Ciclo de Aprendizagem Sênior: uma abordagem especializada para Gestores do Ensino Superior

Entenda a perspectiva de trabalho de gestão de cursos superiores sob a óptica de Ciclos de Aprendizagem, e como ela é uma ferramenta poderosa para a personalização do trabalho, otimização dos recursos (físicos, financeiros e humanos), e reconfiguração dos processos de aprendizagem e de avaliação da aprendizagem, impulsionando a IES e os cursos para conceitos mais robustos, junto ao MEC.

Que tal conversar um pouco sobre as vantagens e os valores que serão agregados ao seu desempenho de Gestão do Conhecimento, a partir dos conhecimentos e ferramentas que vamos lhe proporcionar?

1. Onde tudo começou?

perguntaNão precisa ser um gênio para perceber que a tão falada mudança nos paradigmas educacionais, alardeada desde o novo marco regulatório do EAD, em 2016, chegou para ficar e para demolir completamente o surrado modelo conteudista no Ensino Superior, que nas áreas de saúde se consagrou pelo modelo biomédico de Flexner, para a construção curricular.

Em 2017, quando comecei a escrever para o portal O Futuro das Coisas, um dos meus primeiros textos foi esse, sobre o futuro da Educação ser híbrido e começar em 2019.

Vamos abrir os olhos e dar uma boa analisada na praia da Educação, que é onde eu surfo melhor? O que tem marcado influência nas transformações que acompanhamos pelo mundo, basicamente, é o fato de as gerações estarem se sucedendo nos espaços sociais e profissionais, e exercendo sua influência sobre eles.

Aos poucos, jovens que cresceram digitalmente vão chegando às salas de aula, ao mercado de trabalho, às universidades. Eles trazem para esses espaços comportamentos diferentes em relação às gerações que chegaram aos mesmos espaços, antes deles. E, em breve, a eles se somarão também os que nasceram digitalmente. (trecho destacado do texto “O futuro da Educação é híbrido e começa em 2019“, O Futuro das Coisas, 24/09/2017)

Pronto! Estamos em 2019 e – realmente – o futuro híbrido está entre nós: na legislação que permite que os cursos superiores sejam semipresenciais (coisa inexistente na época), onde a busca por formações de qualidade e na modalidade digital (plena ou semi) cresce vertiginosamente, e momento em que uma nova geração de estudantes ascende às salas de aulas do Ensino Superior.

A questão aqui não é o fato de eu ser cigana, adivinha, leitora de cartas, mas de estar atenta aos sinais e praticar o Futurismo: uma ciência pautada em mapear o passado, registrar o presente e prospectar o futuro, baseado na evolução de fatos e comportamentos envolvidos em um cenário ou contexto real.

2. Ciclo de Aprendizagem: uma nova concepção para as práticas docentes

Foi esse comportamento de cientista futurista que me guiou nos últimos anos, e foi me despertando para entender as mudanças por vir, a partir dos sinais, que iam aparecendo.

No Ensino Superior, isso é fático: analise a legislação e as diretrizes de avaliação do Ministério da Educação e você terá uma bússola infalível para “prever o futuro”, mas (e principalmente) antecipar-se a ele, saindo na frente e mantendo-se tão ou mais competitivo do que era antes.

livros.jpegÉ assim, igualmente, que procedo ao mapeamento, rastreamento e prospecção de todos os aspectos de design envolvidos nas capacitações docentes, que denominei Ciclo de Aprendizagem:

  • no Ciclo 1, o professor entra em contato com o novo universo educacional superior, pautado pela formação de competências, aprendendo que é preciso mudar a narrativa da aula;
  • no Ciclo 2, esse professor, mais maduro e praticando o que aprendeu, nas suas aulas, entende as neurociências envolvidas na inovação e ganha um novo mapa para usar as neurociências da aprendizagem e foco em favor de melhores desempenhos de aprendizagem, para seus estudantes.

Essas formações docentes são roteiros sistematizados das ciências e práticas que contribuíram para a inovação da forma como se ensina e como se aprende, no mundo da Revolução Industrial 4.0. Docentes que assumem esse novo mindset formam a base para que os Gestores institucionais (Diretores, coordenadores, NDE, colegiados de curso) coloquem em ação aquilo que é a verdadeira finalidade das inovações: a mudança do ecossistema educacional de uma Instituição de Ensino Superior/IES, rumo à sustentabilidade didática e financeira.

Sim! É possível (e viável) colocar as palavras sustentabilidade financeira, inovação da aprendizagem, e sustentabilidade na mesma frase e funcionando em harmonia. Mas há que se saber como orientar esse processo, e quem faz isso é o Gestor (esse, com G maiúsculo).

3. Quais as grandes perguntas a serem esclarecidas?

CONQUISTAR (maiúsculo e com mérito!) um conceito 5 na Dimensão 1, e em boa parte da Dimensão 2, só não é exatamente fácil porque requer mudança de comportamentos e de mindset. É aqui que o bicho pega, porque o ser humano apresenta 2 características básicas, quando o assunto é trabalho: zona de conforto e perpetuação dos hábitos.

Nada muda, em nenhuma área do mundo do trablaho, a menos que uma – ou ambas – dessas situações, ameace àquilo que ele mais teme: mexer no seu bolso. Aí a amígdala cerebral é ativada e, basicamente, sai todo mundo “correndo atrás do prejuízo”. Correto?

Aliás já escrevi também sobre essa péssima atitude do “correr atrás”…

“Como dizia, sou dessas: gosto ainda mais de compreender, de fato, quais são os elementos envolvidos em trajetórias de sucesso. Na grande maioria das histórias, esses elementos são científicos, temperados com muita energia e corajosas doses de futurismo reverso.

