caminhos de mercado de trabalho, comportamentos, habilidades e atitudes que os profissionais do futuro (muito próximo) enfrentarão e terão de desenvolver. E isso sim, é minha praia, é de meu interesse, pois se reflete em como devo preparar meus estudantes de hoje, que levarão quatros longos anos de formação para chegar a um mercado de trabalho crescendo e evoluindo anualmente em progressão geométrica.

Não há mais tempo nem espaço para procrastinar a mudança de atitudes nas salas de aulas do ensino superior. O que vínhamos apontando como tendências nos últimos dois anos, acabou por se tornar fato inexorável. Pronto, aconteceu. E agora? Agora, não sei o que você vai fazer, mas eu já estou fazendo: preparando meus estudantes com metodologias ágeis e criativas, compartilhando o processo de aprendizagem, trabalhando com planejamento colaborativo de ensino-aprendizagem. Isso os fará sujeitos mais preparados, ao menos enquanto estão ao alcance do meu poder de persuasão de passar de “a-luno” (sem luz) para protagonizar o “estudante” (aquele que estuda).

Como fazer isso? Bom… Como a Apple, dou uma dica, mas deixo a experiência para uma nova apresentação!

wwdc-10

 

 

 

Modelos híbridos na educação

300be442b31cb8b390b227457bbddc9b“Deve-se ensinar a pensar e a estudar. Mas isso não se faz no vazio. É preciso adquirir bases e fundamentos que nos permitam pensar e criar. Sabemos que o estímulo e a exigência desde a mais tenra idade criam bases e rotinas (de leitura, de cálculo, de pensamento) que nos libertam para outras aprendizagens. Dito de outro modo: quando as rotinas básicas são feitas ‘automaticamente’, a nossa atenção e energia podem concentrar-se noutras tarefas e atividades.” (António Nóvoa, 2016)

Sair da zona de conforto parece ser o mais difícil obstáculo a ser transposto pelas propostas híbridas na educação, uma vez que movimenta profundamente todos os lados do sistema. Embora a educação sempre tenha sido misturada, híbrida em alcançar diversas fontes de conhecimento e reuni-las em torno de uma aprendizagem, com a conectividade esse processo é muito mais perceptível, amplo e profundo. O conhecimento é um ecossistema mais aberto e criativo, onde pode-se aprender de inúmeras formas, em todos os momentos, e em múltiplos espaços, desde que esse novo movimento de aprender seja estimulado, orientado e monitorado, segundo um objetivo, uma meta de aprendizagem a ser atingida (BACICH et al., 2015).

Híbrido é um conceito rico, apropriado e complicado, ao mesmo tempo. Tudo pode ser misturado, combinado e, com os mesmo ingredientes, pode-se preparar diversas receitas, cada uma delas com sabores e aromas diferentes (BACICH et al., 2015). A complexidade está em integrar o que vale a pena aprender, com que finalidade se aprende, e em quais contextos isso se dá. Apesar desses conceitos serem praticamente inatos quando se fala de educação, a prática dessa moderna hibridização está longe de acontecer. Muitos gestores, professores e estudantes são híbridos, no sentido de contraditórios, pela formação desbalanceada: possuem muito mais competências cognitivas que socioemocionais, e ainda, possuem muitas dificuldades em saber viver, conviver e aprender juntos, em todos os sentidos do processo de aprendizagem.

Tomando a educação superior como linha de base para essa reflexão sobre inovação disruptiva e a hibridização como caminho, percebe-se que é justamente nela, onde o conhecimento se faz por meio da transformação mediada por professores e pesquisadores, que os processos de ensinar e de aprender profissões ainda estão muito distantes da famosa expressão desta última década: “think outside the box”.

“Sair da caixa” parece ser o mais difícil paradigma a ser superado pelos educadores e pela educação, e esse movimento começa, inevitavelmente, pela mudança dos papéis em sala, tanto do professor quanto do estudante. É preciso compreender que a ação simples e direta de entrega do conhecimento foi superada, e está esgotada enquanto modelo.

Nessa nova ordem global de comportamentos e de pensamentos, principal atuação do professor passou a ser o mediador na significação e compartilhamento de experiências (NÓVOA, 2016). O professor atual deve estar vocacionado para atuar enzimaticamente, convertendo informações em conhecimento aplicado e este, por sua vez, deve ser convertido em significado pelos estudantes, cada um segundo seus contextos e experiências de vida, mas todos a partir dos nexos fundantes estabelecido pelas Diretrizes Curriculares Nacionais.

