O que representa ter um “Growth Mindset”?

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Versão em português do texto publicado originalmente pela Harvard Business Review What Having a “Growth Mindset” Actually Means (Carol Dweck, January 13, 2016), disponível para acesso aqui.

“Acadêmicos ficam profundamente gratificados quando suas ideias se tornam populares, ou “pegam”, virando moda. Ficam ainda mais felizes quando suas ideias fazem a diferença – melhorando a motivação, a inovação, ou a produtividade, por exemplo. Mas toda popularidade tem um preço: as pessoas às vezes distorcem as ideias e, portanto, deixam de serem beneficiadas por elas. Isto começa a acontecer com minha pesquisa sobre a mentalidade “fixa” versus “expandida”, entre sujeitos e dentro das organizações.

Resumindo rapidamente os achados da minha pesquisa: sujeitos que acreditam que seus talentos podem ser desenvolvidos por meio de treinamento intensivo, boas estratégias, e processos colaborativos de aprendizagem possuem uma forma mais expandida de ver as coisas (ou growth mindset). Eles tendem a alcançar mais que aqueles com uma mentalidade mais fixa, ou seja, aqueles que acreditam que seus talentos são dons inatos (fixed mindset). Essa diferença acontece porque aqueles dotados da mentalidade-expandida preocupam-se menos com parecer inteligentes e colocam sua energia na aprendizagem.

mindsetQuando companhias inteiras adotam o growth mindset, o relato dos funcionários traz um sentimento de empoderamento e comprometimento; eles recebem um suporte organizacional muito maior para colaborar e inovar nos processos da empresa.

Ao contrário, pessoas que trabalham em empresas com fixed mindset relatam com maior frequência uma única coisa: a percepção de trapaça e a decepção dos funcionários entre si, presumivelmente porque passam a ter foco apenas em ganhar vantagens pessoais, na corrida pelo talento.

No rastro destes achados, growth mindset tornou-se um chavão em muitas grandes empresas, trabalhando essa visão em suas missões regimentárias. Mas quando eu investigo, frequentemente descubro que a compreensão das pessoas é limitada sobre o que realmente signifique o conceito de growth mindset.

Vamos dar uma olhada em três confusões muito comuns:

  • Eu já tive, e ainda tenho”. Pessoas confundem ter uma mentalidade-expandida (growth mindset) com ser flexível, ter mente aberta, ou ainda, ter uma visão positiva – qualidades que eles acreditam que, simplesmente, sempre tiveram. Meus colegas e eu chamamos isso de falsa mentalidade-expandida (false growth mindset). Atualmente todo mundo apresenta uma mistura entre as duas mentalidades, fixa e expandida, e essa mistura evolui continuamente, com a experiência. Uma mentalidade-expandida pura não existe, e é preciso reconhecer isso para atingir os benefícios que buscamos, ao trabalhar a mentalidade expandida.
  • A mentalidade-expandida está relacionada com elogiar e recompensar esforços”. Isto não é verdade nem na Educação, para estudantes, nem no mundo corporativo, para funcionários. Em ambos cenários, o processo é importante. Esforços improdutivos nunca são boa coisa. O ponto crítico é recompensar não apenas o esforço, mas a aprendizagem e o progresso atingidos, enfatizando o processo que gera os gera, como buscar ajuda de outros, tentar novas estratégias, e capitalizar sobre os contratempos para seguir em frente, efetivamente. Em todas nossas pesquisas, o desfecho – linha de base – acontece a partir de um engajamento profundo nesses processos.
  • Una-se à mentalidade expandida e coisas boas acontecerão”. Missões são coisas maravilhosas. Você não pode argumentar com valores elevados, como crescimento, empoderamento ou inovação. Mas o que eles significam para os funcionários, se a empresa não implementa políticas que os tornem reais e factíveis? Esses valores tornam-se, simplesmente, palavras da boca para fora. Organizações que incorporam uma mentalidade-expandida , encorajam apropriadamente o enfrentamento de riscos, conhecendo que alguns riscos não vão funcionar. Elas recompensam empregados pelas lições aprendidas, aquelas úteis e importantes, mesmo se um projeto não atingiu as metas originais. Elas dão apoio à colaboração entre fronteiras organizacionais, ao invés de colocar em competição suas unidades e seus empregados. Elas estão comprometidas com o crescimento de cada membro, num comprometimento não apenas em palavras, mas em atitudes, como oportunidades de desenvolvimento amplamente disponíveis. E elas reforçam os valores da mentalidade-expandida, continuamente, com políticas concretas.

