5 lições para a “volta” a um mundo pós-pandemia

live-post1Esse post é o material de suporte para acesso dos participantes e interessados na live do perfil INSIGHTS DOCENTES (Instagram). Essa live aconteceu no dia 16/04/2020, e foi gravada nos Stories do aplicativo, trazendo à tona a discussão dos aspectos do retorno à rotina de atividades docentes presenciais no Ensino Superior, após a quarentena global causada pelo corona vírus e a pandemia da Covid-19. Aproveite!

1. Entendendo o contexto

Nosso contexto está na timeline do perfil do @insightsdocentes, no Instagram, a partir das discussões e conflitos que todos vivemos no período da quarentena, no Brasil: primeiro, as discordâncias e discussões sobre as diferenças de definições sobre prioridades e vida, proteção, direitos e deveres, levadas a público e defendidas por diferentes segmentos do governo e da sociedade.

Nem precisa dizer que a ciência precisou impor (à força dos números) que não estamos mais na Idade Média para tomar decisões, e que cada cidadão desse planeta teve que tomar uma decisão não só para si, mas para aqueles no seu entorno, familiares ou não.

Superada a crise de campo semântico, passamos a uma nova e inédita realidade: o trabalho remoto e a mudança completa de hábitos e rotinas de vida. Isso mexeu com todos, em diferentes intensidades e de diferentes formas, mas MEXEU (maiúsculamente) COM TODOS.

lancamento

Logo, nos vimos com pirâmides de necessidades básicas invertidas, descobrindo que internet é mais do que um conceito: ela passou a ser o meio de vida e comunicação, de todos no planeta.

Da dona de casa e seu filho, maratonando desenhos ou jogos online, aos pesquisadores e profissionais da linha de campo, com o cuidado com os infectados, passando pelas reuniões online, de família ou de trabalho remoto, parece que o mais importante compromisso, nesse período, foi estar em dia com o pagamento dos provedores de sinal de internet.

Mais importante do que a nóia do papel higiênico, aliás…

Quarentena, quarenta dias.

Mas parece que já faz uma eternidade. Dentro dessa eternidade, cada um de nós – isolados do outro e em íntimo contato com o próprio “EU” – passou a novos comportamentos, ações, reações e interações. Com tudo e com todos.

E é dessa revolução tsunâmica, do eu, do nós, do trabalho, da razão, das incertezas, do medo e das ansiedades e perspectivas, que nasceu, pouco a pouco, uma nova dinâmica social digital.

Pesquisadores e atentos vêm coletando metadados, estudando seus impactos, projetando tendências, unindo reverberações: o impacto do distanciamento social versus realidade econômica dos países; atividades remotas no mundo do trabalho e na Educação; a diferença – e os percalços – da implementação da atividade remota no modelo educacional brasileiro.

Pronto! Chegamos ao ponto: o que foi feito nessa pandemia que possui o potencial de refletir na “volta” aos espaços do Ensino Superior?

2. Pegando carona ou analisando cenários futuristas?

O formato masterclass, escolhido para essa live, é pouco conhecido e pouco praticado, fora de circuitos de negócios de alto impacto financeiro. Aliás, na minha opinião, esse é um dos resultados das convergências transversais de modelos, para a Educação, durante o período de trabalho remoto: o contato e a consciência de que há muitos, e milhares, de novos formatos para comunicar, aprender, ensinar e formar competências.

Passou da hora do professor de verdade desapegar do modelo slide-prova e começar a considerar a flexibilização de formatos novos, para diferentes trilhas de aprendizagem.

Esse é o assunto da live, cujo formato foi planejado para compartilhar o melhor volume de análises possível, com complexidade compatível ao nível de esclarecimento de uma audiência seleta de professores. Combinamos ambientes informais, como uma mídia social e um blog, para mostrar um resultado da pandemia: como a formalidade da qualidade pode compartilhar espaço na informalidade das mídias.

super 100Não pegamos carona no modelo de live “polêmica pra fazer número”, tampouco só falar de amenidades. Vamos trabalhar sobre um roteiro de 5 ELEMENTOS (reais) CHAVES que determinaram profundas mudanças de MINDSET e de COMPORTAMENTO, e que devem se perpetuar nessa “volta”.

Acredito que esses 5 elementos (provavelmente) abrirão caminhos para as mudanças, de demandas e de velocidade de transformação, nos ambientes de formação superior, e na Educação, de modo geral.

Ou seja, trabalhamos com ferramentas para projeção de cenários futuristas, e analisar como cada um desses 5 elementos tem o potencial de transformar nossa vida profissional no pós-pandemia. Aliás, venho escrevendo (e praticando) sobre essas mudanças há muito tempo, em muitos espaços presenciais e virtuais.

3. Os 5 elementos em análise

Esse masterclass sobre volta a um Ensino Superior Pós-Pandemia é um tema vivo, e ainda em evolução. Não temos precedentes para uma situação global, dessa magnitude, nem nos tempos de Guerra.

A discussão dessa “volta”, em si, é um sinal da transformação, porque não se percebe ninguém que tenha consciência e conhecimento ativo e atualizado do mundo, como um todo, que não admita a necessidade de se discutir, nicho a nicho, área a área, as mudanças que ocorrerão na tal “volta”.

“Somos adultos inéditos. Nunca houve adultos iguais a nós. Os adultos do passado não precisavam se reciclar, não precisavam mudar, pois quando eram jovens, tinham que se adaptar aos mais velhos e às suas premissas. O adulto de agora – para continuar com algum espaço profissional e alguma aceitação social – deve adaptar-se aos jovens de hoje.”

Dado Schneider, em 2017.

Para discutir com você cada um dos 5 elementos, e suas tendências de pós-pandemia, eu usei um conceito que se aplica à análise futurista: a espiral do Ciclo de Renovação Tecnológica (faça download aqui).

Já escrevi sobre futurismo na Educação Superior, e sobre o grande desafio de cada geração em adaptar seu conhecimento à contínua evolução de um mercado de trabalho onde as tecnologias reconfiguram os hábitos de consumo e percepções de necessidades. Aliás, tenho até um curso (online, claro!) que lhe ensina como fazer essa transição de mindset.

CRT-mapa VPA
Ciclo de Renovação Tecnológica: um conceito convertido em ferramenta para mapeamento de mudanças e fundamentação de análise futurista, de comportamentos e de tendências, em nichos do mercado de trabalho.