7a21a3e0f0e6ee89ce80e8cc266a6907Se “sair da caixa” para educadores pode significar, em uma interpretação de sentido raso, o abrir mão de um suposto poder total sobre o conhecimento, para passar a dividir uma parte do poder sobre a aprendizagem com seus estudantes, esse movimento não parece mais fácil para os próprios estudantes, quando se trata de colocar na prática contextos inovadores de atitudes e comportamentos, quando há avaliações e notas em jogo.

Quando se afirma que uma nova máxima educacional deveria convergir para adaptação do conhecimento, gerando soluções, e não para o simples armazenamento das informações, o protagonismo do estudante torna-se o pilar de sustentação de todo o processo. Mas esse pilar exige-lhe mudança de comportamento e da forma de utilização de seu tempo durante o período de formação profissional, aqui tratada no ensino superior.

Para os estudantes, ainda em sua maioria, propostas híbridas de aprendizagem, como os modelos de rotação por estações, laboratórios rotacionais, e salas de aula invertidas – modelos metodológicos das inovações educacionais híbridas – soam antes como uma delegação do papel do ensinar pelo professor. É certo que alguns professores colaboraram fortemente, ao longo da história dos métodos e estratégias pedagógicas, para a malversação de modelos não-professor-centrado, mas é igualmente lógico que o estudante, no atual modelo de ensino[1], possui uma zona de conforto onde não são necessários maiores movimentos para cumprir aproveitamento de conteúdos por meio de notas e presenças, dentro de uma matriz curricular generalista mínima.

E mais, todos os esforços do atual modelo de ensino – diferente do que seria em um modelo educacional – estão concentrados em oferecer e consumir mínimos: matriz curricular mínima, avaliações e notas mínimas, frequência mínima, participação mínima.

IMG_7779

Para modelos educacionais engajadores e ativos é preciso que o sistema onde o Curso Superior está inserido tenha um funcionamento diferente do padrão atual. Aliás, um padrão construído há mais de 50 anos atrás, que está ultrapassado.

Mas, se cada um de nós foi formado por esse sistema como podemos fazer um sistema diferente? Eu também pensava nesse problema há alguns anos e, com o passar da prática de sala de aula e de gestão do conhecimento em cargos e consultorias  administrativas, fui incorporando soluções que reverberaram positivamente em PPCs conteudistas. Um passo anterior aos cursos completamente planejados por metodologias ativas.

No curso ECOSSISTEMA EDUCACIONAL SUSTENTÁVEL eu ensino o passo a passo desse novo mapa da Gestão do Conhecimento, que é o novo perfil de prática docente para o século XXI. Um curso prático, 100% online, simples, direto, e que vai começar a fazer você perceber o Ensino Superior de um novo prisma. Não perca tempo e faça logo esse curso porque todos os outros novos cursos para estratégias inovadoras em planos de ensino e metodologias ativas em planos de aula são uma consequência dessa mudança de mindset!

____________________

[1] Note-se que o texto sempre faz uma diferenciação entre o que seja modelo de ensino e modelo de aprendizagem, sendo que o primeiro se relaciona com a educação professor-centrada e conteudista, enquanto o segundo parte do conceito do hibridismo como inovação sustentada, estudante-centrada, e rumo à mudança de mentalidade sobre construção e significação do conhecimento pelo estudante.

 

 

 

Galeria

O empreender como uma questão no Ensino Superior

 “Como diz Michel Serres, somos contemporâneos da terceira grande revolução na história da humanidade. A primeira, foi a escrita, há 6 mil anos. A segunda, foi o livro impresso, há 500 anos. A terceira é hoje, a revolução digital. As tecnologias fazem parte do dia a dia das novas gerações. Claro que têm de ser integradas na escola e nos processos de aprendizagem e que têm de ser objecto de uma reflexão profunda sobre a forma como devem ser utilizadas por professores e alunos.”

