Memorial

12243449_10208263824177110_185475692695050919_nA vida me deu de presente essa imensa vontade de fazer a diferença. Nem sempre eu soube como (aliás, nem sei se já sei como!) mas tentar e procurar pelo diferente, pelo novo, sempre foi mais forte que eu. Bem, de estudante de desenho de arquitetura (meu segredo, minha paixão!) a fisioterapeuta teve uma motivação: descobrir que poderia ajudar as pessoas a descobrirem uma nova vida depois que uma doença já tinha deixado seu rastro e suas sequelas para trás.

“Às vezes a solução é não ter solução”. Esse pensamento me acompanha desde sempre, e por meio dele fui descobrindo novas soluções para o que, aparentemente, não teria mais solução. Nada me representa mais do que esse pensamento. Na versão moderna, ele também pode ser traduzido pelo “serendipity“. É preciso perder-se para encontrar novos caminhos…

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Ao terminar a graduação a vocação era clara: pesquisa, docência, ensino superior. Mas também: UTI, fisioterapia respiratória, cirurgia cardíaca. Bom… Fiz um pouco de tudo: consegui estar com o maior nome da história da Fisioterapia Respiratória brasileira (Carlos Alberto Caetano Azeredo) para aprender com o melhor como se faz a diferença.

Estudei muito e passei no primeiro concurso público (aos 20 anos), em uma universidade estadual, para dar aulas de anatomia em cursos da saúde (haviam somente três cursos de Fisioterapia no estado do Paraná, nessa época), já que uma vaga num curso de Fisioterapia era uma loteria!

Por alguns anos minha vida foi aprender, porque não tinha solução: as oportunidades nunca eram somente para quem conhecia Fisioterapia. Foi assim que me tornei vice-coordenadora de um Curso de Medicina da Universidade Estadual de Maringá, e conduzi uma reformulação curricular necessária, fiz parte do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, dirigi um Colegiado de Curso (isso aos 25 anos!), e comecei a compreender que precisava de mais conhecimento se quisesse mesmo a carreira universitária.

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Embora com uma carreira estável numa universidade pública conceituada, a vida nos leva por caminhos nunca antes imaginados. Motivos conjugais me levaram a mudar-me de Estado, e então… Vamos a um novo concurso! Uma universidade federal e a primeira vaga que saiu para concurso foi na Histologia. Mesmo sem muita experiência na área (aliás, nenhuma mesmo!) encarei o concurso e passei. Antes de assumir, uma vaga na Fisiologia me levou de volta a um novo concurso… E eu passei de novo! Já chega… É na Fisiologia que eu quero seguir (já que não tem Fisioterapia, né).

O desafio foi estudar muita neurofisiologia e biofísica, para dar aulas na Medicina e na Medicina Veterinária. Depois veio a parte mais fácil: Respiratório, Cardiovascular, Muscular e Renal. Os anos passaram e com eles veio o aprendizado em pesquisa, a primeira bolsa CNPq de Apoio Técnico,e a especialização também. Era momento de um mestrado. Mas agora eu queria um Mestrado EM FISIOTERAPIA, e não tinha conversa!

Minha única chance era Uberlândia, com um regime de aulas que me permitia viajar para cursar os créditos, e desenvolver o experimento sem mudar meu domicílio. A família já contava com 4 filhos, a caçula com 4 anos, e não havia chances de mudar para estudar. Então foi assim: não tinha solução! Era viajar 1000km de ida e outros tantos de volta para ficar uma semana em tempo integral cursando os créditos e fazendo os trabalhos e estágios práticos, entre São Paulo e Uberlândia.

300be442b31cb8b390b227457bbddc9bA melhor parte do Mestrado (além do próprio mestrado em si) são os amigos que se faz, as pessoas que você conhece, os laços que cria, e o respeito que desenvolve pelas histórias que conhece. Foi com esse pensamento que o mestrado me trouxe o desejo de desenvolver algo novo, inovador, mas útil e que não ficasse empoeirando na prateleira, na forma de Dissertação.

Foi assim que, ao final do Mestrado, nasceu a Biofotogrametria©, minha criação, meu jeito de ver a análise de movimento para quem não conta com altos recursos financeiras e precisa de medidas confiáveis onde o paciente está, e não em um laboratório. De novo: não tinha solução para o que eu queria nos sistemas automáticos convencionais!

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Com a BIOFOTOGRAMETRIA (ou BFG como passei a denominar o processo desde 2014) passei a ser a única fisioterapeuta brasileira a ter sua marca própria constando dos REFERENCIAIS DE HONORÁRIOS FISIOTERAPÊUTICOS do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO). Uma conquista e tanto!

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Comecei o doutorado como aluna especial, mas exatamente onde eu queria: numa das melhores universidades do país, num laboratório de Biomecânica que desenvolveu sua própria interface de cinemática 3D, com a possibilidade de aprender como desenvolver os algoritmos para análises específicas. Na mira a biomecânica respiratória, em continuidade ao modelo que eu já havia iniciado o desenvolvimento, no mestrado.