O conceito foi convertido em ferramenta e é ela que eu aplicarei a cada um dos 5 elementos em destaque, para a prospecção de tendências futuras, na nossa volta aos espaços de trabalho, no Ensino Superior.

Vamos à eles!

3.1. REMOTO como um novo conceito de trabalho

internetPROBLEMA: o estado ATIVO REMOTO para (quase) todas as áreas, em algum momento do processo de entrega de processos, produtos e serviços, foi colocada “goela abaixo” de todos os setores, mesmo os mais resistentes, e que afirmavam que essa era uma impossibilidade.

MAPA CRT (download aqui): em cada uma das 6 etapas de análise, vemos que a “bola de neve” do velho conceito do que pode/não pode fazer, remotamente, foi sendo reconstruída pelas experiências, pelo compartilhamento de resultados de movimentos culturais e sociais, pela necessidade imperativa de adaptar-se à nova situação, sob risco de perder o posto de trabalho.

LIÇÕES: aqui, acabou o mimimi de uma geração inteira (Geração X) sobre o “não quero, não preciso, não vou”. Especialmente no Ensino Superior onde essa é, ainda, uma maioria nos altos postos de decisão. Não teve querer, nem resistir mais: ou faz ou tá fora. E o “tá fora” não é perder emprego agora: e estar fora da reformulação de práticas e diretrizes de trabalho, o inviabilizará a permanência no cargo, para uma próxima rodada.

TENDÊNCIAS PÓS-PANDEMIA: quem aproveitou todas as oportunidades para o tal upgrade, está mais que garantido! Percebeu, na adversidade, muitas novas oportunidades e espaços onde sua expertise, combinada com o tal upgrade nas competências de sustentação de práticas remotas, tornou-o um profissional único e ideal para trabalhar em equipes, rumo a um novo salto no desenvolvimento do Ensino Superior no país.

Os estudantes também voltarão outros: mais conscientes e ágeis tecnologicamente, eles se posicionarão mais ativamente nas suas turmas, aulas e aprendizagens. Protagonistas nesse novo modelo, eles mudarão de atitude e demandarão que seus professores mudem também, num jogo de ganha-ganha do processo de formação por competências, para uma nova realidade de mercado global.

3.2. PRODUTIVIDADE enquanto modelo de entrega

fightPROBLEMA: a cultura do home office ainda era remota no Brasil pré-pandemia. Aquela turma do “não dá!” era a mesma turma que não acreditava no remoto como uma possibilidade. Trabalho só era contado em horas, em presença física, quase independente do conceito de ENTREGA.

Por isso, não havia a preocupação de balizar parâmetros de entrega e, com isso, abrir as portas para o remoto e a produtividade como marcadores de desempenho profissional.

O mesmo valia para a relação entre professores e estudantes: confundir ensino remoto síncrono, emergencial ou não (que é uma tradução para a hibridização dos cursos presenciais), com EAD (sigla que, no Brasil, carrega um estigma negativo quanto à qualidade, ao contrário do resto do planeta). Critérios de produtividade e desempenho estudantil de aprendizagem pouco eram considerados na formação, antes da pandemia, apesar de serem a pedra angular das avaliações de cursos (IACG, 2017) e de egressos (ENADE), adotada pelo Inep/MEC.

MAPA CRT (download aqui): o mapa mostra que o caminho para desconstruir essa resistência passou pela necessidade do remoto e de estabelecer METAS DE PRODUTIVIDADE, para quem passou a home office no desempenho de suas funções. A aquisição de novas COMPETÊNCIAS DIGITAIS fez com que a bolha estourasse: gestores descobriram que certos nichos produzem até melhor, em home office, e profissionais se reinventaram nessa nova rotina.

Primeiro, veio a sobrecarga. Afinal, qual era o professor que já tinha trilhas e material planejado previamente para hibridizar a sala de aula? Passada a sobrecarga e iniciada a fase de ação, no ENSINO REMOTO SÍNCRONO EMERGENCIAL, cada um – gestor, professor e estudante – foi se reinventando e aprendendo na prática (mãos na massa) que há muitas outras formas de avaliação de produtividade e desempenho.

LIÇÕES: os multimeios remotos, adotados durante o período remoto da pandemia expandiu a sala de aula. Esse movimento já era recomendado há anos, mas tinha aquela grande parcela da turma do “não quero, não dá!”, lembra? Pois bem, atualmente todos os envolvidos no setor de Educação Superior – gestores, professores e estudantes – sabem que dá, sim! E essa é a lição que vira a mesa e muda os rumos do pós-pandemia…

TENDÊNCIAS PÓS-PANDEMIA: cientes de que “dá, sim!”, agora vem uma nova questão, muis mais do que uma nova tendência. Temos legislação que permite, fomos forçados a ver que é possível, quem resistia teve que entrar na roda e sambar junto… Por quanto tempo você acredita que as relações didáticas permanecerão restritas ao que eram, antes da pandemia.

Aqui, o fator principal – a PRODUTIVIDADE de todos os envolvidos – já criou critérios e parâmetros de avaliação, que era a enorme “preguiça” do setor. Os sinais apontam na direção de uma reorganização de trabalho docente (incluindo formas de contrato) em um breve e curto espaço de tempo, assim como a preferência por aqueles que já estavam preparados para a situação remota e mostraram QUALIDADE NA PRODUTIVIDADE que apresentaram.

3.3. COMPETÊNCIAS como busca primária pela formação profissional

super heroiPROBLEMAvivíamos os resquício da era do diploma e do conteúdo como o sonho de carreira dos indivíduos de uma sociedade, porque uma grande parcela já havia percebido – e paulatinamente migrado – para a oferta de formação por competências, junto com a diplomação.

Parece louco falando, mas era isso mesmo: até as iniciativas de aulas gravadas online, em plataformas de conteúdo, guardavam horas e horas de alguém falando com a câmera (ao invés da audiência), incontáveis slides em uma tela, e conteúdos organizados em uma narrativa desconectada com a aplicação. Era o velho modelo travestido de tecnologias, que as plataformas de conteúdo vendiam (ou vendem).

MAPA CRT (download aqui): alinhando o mapa para esse elemento, vemos que a busca por competências, por parte de quem quer estudar, rejeita esse modelo e sai em busca de formas ágeis e inteligentes de colocar o conteúdo em ação, dando propósito claro para a aprendizagem. Crescem, então, os cursos oferecidos por empreendedores, mais que aqueles oferecidos por professores, simplesmente porque os primeiros falam do PORQUÊ aprender, enquanto os últimos insistem em desfilar O QUÊ aprender.