                                                                   (António Nóvoa, 2016)

 

Por natureza da definição, os espaços educacionais estão vocacionados para o empreendedorismo e para o intraempreendedorismo. A consequência natural daquele que se empodera, na educação, por meio do uso orientado da tecnologia e da antecipação de competências, habilidades e atitudes de vanguarda no mercado de trabalho, é empreender. Mas ao contrário da definição, é exatamente nesse meio que o empreendedorismo carece de fôlego para crescer.

Martins (2010) estudou as impressões de 257 estudantes quando perguntados como os professores empreendedores ministraram suas aulas. Nessa pesquisa, os aspectos estratégicos relevantes elencados foram: qualidade de elaboração, variação de cenários, gestão participativa, dialogada e compartilhada da construção do conhecimento, conexão imediata entre teoria-prática nas simulações, e a coerência entre o conteúdo selecionado e a prática diária do exercício profissional. Os estudantes elencaram também os aspectos de personalidade dos professores, e destacaram: empatia, criatividade, simplicidade, domínio do conhecimento e sobre os caminhos onde se buscar o conhecimento mais refinado, paixão pela área.

200H “[…sucesso pedagógico…] depende também da capacidade de expressar competência intelectual, de mostrar que conhecemos de forma pessoal determinadas áreas do saber, que as relacionamos com os interesses dos alunos, que podemos aproximar a teoria da prática e a vivência da reflexão.” (Edgard Moran, 2007)

 

Meu trabalho com análise cinemática do movimento humano, e sua intensa interface com tecnologias mediadas por informatização frequentemente me levam a interfaces com diferentes profissões e áreas do saber, como Educação Física, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Engenharia Biomédica e até Direito, se considerar as vezes em que fui chamada para peritar funcionalidade (e quantificar sua perda) em litígios judiciais trabalhistas, principalmente. Por isso, lancei meu olhar sobre como Fisioterapia e Educação Física para entender como e se essas áreas estão engajadas em formar profissionais tão bons empreendedores para enfrentar esse mercado competitivo, quanto bons técnicos, para atuar de forma competente.

Na busca pelos pensamentos contemporâneos e das expectativas sobre aprendizagem e inovação, daqueles que estão nos bancos da academia e aqueles que recentemente ganharam o mercado de trabalho, encontram-se poucos estudos que tratam do empreendedorismo, particularmente nas áreas de Fisioterapia e de Educação Física. E aqueles que o fazem, imprimem-lhe a natureza de um pensar ilustrativo de simulação, ou ainda, apenas como um caminho de negócio profissional.

Na Fisioterapia, relatos de práticas empreendedoras são escassos, e os poucos existentes relacionam-se ao empreendedorismo social e à prática de hábitos saudáveis de vida como protagonismo de uma melhor qualidade de vida (BACKES et al., 2010), ou à gamificação como um estímulo ao empreendimento e protagonismo ao próprio aprendizado sobre conteúdos disciplinares isolados (ANDRADE et al., 2015).

Embora Pardini et al. (2008) tenha estudado competências empreendedoras e o sistema de relações sociais na dinâmica dos construtos da decisão de empreender nos serviços de Fisioterapia, sua abordagem não diferiu da concepção de empreendedor que remete ao pensamento de que as competências empreendedoras e os sistemas de relações sociais implicam na implementação de um negócio. Compensatoriamente, o estudo apontou sobre o comportamento de correr riscos, vislumbrar oportunidades, antecipar-se em relação aos demais, como consolidação de ações empreendedoras específicas, e ainda, a utilização das fontes de informações preliminares e da rede de relações sociais na estruturação de suas atividades.

Na Educação Física, existe muito pouco sobre o que se pautar acerca do histórico do empreender como conceito e como prática. Até o final da primeira década deste novo século, a perspectiva do empreender na Educação Física recebia duras críticas posto que encontrava-se equivocadamente atrelada ao conceito de competências para empregabilidade, e a uma atitude de consciência, alienada e reprovável, de adaptação aos ditames do mercado capitalista, numa lógica do “cada um por si” ou “salve-se quem puder” (DIAS, 2010). Só recentemente os conceitos foram se ajustando mais para o que seja realmente a atitude empreendedora, como as novas formas de aprendizado e de relacionamento, servindo de base para o ensino superior (NASCIMENTO & CUNHA, 2012), e como uma competência desejável, até mesmo desde os bancos do ensino fundamental (BORGES, 2014).