Foram quase três anos muito produtivos e de muito, mas muito aprendizado mesmo! Porém, ao passar no teste seletivo para uma vaga titular no programa, uma doença grave em família me obrigou a abandonar o sonho. Não seria possível ficar viajando no tempo requerido pelo programa de pós-graduação com minha mãe precisando de mim.

Não pisquei duas vezes: fiz o documento devolvendo a bolsa conseguida, a desistência da vaga e segui em frente. Afinal, não havia solução! E às vezes, não ter solução…

No mesmo ano a notícia de que eu havia deixado o programa em Campinas chegou aos ouvidos certos, e em menos de seis meses eu era aluna regular do programa de Pós-Graduação em Saúde da Criança e do Adolescente da UFPR, em Curitiba.

Para ter como temática da tese exatamente a validação do processo de Biofotogrametria, em análise da mecânica respiratória em crianças asmáticas, tendo como orientador um dos pesquisadores mais renomados do estado, do País, e do mundo!

O revés da vida, ao lutar lado a lado pela saúde da minha mãe e abandonar as viagens me deu a chance de algo melhor e maior. O Dr. Nelson Rosário me deu asas e confiou na minha seriedade profissional, e isso nos levou longe. Minha tese de doutorado, e dois dos artigos publicados a partir dela, permanecem há oito anos na lista dos dez mais citados no mundo, para essa área, que é pouco explorada em pesquisas pela dificuldade nos estudos de monitorização respiratória com crianças.

Graças às publicações, entrei para o Research Gate, numa época em que isso era um feito de importância (ainda é, mas nem tanto assim…), e até hoje, meu trabalho sobre manobras isovolume e medidas com Biofotogrametria continua na lista dos 10 mais citados ainda bate recordes de downloads.

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Muitas coisas aconteceram, e o meu pós-doutorado me levou à Engenharia Biomédica, onde descobri minha vocação: ser capaz de conversar com todas as tribos, reunir o que há de melhor de uma para a outra, e exercitar a transversalidade do conhecimento na pesquisa. No Brasil e fora dele.

 

Hoje, essa minha formação peculiar transitando por diferentes áreas do conhecimento – antigamente vista com maus olhos porque não era linear – me tornou única, e capaz de desenvolver projetos que outras pessoas não conseguem, exatamente porque tenho um pouco de cada área dentro do quebra-cabeças que chamam de Currículo Lattes.

Não ter solução, em cada etapa da minha vida, me levou à busca por soluções alternativas, algumas inovadoras mesmo, e que acabaram por fazer a diferença em quem eu sou, no meu repertório de ação, no que eu faço e nas oportunidades que sou capaz de criar.

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Ao longo dessa trajetória de formação profissional, vieram as experiências na docência, na pesquisa, na Gestão Pedagógica, na consultoria para agências de fomento à pesquisa e ao Ministério da Saúde (SisCT), e para o desenvolvimento de projetos pedagógicos de curso baseados em inovação.

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Trabalhei, estudei e coordenei equipes sob estratégias de metodologias ativas em currículos híbridos e em currículos por competências.

Levei a mudança para a sala de aula, e meus estudantes se transformaram comigo… Juntos compartilhamos a responsabilidade da aprendizagem e construímos novos mapas mentais para os velhos conteúdos!

Minha veia docente é inquieta, e também fez história na Fisioterapia…

Iniciei o movimento que veio a tornar realidade a Associação Brasileira de Ensino em Fisioterapia, numa época em que ninguém ainda falava disso na Fisioterapia, mas já era uma realidade em outras profissões de saúde. Por mais de um ano fiz o gerenciamento da ABENFISIO do meu computador, em e-listas (as antigas listas de e-mails), não deixando a ideia morrer…

Puxa! Faz muito tempo e parece que foi ontem!

Enfim, o resumo da ópera é: sempre fiz o que a alma mandava, seguindo as portas que a Vida me abria.

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Hoje, mais de 30 anos depois do meu primeiro concurso, recomeço uma nova etapa, desenvolvendo inovações na Educação. Busquei a formação em DESIGN THINKING com um dos melhores Designers do país, e que também atua na Educação, trouxe novos conceitos, atualizei meu vocabulário, melhorei ainda mais meu repertório, estudei as inovações e as novas tendências educacionais no mundo…

De novo é a Vida abrindo uma porta para um espaço que poucos conhecem. De novo me olham estranho quando eu falo em protagonismo, empreendedorismo educacional, sala de aula invertida, futurismo e serious games. Mas a isso eu já me acostumei e, por essa razão, decidi deixar minha história aqui, junto com os muitos pedacinhos que ainda vem pela frente.

Dessa vez, esse é o espaço da Prof. Denise da Vinha, suas experiências, vivências, opiniões. Com direito a caixinha de fotos de momentos, pensamentos, lugares e pessoas que marcaram minha trajetória.

 

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Essa é uma ilustração da Formação Designer Of Me (Desenhista de Mim Mesmo, em português), onde eu trabalho 10 desafios (ou 10 exercícios) para mudar antigas trilhas mentais que levam sempre aos mesmos resultados, por novas maneiras de encarar o dia-a-dia, transformando sonhos em resultados. Quer saber mais? Clique aqui!

A Biofotogrametria tem o Blog dela. Agora, é a minha vez, porque não tem solução: tem é muita história para contar!

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