Essa diferença de visão de entrega de formação (e não de diploma) fez com que, na pandemia, explodisse a busca – e a compra – por cursos que claramente formem competências aplicadas, no tempo imediato, às práticas desejadas.

LIÇÕES: reconfigurar conteúdos para uma narrativa de COMPETÊNCIAS (conteúdos em ação) foi o que mais sobrecarregou os professores despreparados, no trabalho remoto. mas essa reconfiguração, por outro lado, melhorou a produtividade de quem aprende, porque abriu as portas para que novas estratégias e mídias passassem a integrar as trilhas de aprendizagem.

Ah! ESSA FOI UMA LIÇÃO CENTRAL nessa pandemia: a nova cultura do aprender fazendo foi gerada pelo remoto e pela necessidade de produtividade, mas que tornou-se PILAR PARA AS OUTRAS TENDÊNCIAS, como veremos mais à frente.

TENDÊNCIAS PÓS-PANDEMIA: formar por competências não é uma novidade, mas seguir por esse caminho, na pós-pandemia, será uma temanda irreversível. Aprendemos a dar sentido ao que ensinamos, para manter os estudantes interessados do outro lado da tela: porque não fazê-lo, quando estamos todos juntos? A flexibilização do tempo de formação, para os estudantes de cursos da saúde é um sinalizador de que o MEC já tem o entendimento de que as competências profissionais podem ser formadas fora do âmbito das IES. Isso é muito sintomático.

Não haverá mais o retorno ao velho modelo da Pedagogia do Monólogo, na pós-pandemia, e isso é fato. Qual a implicação desse conjunto de sinais, na vida do professor?

O que haverá, com a FORMAÇÃO POR COMPETÊNCIAS sendo base dos novos PPC, e a hibridização tornando-se uma realidade, é que professores sejam designers de trilhas de aprendizagem e facilitadores de curadoria especializada. Isso significa que haverá um intenso movimento (imprescindível) de investimento no próprio repertório, por parte dos docentes, coisa que (a maioria deles) não faziam antes.

Toda necessidade de formação para a inovação era delegada às IES, e isso, sim, tem os dias contados na pós-pandemia. Contrata-se quem sabe o que deve fazer. Quem (ainda) não sabe…

3.4. COMUNICAÇÃO não é o que você fala, mas o que o outro ouve

como ehPROBLEMA: esse elemento parece confuso e desproposital, mas ele emergiu com força na pandemia, mostrando que a velha forma de falar não significava, exatamente, comunicar claramente as mensagens. Formar para a vida é comunicar competências de tal maneira que a mensagem seja apreendida, facilitando a aprendizagem. Comunicação é um elemento das acessibilidades, previstas no IACG do MEC, e está compreendida na atribuição de conceitos em muitos dos itens de avaliação da Dimensão 1.

MAPA CRT (download aqui): entenda melhor esse elemento acompanhando o desenrolar do mapa. Para ser professor era preciso SABER FALAR, até pouco tempo atrás, certo?! Quanto mais exposição de conteúdos e complexidade na fala, melhor era o professor, e isso revelava que não havia preocupação com a COMUNICAÇÃO, ou a ACESSIBILIDADE COMUNICACIONAL E METODOLÓGICA. Aliás, esses passaram a ser itens relevantes desde a implementação do ENADE, enquanto instrumento de avaliação externa dos egressos (portanto do desempenho de aprendizagem), e passaram a pontuar nos conceitos de curso, com o IACG de 2017.

LIÇÕES: na pandemia, os modelos de APRENDIZAGEM REMOTA dependiam da compreensão de quem OUVE, muito mais do que a complexidade de quem FALA. É o Human Centered Design em ação, ou o estudante como o centro do processo de planejamento e execução de trilhas de aprendizagem.

Então, de repente, a pandemia deixou uma coisa muito clara: O MELHOR PROFESSOR É AQUELE QUE APRENDEU A OUVIR os seus estudantes, nas diversas formas do ouvir enquanto escuta ativa didática (perguntas, dúvidas, desempenho em avaliações, produtividade). Com o que ouve, ele é capaz de RECALIBRAR SUA COMUNICAÇÃO, melhorando os parâmetros de acessibilidade e, com isso, criando espaços de aprendizagem híbridos e mais eficazes no propósito de formar por competências (conteúdo em ação).

TENDÊNCIAS PÓS-PANDEMIA: Aprender a ouvir, nas práticas didáticas, é saber fazer as perguntas certas, em momentos precisos do processo de neuroaprendizagem, para poder usar as respostas e os dados como feedback na recalibração das trilhas e das ações didáticas, visando PRODUTIVIDADE e DESEMPENHO dos estudantes na formação de  COMPETÊNCIAS profissionais específicas. Tudo se interliga, no final.

É uma tendência forte, quase uma nova obrigatoriedade do professor, o SABER OUVIR por meio de uma escuta ativa, que reverbera e melhoria do ambiente de aprendizagem híbrido – presencial e digital – estimulando os estudantes para fazerem o mesmo. Ouvir audiências, seja uma sala ou seguidores, é uma COMPETÊNCIA DE QUEM QUER SE COMUNICAR. E no mundo pós-pandemia, essa simplicidade, fluidez e clareza da comunicação divide aqueles que sofrem rejeição pelo que disseram, e têm que se desculpar em público, e aqueles que levam uma mensagem de liderança.

3.5. VÍDEOS confirmam-se como grandes motores do interesse digital

cerebroPROBLEMA: os modelos didáticos conteudistas estão centrados em slides, leitura e avaliação somativa; modelos adequados para uma época e uma realidade socioeconômica. Aquelas aulas que usavam papers científicos, como leitura e exercício de apoio à aprendizagem, o faziam de forma desconectada com cenários de ação desse conhecimento, no mundo, seja esse o  mundo do trabalho ou outras perspectivas de “mundo”.

Esse modelo, por muitas razões que se somam a essa, não se sustenta mais, e a pandemia só precipitou o que já era óbvio: a necessidade de novos formatos de comunicação para a aprendizagem por competências, em ambientes multimídia, multiplataforma e mobile, ou abordagens 3M.