Por outro lado, os últimos anos multiplicaram toda uma parcela de entidades e empresas dedicadas ao empreendedorismo e seu estímulo enquanto atitude perante a vida profissional. Emergiram novas formas de atuar no mercado perante esse conceito, gerando carreiras como de mentorias, coaching, consultorias empreendedoras e, mesmo os personal trainers, especialidade na Educação Física, refletem a mais clara aplicação da expressão do empreender com sucesso. Organizações se dedicaram a acompanhar o mercado global e medir as expectativas no âmbito da educação, especialmente relacionadas ao empreendedorismo educacional, com vistas a discutir propostas e soluções viáveis, voltadas para esses novos nichos de atuação. Uma delas é a Endeavor Brasil[1].

  “A Endeavor Brasil que tem por missão multiplicar o número de empreendedores de alto crescimento e criar um ambiente de negócios melhor para o Brasil. Por isso, selecionamos e apoiamos os melhores empreendedores, compartilhamos suas histórias e aprendizados, e promovemos estudos para entender e direcionar o ecossistema empreendedor no país.”

778a7027f8a5ccd2c3d3acb8bc2eda41

A Endeavor Brasil e o SEBRAE[2] entrevistaram professores e estudantes sobre empreendedorismo nas universidades, em cinco capitais brasileiras. Em 2014, seiscentos professores e cinco mil estudantes universitários responderam à entrevista estruturada, sendo que quatrocentos estudantes já haviam participado da mesma pesquisa, em 2012, e serviram de base para conclusões em seguimento de conceitos, ou coorte. Os principais pontos levantados são apresentados a seguir, como reflexões que amparam tanto a concepção desta proposta como a relevância do momento de sua apresentação, enquanto pesquisa de inovação tecnológica na área da educação, tendo a análise do movimento humano como eixo condutor para a proposição de atitudes diferenciadas, de professores e de estudantes, voltada para o desenvolvimento de uma aprendizagem empreendedora e protagonista.

Note-se que a pesquisa teve foco nos cursos da área de negócios e de tecnologias, e teve dois tipos de coletas: uma coleta quantitativa, sobre números relacionados ao empreender, e outra qualitativa, sobre o conhecimento do que seja o empreender, em si.

Dos seiscentos professores brasileiros que responderam à pesquisa, apenas 6,1% declararam não se interessar ou não terem tempo para empreender, enquanto todo o restante já foi, é ou quer ser empreendedor. Por outro lado, os resultados apontaram uma relação direta entre titulação e perda do interesse no empreendedorismo, uma vez que quanto maior a titulação, foi constatada uma maior perda de interesse no empreender. Cerca de 39% dos professores de IES públicas indicaram que os temas de empreendedorismo estão no núcleo de informação de seus cursos, contra 12% dessa alocação nas IES particulares, onde 49% respondeu que tais temáticas são diretamente tratadas nas escolas de negócios. Mesmo nas IES públicas, o desafio ainda é o foco que se dá ao empreendedorismo (ENDEAVOR & SEBRAE, 2014a).

O estímulo à cultura empreendedora é o ponto mais forte das IES pri­vadas e públicas, com mais de 80% de cobertura, segundo os professores. Por outro lado, os assuntos menos co­bertos nas disciplinas de empreende­dorismo estão ligados a conteúdos que falam sobre o fracasso de empreende­dores nas instituições, com pouco mais de 50% de cobertura. O ponto fraco sobre empreender desde a faculdade, segundo os professores, ainda é a falta de apoio: cerca de seis em cada dez IES públicas pesquisadas não oferecem mentorias, redes de contato e sistemas de plantão para dúvidas na execução de projetos empreendedores, enquanto que nas IES particulares, esse número é de quatro em cada dez (ENDEAVOR & SEBRAE, 2014a).

Foram cinco mil estudantes respondendo à pesquisa em 2014, que estudavam em cerca de setenta IES públicas e particulares, sendo que quatrocentos deles já haviam participado da edição anterior, em 2012. Isso permitiu uma avaliação da mudança de expectativas, comportamentos e atitudes diante dos elementos básicos do empreender, como confiança na resolução de problemas, influência de estágios e programas trainees na capacidade de vislumbrar o mundo do trabalho, e busca pela inovação (ENDEAVOR & SEBRAE, 2014b).