mindset-2Mesmo quando tais equívocos são corrigidos, ainda não é fácil atingir a mentalidade-expandida. Uma razão para isso é que todos temos nossos próprios gatilhos para a mentalidade-fixa.

Quando enfrentamos desafios, recebemos críticas, ou quando nosso desempenho é baixo em comparação ao dos colegas, facilmente caímos na defensiva ou na insegurança, uma resposta que inibe a expansão.

Nossos ambientes de trabalho também podem ter seus próprios gatilhos de mentalidade fixa. Uma empresa que atua sobre talentos torna mais difícil para as pessoas praticarem a mentalidade de expansão pensando e em seus comportamentos, tais como informação, colaboração, inovação, busca por feedback ou reconhecer os erros. Para permanecer na zona de expansão, precisamos identificar e trabalhar tais gatilhos.

Muitos gestores e executivos se beneficiam da aprendizagem, reconhecendo quando personas com mentalidade-fixa aparecem, e o que é dito para que eles sintam-se ameaçados ou na defensiva. Mais importante de tudo é que, ao longo do tempo, esses gestores aprenderam a devolver tais falas, convencendo esses funcionários a colaborarem e perseguirem metas.

Esse é um trabalho duro, mas sujeitos e organizações podem ganhar muito aprofundando seu conhecimento nos conceitos da mentalidade-expandida e nos processos para colocá-los em prática. Isso lhes dá um senso mais rico de quem eles são, o que os representa e como querem seguir em frente.”

OBS: A expressão growth mindset não possui equivalente em português. Refere-se à capacidade de possuir uma mentalidade (ou visão de mundo) capaz de absorver as dificuldades e transformá-las em oportunidades de desenvolvimento para novas habilidades, por meio de treinamento, estratégias e busca por ajuda. Em outras palavras, um sujeito com growth mindset acredita que dons podem ser desenvolvidos, e não se restringem àqueles inatos, o que lhe permite encontrar soluções criativas, ampliar seu repertório, estar pronto para aproveitar oportunidades, e desenvolver redes e processos colaborativos eficientes. Nesse texto, growth mindset foi traduzido como mentalidade-expandida, podendo também ser tomado como visão-expandida, ou mentalidade-de-crescimento.

IMG_4379Comentários da tradutora

Para modelos educacionais engajadores e ativos é preciso que o sistema onde o Curso Superior está inserido tenha um funcionamento diferente do padrão atual, elaborado há mais de 50 anos atrás para as necessidades da época.

Os sistemas de acreditação e gestão universitária mudaram muito, desde então, assim como as ferramentas para formar os profissionais do mercado de trabalho do futuro. É necessária a mentalidade de crescimento aplicada ao desenho educacional de projetos de cursos superiores, para que a formação não seja resumida à diplomação.

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Quer desenvolver mentalidade-expandida nos seus estudantes? Atente para esses 3 elementos e estimule-os em seu Planejamento!
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Como diagnosticar nos estudantes o tipo de mentalidade que eles possuem, frente ao processo de aprendizagem na sua disciplina? Observe os comportamentos!

 

 

Design de Aprendizagem e os caminhos do sucesso: emoção e liberdade de criação (1)

EMOÇÃO e LIBERDADE DE CRIAÇÃO. É disso que se trata o caminho para o sucesso…

 

EMOÇÃO  e LIBERDADE DE CRIAÇÃO são as duas coisas que mais cativam as pessoas. Muito mais que as tecnologias, é a identidade com a emoção que engaja a atenção, e pontua na balança, para uma influência de opinião. Então se você quer influenciar a opinião de uma pessoa, esses são os dois caminhos do sucesso.