São pessoas que compreenderam a natureza dos seus próprios universos pessoais sem se desconectarem da visão ampliada dos muitos universos que podem, e devem, coexistir e colaborar entre si, para romper paradigmas.  Na educação, essas pessoas costumavam ser os professores e quem se interessava por ensinar.

Mas de uma década para cá percebe-se uma mudança importante: há mais gente interessada em aprender, em como aprender mais e melhor, aprender para a vida e não (apenas) para o diploma. Curiosamente (e surpreendentemente) essa gente não era, exatamente, professores.” (trecho do texto Quem ‘corre atrás’ está atrasado, perdeu a hora, ou nem sabia o que estava acontecendo”, O Futuro das coisas, 14/04/2018)

Se você leu tudo até aqui, já percebeu que gosto de fazer as perguntas que ninguém quer fazer. Mas percebeu também que gosto ainda mais de responder a essas perguntas com dados, fatos, tendências e ciências. Ser cientista está no meu DNA e é isso que me torna apta a propor levar você, que é Gestor em uma IES, para um mundo onde vamos fazer as perguntas que ninguém faz, para chegar às respostas que ninguém (ou quase ninguém) tem.

Talvez a mais importante delas, para um Gestor engajado nas mudanças da sua IES em um mercado implacável, como o da educação superior particular brasileira, seja:

3.1. “ONDE ESTÁ O CONCEITO 5 QUE EU NÃO ATINGI?”

ondeSim! Essa é a resposta que vale ouro: no marketing, no desempenho ENADE, na empregabilidade do seu egresso, no valor agregado dos cursos que sua IES oferece, e no valor incalculável de um time de docentes capaz de conduzir a esse resultado.

Para responder a essa pergunta, é necessário fazer (e responder) algumas outras:

3.2. O que é um Ecossistema Educacional/EES e como o conceito de Ciclo de Aprendizagem contribui para a “germinação” dessa visão ecossistêmica?

3.3. Como orquestrar a implementação de um EES por meio de ações ordinárias de gestão?

3.4. Como orquestrar a implementação de um EES por meio de ações extraordinárias de gestão?

3.5. Quais são as práticas de gestão da aprendizagem que geram fertilidade para o crescimento sustentável desse ecossistema, e me levam ao 4 e 5 (do MEC) sem traumas e de forma longeva e sustentável?

Conquistar um conceito 5 é um construto coletivo, que começa com a transformação ativa e protagonista dos atores da sala de aula, se expande em repertórios, estratégias e espaços transversais, se fortalece transversalmente entre cursos, e se consolida entre a IES e a comunidade.

Em cada uma dessas perguntas acima, as respostas levam a um impacto sobre os conceitos alcançados nos itens da Dimensão 1 e 2 do IACG. E esse é o melhor resultado para qualquer Gestor.

Com essa visão, a formação “Ciclo de Aprendizagem Sênior: um Ecossistema Educacional Sustentável(apresentação completa da formação nesse linkvem para trabalhar lado a lado, com gestores em atividade nas suas IES, práticas que alinhavem as mudanças da sala de aula às conquistas em performance e resultados dos estudantes, quer em avaliações de larga escala, que na empregabilidade junto ao mercado de trabalho, pela sólida e dinâmica formação que receberam.

No link acima, você acessa toda a apresentação da formação, incluindo a dor a ser curada e os valores agregados, ao comprometer-se nesse salto qualitativo do pensar a Gestão do Conhecimento, em sua IES.

4. Sua melhor versão na Gestão, a um clique de distância!

Agora você já conheceu a ideia e percebeu que está a um passo (ou clique) de agregar mais valores e ideias ao arsenal de Gestão do Conhecimento que já possui. Você agora vai entender como a Gestão macro dos processos de Aprendizagem confluem, junto com os processos macro de Gestão administrativa, rumo à conquista de melhores e maiores conceitos, para seu curso e sua IES.

magicaAqui a grande questão não tem mágica: tem gestão inteligente, empática, dinâmica, focada em resultados. As práticas que vivenciei estão condensadas em exercícios, simulações, soluções, ações e resultados simples, que serão trabalhados no encontro presencial, para apontarem as possibilidades de melhorias nos conceitos do MEC.

Não tem como não querer um planejamento que conduz uma IES inteira a um novo destino: conceitos maiores, melhores e mais robustos, nas avaliações externas do MEC. São APENAS 10 VAGAS/TURMA! Entre em contato para formar sua turma de Gestores “in company”.

 

 Licença Creative Commons
O trabalho CICLO DE APRENDIZAGEM SÊNIOR: Ecossistemas Educacionais Sustentáveis de Profa. Dra. Denise da Vinha Ricieri está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional. Baseado no trabalho disponível em https://denisedavinha.wordpress.com/2019/08/14/ciclo-de-aprendizagem-senior. Podem estar disponíveis autorizações adicionais às concedidas no âmbito desta licença em https://www.instagram.com/insightsdocentes/.

O mito do Vale não é um mito: é uma atitude e uma ciência

Quero falar um pouco sobre um Storytelling que gerou praticamente todo o movimento mãos-na-massa que conhecemos hoje. Quero digerir esse merchand do Vale do Silício… Já ouviu falar?

Não, não é o Vale do Silicone, paraíso da cirurgia plástica estética. Mas é mais ou menos assim que as histórias sobre esse recanto mítico da disrupção tecnológica se espalham por aí: distorcidas, segundo o interesse de quem conta.

Eu gosto de histórias de superação de adversidade, no mundo do empreendedorismo. Gosto da força e da resiliência dos que acreditaram e acreditam nas suas próprias ideias. Mas gosto mais ainda de compreender, de fato, quais são os elementos efetivamente envolvidos nessas trajetórias de sucesso.

Isso é ciência, com pitadas de energia e alguma dose de futurismo reverso. Universos diferentes que podem e devem coexistir para romper paradigmas, e encontrar novos mapas para novos mundos.