No estudo comparativo, foi possível destacar alguns pontos em comum, como: (1) a autoconfiança para solução de problemas ser proporcional ao esforço dedicado é 5,7% maior em estudantes que já cursaram alguma disciplina ou programa de empreendedorismo; (2) essa confiança é quantitativamente menos numerosa em mulheres (52,7%) que em homens (63,6%), mesmo já tendo cursado conteúdos e programas de empreendedorismo; (3) embora o universitário seja, via de regra, um cidadão maior de idade, a opinião dos pais é um forte influenciador na construção de carreira e, nessa pesquisa, 79,1% dos pais dos potenciais empreendedores tem uma visão positiva ou muito positiva sobre a decisão dos filhos em empreender; (3) o foco de quem deseja empreender está relacionado com o potencial de crescimento inovador de uma determinada área (47,6% das respostas), num prazo médio de cinco anos (ENDEAVOR & SEBRAE, 2014a).

A diferença entre as duas pesquisas (2012-2014) esteve, justamente, no aumento do índice de empreendedores entre os universitários. Em 2012 havia mais empreendedores entre os homens (14,7%) que entre as mulheres (8,1%), e os estudantes com maior renda possuíam mais negócios (15,9%) que aqueles com renda intermediária (12%) e de mais baixa renda (8,8%). No total, em 2012 8,1% respondeu que já eram empreendedores, ao passo que em 2014 esse número subiu para 11,2% (ENDEAVOR & SEBRAE, 2014b).

Há pontos interessantes na comparação das respostas para os quatrocentos estudantes que fizeram parte da coorte, desde 2012. Entre eles, destacam-se: (1) apenas 40% dos que empreendem buscam as IES como fonte de conhecimento ou de modelos, no momento de empreender; (2) o número de potenciais empreendedores dedicados à pesquisa de novos modelos de oportunidades cresceu de 24,4% para 39,7%; (3) enquanto em 2012, mais da metade dos novos empreendedores tinham os pais como sócios, em 2014 somente 23% ainda os mantinham na sociedade, alegando que o apoio foi fundamental, e a dedicação levou à independência; (4) aqueles que concluíram a graduação relataram que as atividades empreendedoras fora do ambiente da sala de aula foram de maior valor formativo do que o tradicional ensino professor-sala de aula (ENDEAVOR & SEBRAE, 2014c).

No aspecto qualitativo, confirmou-se que: (1) havia uma clara concepção de que o empreender não estava ligado, necessariamente, a abrir um negócio; (2) a mídia só aponta os casos de sucesso, e que os cursos deveriam trabalhar mais os casos de insucesso, como aprendizagem válida; (3) existia um sentimento de falta de preparo dos estudantes, que foi citado durante todo o estudo, onde cobraram das suas IES aulas, programas ou estudos práticos que mostrem mais a realidade dos empreendedores, muito mais do que as teorias sobre ferramentas de gestão (ENDEAVOR & SEBRAE, 2014d).

a0c6cdd73f5c3a5d8d9965e1db3248e2Ainda no estudo qualitativo, os professores manifestaram seu desejo em melhorar suas aulas com experiências de empreendedorismo, mesmo quando este não é o tema central do conteúdo. Os estudantes, por sua vez, afirmaram que não é a disciplina que gera condições favoráveis para aprender a empreender, mas sim, o ambiente estimulador, como redes de contatos, desafios, empresas juniores.

Mais que isso, os estudantes reconheceram nas atividades de pesquisa, nas universidades, um veio empreendedor importante, quando ela tem a capacidade de causar impacto social em tempo real e desenvolver soluções de problemas.

Por fim, vale o destaque para uma percepção entre os estudantes: um programa de empreendedorismo deveria iniciar pela criatividade para a geração de novas ideias e pontos de vista, não pelos instrumentos de gestão dessas novas ideias, porque ideias e inovação, novos pontos de vista e criatividade, são as maiores dificuldade enfrentadas para quem quer começar algo diferente.