MAPA CRT (download aqui): a evolução dessa realidade, na pandemia, trouxe mais dados que reforçaram estatísticas anteriores. As novas gerações aprendem mais, e melhor, por meio de narrativas significadas, conhecimento colocados em ação, estimulando competências de diferentes naturezas para o mesmo objeto de aprendizagem, e a paixão pelas estratégias em vídeos. Vemos essa evolução, ao longo do período da pandemia, com a facilitação do acesso a app e programas de edição de vídeos, muitos deles ágeis e mobile centrados, para facilitar a produção do tipo everywhere e anywhere.

LIÇÕES: As trilhas de neuroaprendizagem acionadas pelos vídeos, usados de forma educacional (note que eu não disse videos educacionais), ampliaram o engajamento de estudantes, especialmente quando trechos de séries e filmes traziam conflitos ou dilemas que despertavam para a aplicação da aprendizagem do dia, não sem dificuldades e obstáculos de implicações éticas. Isso é usar distratores emocionais para despertar a atenção ativa e, com isso, uma qualidade melhor na retenção do que se aprende.

TENDÊNCIAS PÓS-PANDEMIA: alguma dúvida de que o caminho para as produções educacionais em vídeo ganhem novos formatos e storyboard? Nada mais de professores dando aulas presenciais para câmeras: isso é tecnologização, não evolução. Nada de narrativas conteudistas: isso é perpetuar um modelo inadequado para as necessidades e a formação por competências. Nada de gravar “bate-papos” na tentativa (terrível) de mudar a narrativa: isso é falta de conhecimento e de repertório neurodidático e tecnológico.

Videos reúnem possibilidades quase infinitas de condução das trilhas mentais de quem aprende, especialmente quando oferecem contextos claros para aplicação dessa aprendizagem e desafiam o uso das competências para solução de conflitos e dilemas não-lineares. O repertório de qualquer professor, daqui para frente, tem que incluir o domínio das etapas de produção de material em vídeo (feita por ele ou terceirizada) como parte das competências docentes em liderar processos de aprendizagem híbridos.

4. Conclusões e provocações

A Gestão do Conhecimento é a grande tendência de competência docente, para o pós-pandemia. Essa gestão se dá mais verticalmente que o velho “dar aulas”. Ela inicia no planejamento e execução de narrativas, que contemplem trilhas sistematicamente organizadas, onde os estímulos para atenção criam organizadores prévios que facilitam a aprendizagem significada. E se continua, criando pontos de avaliação de desempenho de aprendizagem, formativas e somativas, capazes de refletir nos processos de avaliação de cursos, previstos pela Lei SINAES/MEC.

Os formatos de apoio para tais trilhas passam, necessariamente, por dinâmicas de contextos onde se aplica a “ciência do dia”, conferindo significado claro à aprendizagem. Simplicidade, clareza e propósito: essas são as formas de desenvolver novos caminhos de acessibilidade, em todas as definições, para os estudantes de Cursos Superiores.

mundo-de-beakmanSe você acha que eu estou inventando a roda, então deixa eu fazer uma viagem no tempo e lembrar que, em 1982, essas tendências apresentadas já eram percebidas (estamos quase 30 anos atrasados, então) e foram convertidas em um dos programas educacionais infantis de maior sucesso pelo mundo: “O Mundo de Beackman”.

Olha que louco pensar nisso tudo que falamos como tendências pós-pandemia, sendo executado com clareza, há quase 30 anos:

  1. A narrativa do programa possuía o foco na competência do aprender, inIciando pelo “FATO!”;
  2. Em sua estrutura, o programa possuía aquilo que em neurodidática dá-se o nome de marcação de foco: organizadores ou sinalizadores que chamam a atenção para uma ação clara e subsequente, que gera maior retenção da aprendizagem. Era o caso do “- Parem! Parem tudo! Estão ouvindo esse som?”: no programa isso significava que estava na hora do “Desafio de Beakman”;
  3. Os pinguins, conversando na abertura e no encerramento, faziam a conexão com o mundo: não importa quão longe ou isolado você esteja, a televisão pode levar a ciência e a aprendizagem até você (só que hoje é a internet, ok?!);
  4. Misto de cientista e professor, o personagem Beackman recuperava as mescla dessas identidades, junto com a acessibilidade na comunicação (verbal, visual e gestual), que se completava com a assistente inteligente, e o rato de laboratório, nem tanto.

O programa adotava uma linguagem direta, simples e bem humorada, iniciando com o Beakman contando algum fato científico curioso e convidando o telespectador, através da frase “Eu sou Beakman. E você acaba de entrar no Mundo de Beakman…”, a participar do programa.

Portanto, se quase 30 anos depois do Beackman, você ainda acha difícil a possibilidade da volta pós-pandemia mudar alguma coisa, lembre-se de que tudo isso aí acima eram realidades isoladas que a pandemia tornou acelerada e generalizada.

Mais que um vírus, somos dinossauros atingidos pelo fim de uma Era, e nossa sobrevivência, nos tempos que virão, dependerá tão somente da nossa agilidade em flexibilizar repertórios e competências para nos adaptarmos. Lembre-se disso quando voltar:

Dinossauros não foram extinguidos progressivamente. O impacto no planeta matou muitos, imediatamente. A propagação de radiação matou outros, tardiamente. A escassez de comida pelas mudanças climáticas e geográficas, necessária para sustentar os grandes tamanhos, obrigaram à migração de grandes manadas; essa migração era lenta e pesada, o que matou muitos no caminho.

Sobreviveu quem aprendeu a voar (ou já sabia). Sobreviveu quem aprendeu a ser mais leve, a diversificar suas necessidades, a ser mais ágil em busca do sustento, e atento aos sinais de novas mudanças climáticas. Sobreviventes desenvolvem-se e evoluem.

Não seja dinossauro: seja sobrevivente!

live-post2Muito obrigada pela sua participação nessa masterclass adaptada para uma nova visão de compartilhamento de conhecimento específico e especializado!

Sigam acompanhando nossos canais nas mídias e aproveitem os cursos online que já estão disponíveis para formar algumas das competências e mindset apresentadas na live e aqui, no ambiente de apoio!

O mito do Vale não é um mito: é uma atitude e uma ciência

Quero falar um pouco sobre um Storytelling que gerou praticamente todo o movimento mãos-na-massa que conhecemos hoje. Quero digerir esse merchand do Vale do Silício… Já ouviu falar?

Não, não é o Vale do Silicone, paraíso da cirurgia plástica estética. Mas é mais ou menos assim que as histórias sobre esse recanto mítico da disrupção tecnológica se espalham por aí: distorcidas, segundo o interesse de quem conta.