São esses conceitos que levo para a sala de aula, todos os dias, para que meus estudantes tenham maiores chances de sucesso em suas carreiras profissionais: conheça a verdade do método, crie seu próprio caminho, acredite no que pode fazer, faça diferente para fazer a diferença.

Dessa vez, quero juntar no mesmo texto duas coisas de que gosto muito: ciência e Storytelling. Embora pareçam impossíveis de coexistir juntas, essas duas palavras resumem bem algumas verdades atuais que desmistificam, sem contudo, tirar o mérito, do mito do sucesso das empresas de garagem do Vale do Silício, ou das multimilionárias empresas de garagem e o sonho da fama digital instantânea (leia o texto completo – e excelente – de Tom C. Avendaño).

As histórias que giram em torno do mito da garagem rendem muito para aqueles que formataram Storytelling de forma a entregar, aos que acreditam (ou querem acreditar), fórmulas mágicas de sucesso, subvertendo as bases do conhecimento significado e aplicado verdadeiramente envolvido nesse processo.

Quais as lições que se tiram do sucesso do Vale do Silício para aplicar na sala de aula do ensino superior, e nos laboratórios de pesquisas em inovação?

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Estamos nas salas de aula do ensino superior e essa nova geração sonha em fazer história a partir de elementos de um bom Storytelling: uma garagem, muitas ideias e uma oportunidade única no mundo da tecnologia digital.

Por outro lado, os professores no Ensino Superior apenas consideram o cumprimento de ementas e de conteúdos, concebidos e regulados desde o tempo onde diplomar-no-conteúdo-mínimo gerou uma legislação mínima obrigatória, em detrimento do desenvolver-competências-profissionais.

Professores ainda acreditam que a melhor forma de oferecer ensino é reproduzir os modelos pelos quais foram formados, e que dominam bem, e se esquecem que o ponto central é a aprendizagem, não o ensino. Embora muitos docentes já duvidem desse sofisma, apenas alguns partiram em busca de repertórios para transformar sua prática docente.

Cada um, nesse cenário chamado sala de aula, espera por algo diferente daquilo que o outro tem para oferecer. Nascem os conflitos, morrem os sonhos. Mas será que tem que ser assim?

Nesses anos que se sucederam, desde 2010, vivemos momentos de importantes redescobertas dos nossos próprios papéis e responsabilidades perante o que se deveria se chamar APRENDIZAGEM, mas que se convencionou tratar como ENSINO. A diferença entre essas duas designações do processo educacional é o ponto de inflexão que separa modelos e formatos, e se encontra no objeto da aprendizagem e na ação de aprender.

O que se presencia hoje, quando se usa a expressão “modelo superado” é a referência a um cenário de desnutrição avançada do sistema de ENSINO, onde as células chamadas salas-de-aula possuem poder de atividade metabólica cada vez menor na produção de elementos básicos: cada vez menos se aprende dentro delas, e cada vez mais se afirma precisar delas, para aprender.

Como solucionar esse paradoxo?! Maturana e Varela trazem a resposta ao propor a autopoiese como o ponto de equilíbrio de sistemas abertos e autossustentáveis: faça da sala de aula um sistema aberto e autossustentável que ela voltará a ocupar um papel central no processo educacional. Ponto.

“Autopoiese ou autopoiesis (do grego auto=próprio, poiesis=criação) é um termo criado na década de 1970 pelos biólogos e filósofos chilenos FRANCISCO VARELA e HUMBERTO MATURANA para designar a capacidade dos seres vivos de produzirem a si próprios. Segundo esta teoria, um ser vivo é um sistema autopoiético, caracterizado como uma rede fechada de produções moleculares (processos) em que as moléculas produzidas geram com suas interações a mesma rede de moléculas que as produziu. A conservação da autopoiese e da adaptação de um ser vivo ao seu meio são condições sistêmicas para a vida. Portanto, um sistema vivo, como sistema autônomo está constantemente se autoproduzindo, autorregulando, e sempre mantendo interações com o meio, onde este apenas desencadeia no ser vivo mudanças determinadas em sua própria estrutura, e não por um agente externo”.

Para revitalizar o sistema educacional é preciso trazer novos elementos para esse enredo. Elementos que se tornaram parte da “vida lá fora” mas que ainda se ausentam da “vida aqui dentro” da faculdade/universidade.

aprendizagem-1Parte da solução é acabar com o “lá fora”, porque tudo é um só mundo, e é nele e para ele que se aprende. Parte da solução é que o “aqui dentro” seja uma extensão significada do mundo e que lugar de aprender seja todo lugar. Não somente na sala de aula.

Mudando a premissa, mudam-se os paradigmas. Isso é ciência aplicada. Então, vamos aplicá-la derrubando as paredes da sala de aula que dividem os mundos “lá fora” e “aqui dentro”!

É possível fazer diferente do que fazemos e conciliar as expectativas de todos os envolvidos no cenário da Educação Superior?

Sim é possível. Mais do que isso: é IMPRESCINDÍVEL (maiúsculamente!)

Na minha opinião, há 3 pilares que podem sustentar os caminhos institucionais de AUTOSSUSTENTABILIDADE DO PROCESSO DE APRENDIZAGEM: (1) a tríade da construção do sucesso sem-uma-garagem; (2) a diferença entre processos solitários e solidários; (3) a garagem existe.

Entenda como isso é possível, entendendo os 3 pilares que seguem.

1- CONHECIMENTO SIGNIFICADO, EXCELENTE PLANEJAMENTO, DEDICAÇÃO OBSTINADA E NETWORK RELEVANTE: A TRÍADE DA CONSTRUÇÃO DO SUCESSO SEM-UMA-GARAGEM.