E educadores são influenciadores por natureza, profissão e vocação, esse é nosso primeiro ponto.

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Na Educação, embora esses dois princípios pareçam bastante óbvios, cada vez menos são identificados nas salas de aulas, entre professores. Mas também deixaram de ser alimentados pelos estudantes. O resultado? Bom…

Pergunte para alguém que faz um curso superior, porque ele(a) vai às aulas. Ah! E pergunte também aos professores(as), porque e como se dá uma aula?

Não se espante se as opções de respostas passarem ao largo de ações, de ambos os lados, carentes totalmente de qualquer tipo de emoção e de liberdade de criação. Aliás, provavelmente você terá repostas conflitantes também, porque são gerações diferentes com trilhas mentais diferentes e expectativas diferentes do que seja a função do Ensino Superior.

Com isso, provamos um primeiro ponto: isso é o que se chama ensino. Ensino vem se tornando cada vez mais um procedimento, executado por um binômio professor-aluno. Professor é aquele que professa (no caso, o conhecimento). Aluno (a=sem, luno=luz, ou seja, sem luz) é que está ali para receber o que o professor professa, e “iluminar” sua formação profissional.

O fato é que ensino não assegura aprendizagem, exatamente porque não possui os elementos de sucesso para influenciar: emoção e liberdade de criação. Essa é uma máxima que vem sendo fortalecida a partir dos resultados de outros tipos de relações e formas de trabalhar a formação dos estudantes, nos ambientes educacionais. Você conhece lugar mais desprovido de liberdade de criação do que uma sala de aula convencional?

Vejamos…

Intuitivamente, há muitos anos, a aprendizagem centrada no interesse do estudante tem sido meu pilar de atuação nos cursos superiores. Embora tenha sempre atuado em modelo de Projetos Pedagógicos de Curso professor-centrado, me incomodava aquela espécie de show time padrão, onde alguém sobe ao palco para brilhar enquanto a plateia assiste quieta. E aplaude ao final.

Por causa dessa minha forma intuitiva de ver e de fazer a Educação, levou muito tempo até que eu tivesse contato com conhecimentos de modelos inovadores e formações em metodologias ativas. Um fato interessante é que nas pós-graduações que frequentei, a Metodologia do Ensino era um crédito fácil para mim: eu sempre tinha uma carta na manga, porque já fazia isso no dia a dia. E me admirava a admiração alheia pelo meu repertório, sempre mais amplo que o dos demais professores… O que havia de diferente?

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Diferente era a RELEVÂNCIA do que eu fazia. Além de ampliado, meu repertório sempre foi claro: sem a atenção do estudante, e do seu engajamento na aprendizagem, nada funciona. É aí que entrava o segredo da experiência…

Percebi, ao revisar muitos materiais didáticos que produzi, inclusive em vídeo, que somente quando mexia com o emocional dos estudantes, de modo autêntico e genuíno, é que conseguia sua atenção e disponibilidade pessoal para minhas propostas de métodos ágeis e criativos. Fazer diferente provocava respostas diferentes.

Emoção! Era isso! Percebi que sempre parti da emoção, da personalização de cada estudante com seu próprio processo de aprendizagem (e não deles para com meu processo de ensino, percebeu a diferença?), para cativá-lo a voos mais altos, e para estimular neles a liberdade de criação supervisionada.

Pronto! Intuitivamente eu tinha os dois elementos fundantes do sucesso no processo de aprendizagem, um como consequência do outro! Mas, como fazer disso uma realidade na sala de aula?

Não perca o próximo bate-papo

IMG_3923Ah! Se você quer começar a transformar suas práticas docentes também, venha comigo e vamos fazer isso juntos: comece agora os cursos e oficinas online que eu preparei especialmente para professores que querem mudar o curso da sua carreira.

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