Eu gosto de histórias de superação de adversidade, no mundo do empreendedorismo. Gosto da força e da resiliência dos que acreditaram e acreditam nas suas próprias ideias. Mas gosto mais ainda de compreender, de fato, quais são os elementos efetivamente envolvidos nessas trajetórias de sucesso.

Isso é ciência, com pitadas de energia e alguma dose de futurismo reverso. Universos diferentes que podem e devem coexistir para romper paradigmas, e encontrar novos mapas para novos mundos.

São esses conceitos que levo para a sala de aula, todos os dias, para que meus estudantes tenham maiores chances de sucesso em suas carreiras profissionais: conheça a verdade do método, crie seu próprio caminho, acredite no que pode fazer, faça diferente para fazer a diferença.

Dessa vez, quero juntar no mesmo texto duas coisas de que gosto muito: ciência e Storytelling. Embora pareçam impossíveis de coexistir juntas, essas duas palavras resumem bem algumas verdades atuais que desmistificam, sem contudo, tirar o mérito, do mito do sucesso das empresas de garagem do Vale do Silício, ou das multimilionárias empresas de garagem e o sonho da fama digital instantânea (leia o texto completo – e excelente – de Tom C. Avendaño).

As histórias que giram em torno do mito da garagem rendem muito para aqueles que formataram Storytelling de forma a entregar, aos que acreditam (ou querem acreditar), fórmulas mágicas de sucesso, subvertendo as bases do conhecimento significado e aplicado verdadeiramente envolvido nesse processo.

Quais as lições que se tiram do sucesso do Vale do Silício para aplicar na sala de aula do ensino superior, e nos laboratórios de pesquisas em inovação?

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Estamos nas salas de aula do ensino superior e essa nova geração sonha em fazer história a partir de elementos de um bom Storytelling: uma garagem, muitas ideias e uma oportunidade única no mundo da tecnologia digital.

Por outro lado, os professores no Ensino Superior apenas consideram o cumprimento de ementas e de conteúdos, concebidos e regulados desde o tempo onde diplomar-no-conteúdo-mínimo gerou uma legislação mínima obrigatória, em detrimento do desenvolver-competências-profissionais.

Professores ainda acreditam que a melhor forma de oferecer ensino é reproduzir os modelos pelos quais foram formados, e que dominam bem, e se esquecem que o ponto central é a aprendizagem, não o ensino. Embora muitos docentes já duvidem desse sofisma, apenas alguns partiram em busca de repertórios para transformar sua prática docente.

Cada um, nesse cenário chamado sala de aula, espera por algo diferente daquilo que o outro tem para oferecer. Nascem os conflitos, morrem os sonhos. Mas será que tem que ser assim?

Nesses anos que se sucederam, desde 2010, vivemos momentos de importantes redescobertas dos nossos próprios papéis e responsabilidades perante o que se deveria se chamar APRENDIZAGEM, mas que se convencionou tratar como ENSINO. A diferença entre essas duas designações do processo educacional é o ponto de inflexão que separa modelos e formatos, e se encontra no objeto da aprendizagem e na ação de aprender.

O que se presencia hoje, quando se usa a expressão “modelo superado” é a referência a um cenário de desnutrição avançada do sistema de ENSINO, onde as células chamadas salas-de-aula possuem poder de atividade metabólica cada vez menor na produção de elementos básicos: cada vez menos se aprende dentro delas, e cada vez mais se afirma precisar delas, para aprender.

Como solucionar esse paradoxo?! Maturana e Varela trazem a resposta ao propor a autopoiese como o ponto de equilíbrio de sistemas abertos e autossustentáveis: faça da sala de aula um sistema aberto e autossustentável que ela voltará a ocupar um papel central no processo educacional. Ponto.

“Autopoiese ou autopoiesis (do grego auto=próprio, poiesis=criação) é um termo criado na década de 1970 pelos biólogos e filósofos chilenos FRANCISCO VARELA e HUMBERTO MATURANA para designar a capacidade dos seres vivos de produzirem a si próprios. Segundo esta teoria, um ser vivo é um sistema autopoiético, caracterizado como uma rede fechada de produções moleculares (processos) em que as moléculas produzidas geram com suas interações a mesma rede de moléculas que as produziu. A conservação da autopoiese e da adaptação de um ser vivo ao seu meio são condições sistêmicas para a vida. Portanto, um sistema vivo, como sistema autônomo está constantemente se autoproduzindo, autorregulando, e sempre mantendo interações com o meio, onde este apenas desencadeia no ser vivo mudanças determinadas em sua própria estrutura, e não por um agente externo”.

Para revitalizar o sistema educacional é preciso trazer novos elementos para esse enredo. Elementos que se tornaram parte da “vida lá fora” mas que ainda se ausentam da “vida aqui dentro” da faculdade/universidade.

aprendizagem-1Parte da solução é acabar com o “lá fora”, porque tudo é um só mundo, e é nele e para ele que se aprende. Parte da solução é que o “aqui dentro” seja uma extensão significada do mundo e que lugar de aprender seja todo lugar. Não somente na sala de aula.

Mudando a premissa, mudam-se os paradigmas. Isso é ciência aplicada. Então, vamos aplicá-la derrubando as paredes da sala de aula que dividem os mundos “lá fora” e “aqui dentro”!

É possível fazer diferente do que fazemos e conciliar as expectativas de todos os envolvidos no cenário da Educação Superior?

Sim é possível. Mais do que isso: é IMPRESCINDÍVEL (maiúsculamente!)

Na minha opinião, há 3 pilares que podem sustentar os caminhos institucionais de AUTOSSUSTENTABILIDADE DO PROCESSO DE APRENDIZAGEM: (1) a tríade da construção do sucesso sem-uma-garagem; (2) a diferença entre processos solitários e solidários; (3) a garagem existe.

Entenda como isso é possível, entendendo os 3 pilares que seguem.

1- CONHECIMENTO SIGNIFICADO, EXCELENTE PLANEJAMENTO, DEDICAÇÃO OBSTINADA E NETWORK RELEVANTE: A TRÍADE DA CONSTRUÇÃO DO SUCESSO SEM-UMA-GARAGEM.

A busca pelo sonho é genuína. Acreditar no próprio valor e defender a realização das ideias é empreender, na mais genuína expressão da palavra. Mas nem tudo é para todos, no sentido de que um caminho que foi trilhado por “A” levará sempre ao mesmo lugar, se trilhado pelo restante das letras do alfabeto. Mapas são guias, não são destinos.