A busca pelo sonho é genuína. Acreditar no próprio valor e defender a realização das ideias é empreender, na mais genuína expressão da palavra. Mas nem tudo é para todos, no sentido de que um caminho que foi trilhado por “A” levará sempre ao mesmo lugar, se trilhado pelo restante das letras do alfabeto. Mapas são guias, não são destinos.

O sentido do “nem tudo é para todos” vem do princípio que tudo pode ser construído, mas não é possível construir tudo. O planejamento é a chave do sucesso: qual o seu modelo de negócio? É aqui que o conhecimento, em seu estado atual, começa a fazer sentido, ou ganhar significado.

consultoria
O conhecimento significado é capaz de PROMOVER ENGAJAMENTO E CONSTRUIR UMA APRENDIZAGEM BASEADA NA SOLUÇÃO DE PROBLEMAS. A solução de problemas, por sua vez, demanda planejamento e, QUANTO MELHOR FOR O PLANEJAMENTO, maiores as chances de sucesso para a solução proposta.

Para um planejamento excelente é necessário conectar as pontas certas dessa trama de repertórios, oportunidades, tecnologias e soluções. O tempo e dedicação investidos no planejamento potencializam os recursos e esforços nas soluções encontradas. É aqui que a prática de networking catalisa o processo: conhecer pessoas certas nos lugares essenciais para tornar as soluções do planejmento

Esse tipo de aprendizagem, com significado, é a única capaz de empoderar o estudante com competências que o habilitam expandir a aprendizagem na aplicação do conhecimento na geração de novas soluções para outros problemas.

2- PROJETOS DISRUPTIVOS NÃO SÃO SOLITÁRIOS, SÃO SOLIDÁRIOS.

professor no sistema-3Gosto dessa expressão e a utilizo sempre que posso. Uma letra e toda a diferença do mundo! Os produtos disruptivos que conhecemos (e usamos muitos deles hoje) nasceram de colaborações transversais, complementares e sustentáveis.

Para você entender a diferença, dois engenheiros sempre produzirão excelentes projetos para aprimorar um processo já existente, seja uma construção ou uma forma de calcular os elementos envolvidos em construções. O nome disso é INOVAÇÃO INCREMENTAL, e muitos de nós fazemos isso todos os dias.

Professores em suas salas de aula incrementam seus processos didáticos usando vídeos, power-point, prezis, áudios, podcasts modelos, práticas. Mas continua sendo “aula”  e “ensino”, no sentido stricto das palavras, ou seja, tais inovações melhoram a mesma experiência. Mais do mesmo.

Para interagir em profundidade e transformar realidades é preciso interação com outras áreas, outros conhecimentos, outros olhares. É preciso desconstruir ideias, ambientes e conceitos muito bem estabelecidos, junto com profissionais e expertos de outras áreas do conhecimento.

É necessário que vários olhares genuinamente empáticos sejam dirigidos sobre processos, produtos e serviços para desenhar novas soluções, verdadeiramente inovadoras, e que atendam a velhos problemas sob novos paradigmas. Isso é INOVAÇÃO DISRUPTIVA e, essa sim, conduz a processos, produtos e serviços completamente novos, inovadores e empáticos. Não é mais do mesmo: é o NOVO!

desafio-2Esse conjunto lhes garante escalabilidade, interesse, engajamento de novos comportamentos e, finalmente, a adoção de novos hábitos girando em torno da disrupção.

A disrupção faz com que o velho modelo sala de aula seja abandonado, ou restrito a situações específicas e pontuais, dentro de uma nova realidade, quase sempre tecnologia-mediada.

Mas, se alguém quiser trabalhar por inovações disruptivas na Educação, ou em qualquer outra área, é preciso saber duas coisas: não se consegue escalabilidade se a disrupção não emergir da empatia, e não se consegue ser empático sem aplicação significada do conhecimento.

3- O MITO DA GARAGEM COMO REFERÊNCIA PARA O SUCESSO: MODELOS COLABORATIVOS SÃO “A GARAGEM”

Voltando ao mito da garagem, que ressoa tão claro para as novas gerações, e tão negativo para os professores, temos:

“Tanto Hewlett Packard como Apple, Google, YouTube e Facebook se gabam de terem sido criadas do nada. Na realidade, beberam da experiência prévia e dos contatos de seus chefes (…) A garagem não é só um enclave geográfico. É um estado mental. É a rejeição do ‘statu quo’. É afirmar: não preciso de dezenas de engenheiros com mestrado para fazer frente à concorrência. A garagem é um símbolo. Um aviso do gênero ao qual pertence a origem de cada empresa. É o sonho americano. E também é mentira” (Guy Kawasaki, ex-funcionário da Apple e autor de vários livros sobre empreendedorismo no Vale do Silício – leia o texto completo aqui).

Poucos mitos da garagem resistem a uma boa investigação. Mas esse não deve ser o ponto. Mesmo que o escrutínio da Storytelling contada conduza ao fato de que a garagem tenha sido elemento catalisador de sonhos para atingir uma identidade de massa e vender “alguma coisa”, de produtos aos mapas de como fazer “sua própria garagem acontecer”, é preciso dar valor aos alicerces que realmente conduziram ao sucesso. E atuar de forma positiva e protagonista sobre eles.

Quem eram, afinal, os empreendedores de garagem do Vale do Silício?

think outside the box3Leituras sobre a biografia de cada um deles vai levar à conclusão de que se tratava de GENTE BEM CONECTADA, com NETWORK de qualidade, EXPERIÊNCIA em outras empresas, ALTA CAPACIDADE DE PLANEJAMENTO e de organização, CRIATIVIDADE E LÓGICA em ponto de equilíbrio para desenvolver conceitos e modelos disruptivos, DETERMINAÇÃO E FOCO NO OBJETIVO, METAS CLARAS e uma boa dose de OUSADIA E AUTOCONFIANÇA. Os mesmos ingredientes que os gurus de palco apostaram para fazer seus nomes nas ondas de seguidores digitais, e vender seus produtos.