 

 

______

[1] URL: www.endeavor.org.br
[2] Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.
Galeria

Teoria dos Híbridos na Educação: Inovação Disruptiva

Christensen é um dos pioneiros no que denominou de inovações híbridas na educação. Segundo ele, as inovações híbridas são um estágio intermediário para uma inovação disruptiva, partindo de uma inovação sustentada a partir de um modelo anterior de tecnologia (CHRISTENSEN et al., 2013).

pesquisas nao formais

Por razões previsíveis, a indústria de toda natureza, cria híbridos como forma de testar novos conceitos, ideias, produtos e serviços, até que o mercado, adaptado ao híbrido, esteja pronto para uma disrupção.

Para Christensen (CHRISTENSEN et al., 2013), as inovações híbridas seguem um padrão distinto, com quatro características fundamentais:

(1) representa a nova e a antiga tecnologia, enquanto uma disrupção não oferece a tecnologia anterior em sua forma plena;

(2) buscar atender aos clientes já existentes, em vez de formar novos clientes, induzindo-os a um novo hábito para conhecidas finalidades;

(3) procura ocupar o espaço de uma tecnologia pré-existente e tem, como resultado, a obrigação de atingir um desempenho que supere as expectativas dos clientes existentes, uma vez que o híbrido precisa realizar o trabalho pelo menos tão bem quanto o produto anterior;

(4) seu uso tende a ser mais simples do que o de uma inovação disruptiva, porque ele não reduz o nível de renda e/ou conhecimento necessário para adquiri-lo e operá-lo.

O ensino híbrido segue uma tendência de mudança que ocorreu em praticamente todos os serviços e processos de produção de bens que incorporaram os recursos das tecnologias digitais. Nesse sentido, deve ser entendido não como mais um modismo que cai de paraquedas na educação, mas como algo que veio para ficar.

Todas as transformações observadas na indústria, comércio e serviços, desde a massificação da informatização e tecnologias, a partir do novo século, fizeram com que o foco das atividades passasse aos usuários, ao invés de serem providas pelos agentes que ofertavam os serviços.

Restaurantes por quilo, caixas bancários automatizados, lojas e supermercados com autosserviço, fizeram com que o cliente passasse a servir-se ao invés de ser servido, ao mesmo tempo que muitas tecnologias permitem o desvinculamento geográfico entre o cliente e o serviço, como aplicativos bancários, de músicas e de pedidos de alimentação nos smartphones.

E uma vez que essas facilidades vieram para ficar – e evoluir – um dos poucos, senão o único, serviço que ainda não passou – completamente – por essas inovações, é a educação (VALENTE, 2015).

O ensino híbrido permite-se assumir a intermediação entre a inovação sustentada e a disruptiva, na área da educação. É a partir dele que se pretende que o estudante modifique suas posturas em relação à aprendizagem, à construção do seu conhecimento, e principalmente, à significação que ele deve dar a essa construção.

aprendizagem-3O ensino híbrido é provocador de uma profunda mudança tanto nos hábitos dos estudantes, quanto nos comportamentos dos professores (VALENTE, 2015). E essas mudanças nos processos educacionais, proporcionadas pela introdução do ensino híbrido, são quase naturais, embora haja dois pontos a serem considerados.

O primeiro é que já existe um cenário social de uso intensivo de tecnologias, incluindo aquelas da “palma da mão”, que predispõem a uma adesão imediata das mudanças, por parte dos estudantes. O segundo é que há um necessário movimento de instituições, professores e estudantes, em sair da zona de conforto de papéis muito bem estabelecidos, que vão de detentores da diplomação, a detentores do conhecimento, até o de receptores do conhecimento e da diplomação.

 

Referências:

CHRISTENSEN C.M., HORN M.B., STAKER H. Uma introdução à teoria dos híbridos. Online: http://isesp.edu.br/ensinohibrido/curso/ Última atualização: 2013. Acesso: 15Fev, 2016.

VALENTE J.A. O ensino híbrido veio para ficar (Prefácio). In: Ensino Híbrido. Personalização e tecnologia na Educação. Porto Alegre, RS: Editora Penso; 2015

Galeria

Uma visão diferente sobre aprendizagem

A revolução digital é, sem sombra de dúvidas, causa e consequência das mudanças necessárias na educação como um todo, e do Ensino Superior, no contexto desta proposta. No bojo da revolução digital, surgiu uma nova expressão e forma de ver o mundo: o empreendedorismo. Basta esclarecer que a palavra EMPREENDEDORISMO não existia no dicionário até o ano 2000 e que hoje, uma busca Google traz mais de 15 milhões de resultados em 0,43 segundos.