O sentido do “nem tudo é para todos” vem do princípio que tudo pode ser construído, mas não é possível construir tudo. O planejamento é a chave do sucesso: qual o seu modelo de negócio? É aqui que o conhecimento, em seu estado atual, começa a fazer sentido, ou ganhar significado.

consultoria
O conhecimento significado é capaz de PROMOVER ENGAJAMENTO E CONSTRUIR UMA APRENDIZAGEM BASEADA NA SOLUÇÃO DE PROBLEMAS. A solução de problemas, por sua vez, demanda planejamento e, QUANTO MELHOR FOR O PLANEJAMENTO, maiores as chances de sucesso para a solução proposta.

Para um planejamento excelente é necessário conectar as pontas certas dessa trama de repertórios, oportunidades, tecnologias e soluções. O tempo e dedicação investidos no planejamento potencializam os recursos e esforços nas soluções encontradas. É aqui que a prática de networking catalisa o processo: conhecer pessoas certas nos lugares essenciais para tornar as soluções do planejmento

Esse tipo de aprendizagem, com significado, é a única capaz de empoderar o estudante com competências que o habilitam expandir a aprendizagem na aplicação do conhecimento na geração de novas soluções para outros problemas.

2- PROJETOS DISRUPTIVOS NÃO SÃO SOLITÁRIOS, SÃO SOLIDÁRIOS.

professor no sistema-3Gosto dessa expressão e a utilizo sempre que posso. Uma letra e toda a diferença do mundo! Os produtos disruptivos que conhecemos (e usamos muitos deles hoje) nasceram de colaborações transversais, complementares e sustentáveis.

Para você entender a diferença, dois engenheiros sempre produzirão excelentes projetos para aprimorar um processo já existente, seja uma construção ou uma forma de calcular os elementos envolvidos em construções. O nome disso é INOVAÇÃO INCREMENTAL, e muitos de nós fazemos isso todos os dias.

Professores em suas salas de aula incrementam seus processos didáticos usando vídeos, power-point, prezis, áudios, podcasts modelos, práticas. Mas continua sendo “aula”  e “ensino”, no sentido stricto das palavras, ou seja, tais inovações melhoram a mesma experiência. Mais do mesmo.

Para interagir em profundidade e transformar realidades é preciso interação com outras áreas, outros conhecimentos, outros olhares. É preciso desconstruir ideias, ambientes e conceitos muito bem estabelecidos, junto com profissionais e expertos de outras áreas do conhecimento.

É necessário que vários olhares genuinamente empáticos sejam dirigidos sobre processos, produtos e serviços para desenhar novas soluções, verdadeiramente inovadoras, e que atendam a velhos problemas sob novos paradigmas. Isso é INOVAÇÃO DISRUPTIVA e, essa sim, conduz a processos, produtos e serviços completamente novos, inovadores e empáticos. Não é mais do mesmo: é o NOVO!

desafio-2Esse conjunto lhes garante escalabilidade, interesse, engajamento de novos comportamentos e, finalmente, a adoção de novos hábitos girando em torno da disrupção.

A disrupção faz com que o velho modelo sala de aula seja abandonado, ou restrito a situações específicas e pontuais, dentro de uma nova realidade, quase sempre tecnologia-mediada.

Mas, se alguém quiser trabalhar por inovações disruptivas na Educação, ou em qualquer outra área, é preciso saber duas coisas: não se consegue escalabilidade se a disrupção não emergir da empatia, e não se consegue ser empático sem aplicação significada do conhecimento.

3- O MITO DA GARAGEM COMO REFERÊNCIA PARA O SUCESSO: MODELOS COLABORATIVOS SÃO “A GARAGEM”

Voltando ao mito da garagem, que ressoa tão claro para as novas gerações, e tão negativo para os professores, temos:

“Tanto Hewlett Packard como Apple, Google, YouTube e Facebook se gabam de terem sido criadas do nada. Na realidade, beberam da experiência prévia e dos contatos de seus chefes (…) A garagem não é só um enclave geográfico. É um estado mental. É a rejeição do ‘statu quo’. É afirmar: não preciso de dezenas de engenheiros com mestrado para fazer frente à concorrência. A garagem é um símbolo. Um aviso do gênero ao qual pertence a origem de cada empresa. É o sonho americano. E também é mentira” (Guy Kawasaki, ex-funcionário da Apple e autor de vários livros sobre empreendedorismo no Vale do Silício – leia o texto completo aqui).

Poucos mitos da garagem resistem a uma boa investigação. Mas esse não deve ser o ponto. Mesmo que o escrutínio da Storytelling contada conduza ao fato de que a garagem tenha sido elemento catalisador de sonhos para atingir uma identidade de massa e vender “alguma coisa”, de produtos aos mapas de como fazer “sua própria garagem acontecer”, é preciso dar valor aos alicerces que realmente conduziram ao sucesso. E atuar de forma positiva e protagonista sobre eles.

Quem eram, afinal, os empreendedores de garagem do Vale do Silício?

think outside the box3Leituras sobre a biografia de cada um deles vai levar à conclusão de que se tratava de GENTE BEM CONECTADA, com NETWORK de qualidade, EXPERIÊNCIA em outras empresas, ALTA CAPACIDADE DE PLANEJAMENTO e de organização, CRIATIVIDADE E LÓGICA em ponto de equilíbrio para desenvolver conceitos e modelos disruptivos, DETERMINAÇÃO E FOCO NO OBJETIVO, METAS CLARAS e uma boa dose de OUSADIA E AUTOCONFIANÇA. Os mesmos ingredientes que os gurus de palco apostaram para fazer seus nomes nas ondas de seguidores digitais, e vender seus produtos.

Mas, por outro lado, esses deveriam ser também os paradigmas de todos os envolvidos no processo educacional! Então, ao invés de criticar empreendedores de palco que fizeram fama junto das massas desiludidas com a escola que oferecemos, e que usam o lema “o que se precisa no mundo do trabalho e na vida não se aprende na escola”, passemos a desenvolver na escola aquilo que se exige no mundo do trabalho e na vida. Parece meio lógico para mim… E para você?

A partir dessas histórias míticas, surgiram muitos pacotes, métodos e gurus, para se vender um sem-fim de crenças sobre como trazer o Vale do Silício para sua vida e sua realidade. Essa não é uma tarefa impossível, mas vivemos num contexto totalmente diferente, e fazemos parte de uma sociedade que tem Mindset, valores culturais e educacionais diferentes daqueles da Vale, onde tais pacotes e métodos foram aprendidos e concebidos.