Mas, por outro lado, esses deveriam ser também os paradigmas de todos os envolvidos no processo educacional! Então, ao invés de criticar empreendedores de palco que fizeram fama junto das massas desiludidas com a escola que oferecemos, e que usam o lema “o que se precisa no mundo do trabalho e na vida não se aprende na escola”, passemos a desenvolver na escola aquilo que se exige no mundo do trabalho e na vida. Parece meio lógico para mim… E para você?

A partir dessas histórias míticas, surgiram muitos pacotes, métodos e gurus, para se vender um sem-fim de crenças sobre como trazer o Vale do Silício para sua vida e sua realidade. Essa não é uma tarefa impossível, mas vivemos num contexto totalmente diferente, e fazemos parte de uma sociedade que tem Mindset, valores culturais e educacionais diferentes daqueles da Vale, onde tais pacotes e métodos foram aprendidos e concebidos.

Não obstante o mito e as lendas distorcidas, como educadora, acredito na densidade que paira sobre espaços educacionais – de qualquer natureza – como catalisadores de pessoas com Mindset semelhantes. A história e a prática mostram que, quando essas pessoas estão juntas, num mesmo espaço, elas aumentam a densidade local de Mindset inovadores, e são capazes de dar início a processos colaborativos capazes de deflagrar soluções criativas para chegar de forma mais rápida e criativa aos seus propósitos.

Mas a razão básica não é o local, de per se. Se analisarmos os contextos, veremos que juntas, essas pessoas desenvolveram condições para um ecossistema favorável aos processos colaborativos. Como isso acontece em escala exponencial no Vale do Silício, muito mais do que em qualquer outro lugar no mundo, as histórias do Vale não são mitos. Mitos são as histórias que se contam sobre as histórias do Vale.

 

O que representa ter um “Growth Mindset”?

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Versão em português do texto publicado originalmente pela Harvard Business Review What Having a “Growth Mindset” Actually Means (Carol Dweck, January 13, 2016), disponível para acesso aqui.

“Acadêmicos ficam profundamente gratificados quando suas ideias se tornam populares, ou “pegam”, virando moda. Ficam ainda mais felizes quando suas ideias fazem a diferença – melhorando a motivação, a inovação, ou a produtividade, por exemplo. Mas toda popularidade tem um preço: as pessoas às vezes distorcem as ideias e, portanto, deixam de serem beneficiadas por elas. Isto começa a acontecer com minha pesquisa sobre a mentalidade “fixa” versus “expandida”, entre sujeitos e dentro das organizações.

Resumindo rapidamente os achados da minha pesquisa: sujeitos que acreditam que seus talentos podem ser desenvolvidos por meio de treinamento intensivo, boas estratégias, e processos colaborativos de aprendizagem possuem uma forma mais expandida de ver as coisas (ou growth mindset). Eles tendem a alcançar mais que aqueles com uma mentalidade mais fixa, ou seja, aqueles que acreditam que seus talentos são dons inatos (fixed mindset). Essa diferença acontece porque aqueles dotados da mentalidade-expandida preocupam-se menos com parecer inteligentes e colocam sua energia na aprendizagem.

mindsetQuando companhias inteiras adotam o growth mindset, o relato dos funcionários traz um sentimento de empoderamento e comprometimento; eles recebem um suporte organizacional muito maior para colaborar e inovar nos processos da empresa.

Ao contrário, pessoas que trabalham em empresas com fixed mindset relatam com maior frequência uma única coisa: a percepção de trapaça e a decepção dos funcionários entre si, presumivelmente porque passam a ter foco apenas em ganhar vantagens pessoais, na corrida pelo talento.

No rastro destes achados, growth mindset tornou-se um chavão em muitas grandes empresas, trabalhando essa visão em suas missões regimentárias. Mas quando eu investigo, frequentemente descubro que a compreensão das pessoas é limitada sobre o que realmente signifique o conceito de growth mindset.

Vamos dar uma olhada em três confusões muito comuns:

  • Eu já tive, e ainda tenho”. Pessoas confundem ter uma mentalidade-expandida (growth mindset) com ser flexível, ter mente aberta, ou ainda, ter uma visão positiva – qualidades que eles acreditam que, simplesmente, sempre tiveram. Meus colegas e eu chamamos isso de falsa mentalidade-expandida (false growth mindset). Atualmente todo mundo apresenta uma mistura entre as duas mentalidades, fixa e expandida, e essa mistura evolui continuamente, com a experiência. Uma mentalidade-expandida pura não existe, e é preciso reconhecer isso para atingir os benefícios que buscamos, ao trabalhar a mentalidade expandida.
  • A mentalidade-expandida está relacionada com elogiar e recompensar esforços”. Isto não é verdade nem na Educação, para estudantes, nem no mundo corporativo, para funcionários. Em ambos cenários, o processo é importante. Esforços improdutivos nunca são boa coisa. O ponto crítico é recompensar não apenas o esforço, mas a aprendizagem e o progresso atingidos, enfatizando o processo que gera os gera, como buscar ajuda de outros, tentar novas estratégias, e capitalizar sobre os contratempos para seguir em frente, efetivamente. Em todas nossas pesquisas, o desfecho – linha de base – acontece a partir de um engajamento profundo nesses processos.
  • Una-se à mentalidade expandida e coisas boas acontecerão”. Missões são coisas maravilhosas. Você não pode argumentar com valores elevados, como crescimento, empoderamento ou inovação. Mas o que eles significam para os funcionários, se a empresa não implementa políticas que os tornem reais e factíveis? Esses valores tornam-se, simplesmente, palavras da boca para fora. Organizações que incorporam uma mentalidade-expandida , encorajam apropriadamente o enfrentamento de riscos, conhecendo que alguns riscos não vão funcionar. Elas recompensam empregados pelas lições aprendidas, aquelas úteis e importantes, mesmo se um projeto não atingiu as metas originais. Elas dão apoio à colaboração entre fronteiras organizacionais, ao invés de colocar em competição suas unidades e seus empregados. Elas estão comprometidas com o crescimento de cada membro, num comprometimento não apenas em palavras, mas em atitudes, como oportunidades de desenvolvimento amplamente disponíveis. E elas reforçam os valores da mentalidade-expandida, continuamente, com políticas concretas.