O problema central deste diálogo inicial é o empreender como estratégia na multiplicação de capital intelectual para inovações na aprendizagem, tendo como ponto de partida a mudança de mindset para hibridização das estratégias pedagógicas.

think outside the box3Empreender é uma atitude que não está ligada, necessariamente, a ter uma empresa. Empreender é um modo de pensar e agir de forma inovadora, identificando e criando oportunidades, inspirando, renovando e liderando processo.

Empreender é tornar possível o impossível, entusiasmando pessoas, combatendo a rotina, assumindo riscos em prol de resultados positivos. Uma visão empreendedora é, em síntese, uma visão inovadora, que transforma informação e conhecimento em oportunidades, e que pode resultar – até – em um negócio próprio (empresas, startups) ou simplesmente modificar uma rotina de um local de trabalho, o que se define como uma ação de intraempreender.

Em uma sociedade da informação, onde praticamente todo conhecimento pode ser acessado da palma da mão, por um smartphone, o papel do professor, dos estudantes e dos profissionais, necessita de urgente ressignificação.

“O que define a aprendizagem não é saber muito, é compreender bem aquilo que se sabe. É preciso desenvolver nos alunos a capacidade de estudar, de procurar, de pesquisar, de seleccionar, de comunicar. Para isso, o professor é insubstituível.” (António Nóvoa, 2016)

Para compreender o ponto de vista de Nóvoa, cada professor precisaria desapegar de seu quadro e seu projetor na sala de aula, suas anotações ensaiadas sobre o que falar em cada momento da aula. Mas, e principalmente, deixar de ressentir-se daquele momento em que os estudantes estão manuseando seus smartphones como uma competição. É preciso tomar este momento como oportunidade. É disso que trata um novo pensamento educacional, ou um novo mindset.

mindsetMeus estudos e projetos tratam da aprendizagem, e não do ensino; tratam do engajamento protagonista do estudante na sua própria aprendizagem por caminhos inovadores para todos os envolvidos; tratam da inovação rumo à disrupção na educação, e não de simples inserções multimídia em um modelo pedagógico conteudista vigente.

São propostas inspiradas no pensamento moderno de um dos educadores mais respeitados do mundo, e em como ele, do alto dos seus sessenta anos de idade, já percebeu que a disrupção caminha para dentro da educação a passos largos.

Inspiram-se também no acompanhamento de estudantes de graduação e de pós-graduação, de suas aspirações a contextos profissionais, suas dificuldades em adaptar-se – lá fora, como dizem – ao novo, ao inovador, ao transversal, quando nos bancos da academia seus professores seguiram modelos de ensino que os convidava apenas à memorização de conteúdos.

Como eixo condutor para uma proposta inovadora de aprendizagem, com aspiração de ser disruptiva em um momento posterior, estou desenvolvendo uma proposta que se utiliza de uma das áreas transversais mais tecnologicamente articulada entre profissões da saúde, e cujo franco crescimento na última década atraiu os estudantes e profissionais de modo quase paradoxal. Por um lado, a análise do movimento, qualitativa e quantitativa, é meio e método de intervenção para diferentes profissões da saúde – como Terapia Ocupacional, Medicina, Educação Física, Fisioterapia, Fonoaudiologia – cujo domínio assegura ao profissional um diferencial relevante no mundo do trabalho.

Por outro lado, a complexidade da biodinâmica, que envolve uma análise de movimento, qualitativa ou quantitativa, exercita ativamente, e com significado pleno de aplicação, uma integração de conhecimentos pouco motivada nos currículos tradicionalmente conteudistas. Isso se traduz num grau de dificuldade que acaba por se materializar, justificando a paradoxalidade, em obstáculo à adoção de seus instrumentos no repertório de atuação.

Essa série de posts no blog traz a minha visão de inovação para a educação superior, e as muitas maneiras de pensar e agir que, eu acredito, serem possíveis e viáveis para promover mudanças nos rumos da aprendizagem. Trata de como velhos mapas não levam a novos mundos, e de como já consegui atravessar um oceano e me juntar a outros pesquisadores que acreditam que, juntos, podemos desenhar novos mapas.

Você está convidado a me acompanhar!

fui