Não obstante o mito e as lendas distorcidas, como educadora, acredito na densidade que paira sobre espaços educacionais – de qualquer natureza – como catalisadores de pessoas com Mindset semelhantes. A história e a prática mostram que, quando essas pessoas estão juntas, num mesmo espaço, elas aumentam a densidade local de Mindset inovadores, e são capazes de dar início a processos colaborativos capazes de deflagrar soluções criativas para chegar de forma mais rápida e criativa aos seus propósitos.

Mas a razão básica não é o local, de per se. Se analisarmos os contextos, veremos que juntas, essas pessoas desenvolveram condições para um ecossistema favorável aos processos colaborativos. Como isso acontece em escala exponencial no Vale do Silício, muito mais do que em qualquer outro lugar no mundo, as histórias do Vale não são mitos. Mitos são as histórias que se contam sobre as histórias do Vale.

 

Futurismo e Educação Superior: tudo (re)começa em 2019

(Texto base originalmente publicado em 24/09/2017, no blog “O Futuro das coisas”)

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Quero repassar meu texto, publicado em Setembro/2017, para mostrar – e comentar – aos docentes e gestores que atuam na área da Educação Superior que, muito do que vivemos hoje, é altamente previsível desde que se conheça os elementos que determinam as tendências de mercado.

Assim, praticar o Futurismo é uma competência sine-qua-non para qualquer profissional que queira continuar atuante, competitivo e em destaque pelos próximos 10 anos, em qualquer área do conhecimento. Em especial, na Educação.

Aliás, praticar futurismo começa num simples passo a passo. Passo 1: o que éramos, de onde viemos, como chegamos até aqui com o que tínhamos? Passo 2: o que somos, como vivemos, ao que temos acesso hoje? Passo 3: com o que temos, o que seremos, para onde vamos e como chegaremos lá?

Estar preparado para as transformações do futuro é, na verdade, a única receita de sucesso em qualquer área. Preparar-se para formar os profissionais que f-a-z-e-m esse futuro é o que vai tornar cada docente de hoje no Designer Educacional bem sucedido de amanhã. E nem todos sobreviverão a esse 2018 tão repleto de mudanças impactantes!

Para estimar o futuro de qualquer aspecto do negócio, do conhecimento, ou da Vida, são necessárias três atitudes fundamentais: (1) conhecer a história e os desdobramentos relevantes para o atual status quo do tema; (2) conhecer o que estabelece o atual status quo desse tema, ou seja, aquilo que o faz ser o que é nos dias de hoje; (3) acompanhar e conhecer os elementos de inovação incremental e disruptiva que são intervenientes sobre o status quo do tema.

Como qualquer outra atividade da ciência, estimar mudanças no futuro é fruto de tendências, probabilidades, contextos globais e regionais, atitudes, escalabilidade e, principalmente, engajamento para mudanças no padrão de comportamento. Na Educação isso não é diferente.

Vamos fazer um exercício simplificado e tentar projetar o futuro incremental da Educação Superior, para os próximos três anos?

Professor-Designer-de-Curriculo

Vamos pensar… O atual status quo da Educação Superior repousa, historicamente, sobre três pilares:

(1) relação entre oferta de vagas por IES públicas e particulares;

(2) os processos de regulação do Ensino Superior e o desempenho das IES;

(3) a transformação do mercado de trabalho e a necessidade urgente de transformação do modo de formar profissionais para esse mercado.

Assim, para analisar como a Educação vai evoluir, acompanhando as mudanças dessa era das tecnologias e dos novos modelos de processos de aprendizagem para as novas gerações, é sobre esses três pilares que começamos as projeções.

PRIMEIRO PILAR: Instituições Particulares farão movimentos no sentido de renovar currículos, dando adeus definitivo ao velho modelo

Em uma visão geral, com um número amplamente superior de vagas na rede particular que na rede pública, nesse PRIMEIRO PILAR a tendência de mercado mostra que, para sustentar-se enquanto negócio, o sistema educacional deve migrar para soluções que agreguem valor, mantenham ou reduzam custos operacionais, e atendam aos processos de regulação.

Foi notícia:

PUCPR anuncia maior transformação de sua história. Universidade paranaense reformula modelo de ensino, cria novos cursos e foca na formação de egressos adaptados às exigências do mundo atual. (Publicado em 16/08/2017)

USP muda currículo em busca de formação mais humanizada.Voltada aos alunos de medicina, as alterações preveem que, ao final do curso, os estudantes consigam se comunicar efetivamente com a comunidade. (Publicado em 10/10/2017)

como ehMas, verdade seja dita, nem todas as Instituições de Ensino Superior/IES usaram as inovações e as tendências de hibridismo e globalização que se anunciam, como a quase certa transição da Educação Superior para propósitos 100% eficientes, didaticamente.

Na onda das mudanças curriculares, também foi notícia:

UniRitter demite professores, muda currículo e gera protesto de alunos. Instituição não confirmou número de desligamentos e afirmou que mudanças são resultado de busca por “melhores práticas e atualização contínua”. (Publicado em 14/12/2017)

SEGUNDO PILAR: os processos de regulação estão mudando (de novo)

No texto original, eu destaquei que:

Já existe uma comissão no Inep/MEC estudando novos mecanismos de avaliação para projetos pedagógicos de curso que contemplem modelos diferenciados daqueles que estão vigentes. Projetos baseados em metodologias ativas de aprendizagem, com flexibilidade curricular, formação profissional ampliada, interação em arranjos internacionais de mobilidade acadêmica.

Após publicizar os primeiros extratos dos novos instrumentos de avaliação, já era possível ter uma ideia do que 2018 traria, em termos de Educação Superior:

A publicação da aprovação, em extrato, dos indicadores de qualidade dos instrumentos de avaliação institucional e de cursos de graduação. (Publicado em 22/11/2017).