mindset-2Mesmo quando tais equívocos são corrigidos, ainda não é fácil atingir a mentalidade-expandida. Uma razão para isso é que todos temos nossos próprios gatilhos para a mentalidade-fixa.

Quando enfrentamos desafios, recebemos críticas, ou quando nosso desempenho é baixo em comparação ao dos colegas, facilmente caímos na defensiva ou na insegurança, uma resposta que inibe a expansão.

Nossos ambientes de trabalho também podem ter seus próprios gatilhos de mentalidade fixa. Uma empresa que atua sobre talentos torna mais difícil para as pessoas praticarem a mentalidade de expansão pensando e em seus comportamentos, tais como informação, colaboração, inovação, busca por feedback ou reconhecer os erros. Para permanecer na zona de expansão, precisamos identificar e trabalhar tais gatilhos.

Muitos gestores e executivos se beneficiam da aprendizagem, reconhecendo quando personas com mentalidade-fixa aparecem, e o que é dito para que eles sintam-se ameaçados ou na defensiva. Mais importante de tudo é que, ao longo do tempo, esses gestores aprenderam a devolver tais falas, convencendo esses funcionários a colaborarem e perseguirem metas.

Esse é um trabalho duro, mas sujeitos e organizações podem ganhar muito aprofundando seu conhecimento nos conceitos da mentalidade-expandida e nos processos para colocá-los em prática. Isso lhes dá um senso mais rico de quem eles são, o que os representa e como querem seguir em frente.”

OBS: A expressão growth mindset não possui equivalente em português. Refere-se à capacidade de possuir uma mentalidade (ou visão de mundo) capaz de absorver as dificuldades e transformá-las em oportunidades de desenvolvimento para novas habilidades, por meio de treinamento, estratégias e busca por ajuda. Em outras palavras, um sujeito com growth mindset acredita que dons podem ser desenvolvidos, e não se restringem àqueles inatos, o que lhe permite encontrar soluções criativas, ampliar seu repertório, estar pronto para aproveitar oportunidades, e desenvolver redes e processos colaborativos eficientes. Nesse texto, growth mindset foi traduzido como mentalidade-expandida, podendo também ser tomado como visão-expandida, ou mentalidade-de-crescimento.

IMG_4379Comentários da tradutora

Para modelos educacionais engajadores e ativos é preciso que o sistema onde o Curso Superior está inserido tenha um funcionamento diferente do padrão atual, elaborado há mais de 50 anos atrás para as necessidades da época.

Os sistemas de acreditação e gestão universitária mudaram muito, desde então, assim como as ferramentas para formar os profissionais do mercado de trabalho do futuro. É necessária a mentalidade de crescimento aplicada ao desenho educacional de projetos de cursos superiores, para que a formação não seja resumida à diplomação.

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Quer desenvolver mentalidade-expandida nos seus estudantes? Atente para esses 3 elementos e estimule-os em seu Planejamento!
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Como diagnosticar nos estudantes o tipo de mentalidade que eles possuem, frente ao processo de aprendizagem na sua disciplina? Observe os comportamentos!

 

 

WWDC Apple 2016: processo acima do produto

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Um dos meus filhos viaja para a Apple Special Event WWDC 2016 e vai daí que eu resolvo assistir, pelo link, a conferência magna que aconteceu hoje. Afinal, aprendi com meus filhos (desenvolvedores Apple) que, muito além dos novos produtos, o mais importante de um desenvolvedor Apple é seu mindset sempre à frente. É a natureza pró-ativa e protagonista de pensar e desenvolver muito além do produto: é pensar num novo modelo de oferecer o processo, a experiência.

A experiência de compartilhar à distância uma grande conferência como essa sobre inovação, tecnologias, mudanças, e novos produtos que afetam ao mundo todo foi impressionante. Mas, ainda mais impressionante não foram os novos produtos apresentados. Foi perceber o processo que guia essa empresa e como ela trata o processo de liderança e criatividade que sustenta no mercado de tecnologias.

Aprender com as entrelinhas dessa riquíssima apresentação do primeiro dia é o que me deu a inquietação de compartilhar. Cá estamos, você, leitor, e eu. Peço que acompanhe meu raciocínio (e se puder, assista também às novidades, com outros olhos). Vamos lá…

1- Compartilhar a trajetória da empresa para um desenvolvimento colaborativo ao redor do mundo

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É característica da Apple os encontros mundiais com seus desenvolvedores para apresentar as novidades. Dividir para multiplicar é um mindset que transformou-se em um dos principais comportamentos de empresas e profissionais de sucesso. E daí a relevância da máxima que transformou a empresa e seus colaboradores em líderes natos: “não vendemos um produto, oferecemos a experiência”.

2- Ousar o sonho maior de todos, o vôo mais alto, preparar-se com qualidade para um auditório gigantesco lotado

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É de encher os olhos quando a câmera transita pelo auditório. Na tela desproporcionalmente gigantesca (em relação ao apresentador), o reflexo da grandeza almejada e alcançada pelo trabalho sério, ano a ano. Pela capacidade de estar sempre um passo à frente, a cada novo produto e nova atualização. A simplicidade e criatividade das composições de logos, imagens, símbolos e mensagens a serem transmitidas. Cada minuto contém uma aprendizagem empreendedora, para olhos que sabem ver.

A cada passagem das câmeras de transmissão pelo auditório, pode-se perceber que há muitos mais empreendedores e afiliados da empresa do que se imaginava. São todos os continentes representados e, embora a faixa etária seja predominantemente da Geração Y e Z, há muitos representantes da Geração X, ousados e presentes.

No palco, o comando da Geração Boomers, que harmoniosamente se alternam com todas as novas gerações, que os sucederão breve. Uma grande lição de cooperação mútua, respeito, coletividade, cocriação e empreendedorismo a ser aprendida, muito diferente do que vemos sendo propagado por aí, nas mídias sociais, por empreendedores de palco. É… Quem é grande tem grandes comportamentos. Só isso.

3- Swift: a linguagem que fez a Apple imbatível nos últimos tempos

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Lembro quando a Apple lançou a Swift, em 2014. Meus filhos estavam no Brasil, acompanhando o lançamento das novidades daquele ano, e eu só ouvi “lá se vão meus próximos finais de semana, até aprender e dar conta disso!”. Era o início de uma boa revolução no mundo da linguagem de programação.

Swift é uma linguagem de programação consistente e intuitiva, desenvolvida pela Apple para a criação de apps para iOS, Mac, Apple TV e Apple Watch. Ela foi criada para dar ainda mais liberdade para os desenvolvedores. Uma linguagem fácil de usar e em código aberto, para que qualquer pessoa com uma boa ideia consiga fazer coisas surpreendentes. E fizeram! Como fizeram…

Os desenvolvedores não foram os únicos que perceberam o potencial da linguagem Swift. Algumas das melhores universidades e instituições acadêmicas estão ensinando Swift nos cursos de programação em computador e oferecendo cursos gratuitos no iTunes U. Nunca foi tão fácil passar das noções básicas de código à programação profissional.

Hoje foi apresentada a Swift 3: The powerful programming language that is also easy to learn. Swift 3 is a thorough refinement of the language and the API conventions for the frameworks you use every day. These improvements make the code you write even more natural, while ensuring your code is much more consistent moving forward. For example, select Foundation types such as the new Date type are easier to use and are much faster than previous releases, and the Calendar type uses enums to feel more at home within Swift.”

Os conceitos chave, desde 2014 com a Swift na primeira versão, reforçam o que tem movido a empresa: conquiste colaboradores, abra espaço para que todos compartilhem sua criatividade e suas ideias, não filtre nada, e você terá conquistado o usuário pela experiência de cocriação. O preço deixou de ser do produto, e passou ao valor do processo, à experiência. E todos sabem que você pode até comparar produtos, mas experiências são únicas e não têm preço, têm valor. Ponto pra maçã!

4- Swift Playgrounds e os desenvolvedores do futuro

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Mas a meu ver, o grande lançamento mesmo não foi nem a Swift 3, nem tampouco a versão Swift Playgrounds enquanto produto. Foi a visão da Apple em considerar que a mudança de geração em seus desenvolvedores traz em seu bojo uma mudança de visão do mundo, da tecnologia, do relacionamento com a tecnologia e, finalmente, a mudança da relação entre tecnologia e educação.

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A visão de futuro da Apple, implícita no discurso de hoje, mostra que os novos tempos chegaram. Brinco sempre em minhas aulas, cursos e palestras, que os Millenium nasceram chorando em 140 caracteres. Hoje ficou claro que, em muito pouco tempo, haverá uma outra linguagem de expressão de ideias, trabalhos, conceitos e criatividade: a linguagem de programação, a lógica da programação já está encantando e desenvolvendo os futuros desenvolvedores da Apple. Muitos deles lá, no auditório, em largos sorrisos e brilho nos olhos. Fascinante de ver essa transformação acontecendo…

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Muito mais que uma empresa de tecnologias, a Apple vem se transformando em uma alavanca de mudanças e de transformações, que cresce exponencialmente a cada geração. Hoje entendi o porquê. O merecido porquê.

Assistindo ao vídeo você também entenderá que o projeto do Swift Playgrounds visa ganhar espaço nas escolas do mundo, oferecendo a aprendizagem de programação de forma intuitiva, praticamente um jogo que ensina lógica, sequências, criação, transformação.

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As crianças de amanhã, assim como os Millenium hoje, terão trilhas de raciocínio muito mais amplificadas que as minhas, que as nossas. E isso se refletirá em todos os níveis de organização da sociedade, em todas as áreas do conhecimento. Mas pensando em educação superior, que é a minha praia, é passado do momento de promover disrupções importantes em salas de aula.

5- Lições de futurismo e empreendedorismo a serem aprendidas

O modelo professor-slide power-point não poderia estar mais surrado, desagastado e superado, embora a grande maioria dos professores do ensino superior ainda se agarre a ele. Aliás, escrevi sobre isso semana passada (dá uma olhada lá!).

Sou da opinião que, num naufrágio você tem duas opções: ou aprender a dar braçadas, que se transformarão em nado para manter-se na superfície, ou agarra-se a um pedaço-de-qualquer-coisa até que tudo à sua volta tenha mudado de lugar e não reste outra alternativa senão sair nadando também… Só que atrasado e sem companhias. Aliás há uma terceira opção: afundar feito pedra. E esse comportamento de ensinar-professor-centrado já está superado pelo novo comportamento aprendizagem-estudante-centrada. Percebeu a diferença? Ensino é diferente de aprendizagem, em nomenclatura e atitude. Passei do ensino de conteúdos à condução da aprendizagem dos conhecimentos muito antes da palavra empreendedorismo constar como verbete em dicionários. E isso vem de dentro… Ainda bem! Porque agora, tem que vir de fora, como necessidade daqueles que querem manter-se atuantes na carreira do magistério superior. Aliás, do magistério como um todo.