Finalmente, em Dezembro/2017, os novos instrumentos concretizaram a segunda “previsão” de futuro:

Inep aprimora instrumentos de avaliação de cursos e instituições de Educação Superior. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) adotará novos instrumentos de avaliação externa para o monitoramento da qualidade dos cursos de graduação presenciais e a distância, assim como das Instituições de Educação Superior. Portaria publicada nesta sexta-feira, 15, no Diário Oficial, regulamenta os procedimentos de competência do Instituto referentes à avaliação de instituições de educação superior, de cursos de graduação e de desempenho acadêmico de estudantes. Os instrumentos já tinham sido publicados, por meio de portaria, em 31 de outubro de 2017. A previsão é que comecem a ser usados a partir de março de 2018. (Publicado em 15/12/2017)

ondeAo olhar os novos instrumentos, ficou clara a intencionalidade de – no mínimo – duas novas diretrizes em implementação: INTERNACIONALIZAÇÃO dos projetos, formações e carreiras docentes; HIBRIDISMO forte, claro, sustentado pelo novo marco regulatório do EAD no Brasil, publicado (não de forma “inocente”) previamente em Junho/2017:

MEC anuncia novo marco regulatório para EAD e setor recebe bem as mudanças. O Ministério de Educação (MEC) apresentou um novo marco regulatório para o credenciamento de instituições e a oferta de cursos de educação superior à distância (EAD), com entidades do setor considerando as mudanças favoráveis e alertando para os reflexos na dinâmica concorrencial deste segmento de ensino.

Entre as novidades, a portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira permite que as instituições de ensino superior se credenciem para ofertar cursos de EAD sem a necessidade de credenciamento para modalidade presencial. (Publicado em 21/06/2017)

Em tese, esse é o caminho natural do século XXI para Projetos de Curso que formam profissionais para um mundo com menos barreiras geográficas e mais espaços de interação.

Cursos que formam profissionais mais empáticos, criativos, inovadores, empreendedores de sua própria carreira, mas sem que se descolem do objetivo empreender por um mundo melhor e com mais acesso aos serviços que asseguram melhor qualidade de vida.

Mas lembre-se: estamos no país da política que acaba em pizza, samba… Daí o fato de muitas IES se aproveitarem das mudanças para “encaixotar” ainda mais suas ofertas de vagas. Mas aí vem o terceiro pilar e a competitividade de mercado…

TERCEIRO PILAR: formar para um novo (e competitivo) mercado de trabalho

E o futuro? Já deu para começar a formar um cenário… Só que no sentido contrário.

Os cursos de graduação, hoje, já recebem estudantes com perfis diferentes do que há cerca de três anos atrás. São estudantes mais conectados, mais independentes e questionadores dos modelos.

bnccMas, e especialmente, de 2019 a 2020, os estudantes que chegarão ao ensino superior serão egressos de um novo modelo no ensino médio, que está regido pela nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC), aprovada definitivamente em 2017.

O fato é que, com esse novo perfil de estudante, não há como manter um ensino superior “velho” e que não atende mais aos propósitos de um novo século. No mínimo, será preciso mudar ao menos duas coisas, já partir de 2018: os modelos de aprendizagem, previstos nos projetos pedagógicos de curso, e os indicadores dos processos regulatórios, estabelecidos pelo Inep/MEC.

Isso nos leva de volta aos tais pilares do ensino superior, só que no sentido contrário.

Conclusão: faça o caminho inverso e chegará ao Futuro da Educação

Na Educação, e particularmente na Educação Superior, os processos só mudam quando a transformação do comportamento de mercado é tão forte que impacta na redução da demanda por vagas, já que a ampla e maciça maioria das vagas ofertadas para a formação superior está nas mãos do sistema particular de ensino. Mesmo nas instituições públicas, nunca a ociosidade de vagas e o abandono de matrícula foram tão altos.

Aí então, aqueles pilares acontecem no sentido reverso:

(1) o mundo mudou e quem não mudar a forma de atuar e interagir, profissionalmente, vai sendo deixado de fora das melhores colocações e remunerações;

(2) por força de uma demanda de inovações no sistema de ensino (do básico ao superior) os órgãos reguladores estudam (e breve publicarão) novas formas de conceituar os cursos superiores oferecidos e novas formas para esse modelo de negócio;

(3) a relação das vagas entre públicas e particulares não deve se alterar e, por isso, como precisa oferecer formações mais atrativas e mais conectadas com o mercado globalizado de trabalho, as instituições particulares devem estar ajustando seus cursos e currículos para um novo tipo de formação superior, e não, diplomação superior.

As instituições públicas, igualmente por força de mercado e dos mecanismos de regulação, devem acompanhar (senão guiar) todo esse processo de transformação educacional profissional superior. Mas resistirão até o último minuto.

Migrar de um modelo de diplomação despersonalizada e em massa, vigente no Brasil desde a década de 70, para um novo modelo de itinerários formativos e de construção personalizada de carreiras, sem se descolar dos novos padrões de qualidade estabelecidos pelas Diretrizes Curriculares Nacionais e o Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologias.

Embora haja outras variáveis intervenientes, e igualmente importantes para se ter em discussão, para cada um desses pilares, por hora, o objetivo era fazer um exercício de uma competência que já é procurada pelo mercado de trabalho, para profissionais nos melhores cargos e remunerações: a capacidade de antever o Futuro das Coisas.

Percebeu como avaliar as mudanças incrementais do futuro é, na verdade, o resultado da ciência de se conhecer como o processo acontece? É uma teia de eventos que se relacionam e reverberam uns nos outros.

Se você conhece os elementos que interagem para um comportamento de consumo, social ou educacional, precisa parar para recolher as informações necessárias de como cada um deles está reagindo aos eventos e acontecimentos que acontecem aqui e agora. E, a partir daí, saber como esses elementos tendem a se reorganizar e interagir com outros elementos, em busca de sustentabilidade.

Resumindo a ópera: o amanhã é do Designer Educacional

Esse exercício todo apontou para um desfecho interessante. Vamos usar o Princípio de Pareto (ou o famoso 80/20) para prever que 80% dos resultados desse novo movimento que começa estará nas mãos (bem-remuneradas) de 20% dos profissionais da Educação Superior de hoje. Até porque as profissões estão mudando e, o Magistério Superior, como o conhecemos hoje, não será mais o mesmo em 3 a 5 anos.

Provavelmente no futuro, “Educação Híbrida” será considerado pleonasmo, porque toda educação será – necessariamente – híbrida. Sobreviverá a esse terremoto aqueles que desenvolverem novas competências em suas práticas docentes, ampliando repertórios, incorporando novos conhecimentos aos velhos postulados, adotando novas atitudes para atingir resultados de excelência. Mas resultados na aprendizagem estudantil: esse é o segredo.

Porque a melhor maneira de prever – e usufruir – desse futuro é tornar-se parte dele, construindo-o no hoje.

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