A Apple suscitou muitas reflexões em mim em pouco mavatar euenos de duas horas de apresentações. Mas veja, caro colega leitor, não foram os PRODUTOS que me instigaram as reflexões, e sim, o PROCESSO que a empresa adotou como mindset de negócio. É esse mindset que eles gerenciam tão bem, de forma tão limpa quanto suas logos e apresentações, e que apontam para os caminhos de mercado de trabalho, comportamentos, habilidades e atitudes que os profissionais do futuro (muito próximo) enfrentarão e terão de desenvolver. E isso sim, é minha praia, é de meu interesse, pois se reflete em como devo preparar meus estudantes de hoje, que levarão quatros longos anos de formação para chegar a um mercado de trabalho crescendo e evoluindo anualmente em progressão geométrica.

Não há mais tempo nem espaço para procrastinar a mudança de atitudes nas salas de aulas do ensino superior. O que vínhamos apontando como tendências nos últimos dois anos, acabou por se tornar fato inexorável. Pronto, aconteceu. E agora? Agora, não sei o que você vai fazer, mas eu já estou fazendo: preparando meus estudantes com metodologias ágeis e criativas, compartilhando o processo de aprendizagem, trabalhando com planejamento colaborativo de ensino-aprendizagem. Isso os fará sujeitos mais preparados, ao menos enquanto estão ao alcance do meu poder de persuasão de passar de “a-luno” (sem luz) para protagonizar o “estudante” (aquele que estuda).

Como fazer isso? Bom… Como a Apple, dou uma dica, mas deixo a experiência para uma nova apresentação!

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Galeria

Teoria dos Híbridos na Educação: Inovação Disruptiva

Christensen é um dos pioneiros no que denominou de inovações híbridas na educação. Segundo ele, as inovações híbridas são um estágio intermediário para uma inovação disruptiva, partindo de uma inovação sustentada a partir de um modelo anterior de tecnologia (CHRISTENSEN et al., 2013).

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Por razões previsíveis, a indústria de toda natureza, cria híbridos como forma de testar novos conceitos, ideias, produtos e serviços, até que o mercado, adaptado ao híbrido, esteja pronto para uma disrupção.

Para Christensen (CHRISTENSEN et al., 2013), as inovações híbridas seguem um padrão distinto, com quatro características fundamentais:

(1) representa a nova e a antiga tecnologia, enquanto uma disrupção não oferece a tecnologia anterior em sua forma plena;

(2) buscar atender aos clientes já existentes, em vez de formar novos clientes, induzindo-os a um novo hábito para conhecidas finalidades;

(3) procura ocupar o espaço de uma tecnologia pré-existente e tem, como resultado, a obrigação de atingir um desempenho que supere as expectativas dos clientes existentes, uma vez que o híbrido precisa realizar o trabalho pelo menos tão bem quanto o produto anterior;

(4) seu uso tende a ser mais simples do que o de uma inovação disruptiva, porque ele não reduz o nível de renda e/ou conhecimento necessário para adquiri-lo e operá-lo.

O ensino híbrido segue uma tendência de mudança que ocorreu em praticamente todos os serviços e processos de produção de bens que incorporaram os recursos das tecnologias digitais. Nesse sentido, deve ser entendido não como mais um modismo que cai de paraquedas na educação, mas como algo que veio para ficar.

Todas as transformações observadas na indústria, comércio e serviços, desde a massificação da informatização e tecnologias, a partir do novo século, fizeram com que o foco das atividades passasse aos usuários, ao invés de serem providas pelos agentes que ofertavam os serviços.

Restaurantes por quilo, caixas bancários automatizados, lojas e supermercados com autosserviço, fizeram com que o cliente passasse a servir-se ao invés de ser servido, ao mesmo tempo que muitas tecnologias permitem o desvinculamento geográfico entre o cliente e o serviço, como aplicativos bancários, de músicas e de pedidos de alimentação nos smartphones.

E uma vez que essas facilidades vieram para ficar – e evoluir – um dos poucos, senão o único, serviço que ainda não passou – completamente – por essas inovações, é a educação (VALENTE, 2015).

O ensino híbrido permite-se assumir a intermediação entre a inovação sustentada e a disruptiva, na área da educação. É a partir dele que se pretende que o estudante modifique suas posturas em relação à aprendizagem, à construção do seu conhecimento, e principalmente, à significação que ele deve dar a essa construção.

aprendizagem-3O ensino híbrido é provocador de uma profunda mudança tanto nos hábitos dos estudantes, quanto nos comportamentos dos professores (VALENTE, 2015). E essas mudanças nos processos educacionais, proporcionadas pela introdução do ensino híbrido, são quase naturais, embora haja dois pontos a serem considerados.

O primeiro é que já existe um cenário social de uso intensivo de tecnologias, incluindo aquelas da “palma da mão”, que predispõem a uma adesão imediata das mudanças, por parte dos estudantes. O segundo é que há um necessário movimento de instituições, professores e estudantes, em sair da zona de conforto de papéis muito bem estabelecidos, que vão de detentores da diplomação, a detentores do conhecimento, até o de receptores do conhecimento e da diplomação.

 

Referências:

CHRISTENSEN C.M., HORN M.B., STAKER H. Uma introdução à teoria dos híbridos. Online: http://isesp.edu.br/ensinohibrido/curso/ Última atualização: 2013. Acesso: 15Fev, 2016.

VALENTE J.A. O ensino híbrido veio para ficar (Prefácio). In: Ensino Híbrido. Personalização e tecnologia na Educação. Porto Alegre, RS: Editora Penso; 2015