A Jornada do Herói como estratégia de Storytelling: CENÁRIO & PERSONAGENS

Se você está acompanhando os posts anteriores sobre Storytelling e a estratégia da Jornada do Herói,  (já fez seu download do material em PDF?) sabe do que estamos falando. Estamos falando de uma estratégia planejada para oferecer:

  1. Força motivacional, para engajamento estudantil na aprendizagem;
  2. Contextos impactantes, para dar significado à aprendizagem em curso;
  3. Soluções com desafios únicos, para agregar valor à práxis profissional em formação;
  4. Criatividade e inovação, para apropriar o estudante do novo mundo do trabalho, abrindo espaço para a personalização da carreira que ele pode construir.

Para que essa estratégia seja implementada com sucesso, é necessário entender como planejar os 7 passos de acordo com o que você deseja atingir, com seu planejamento da disciplina/unidade curricular.

Onde eu planejo uma Jornada do Herói, no meu Plano de Ensino?

O Storytelling pode ser planejado de 4 formas:

  • para apresentação da finalidade da disciplina, dentro do contexto curricular;
  • para convergir as 3 competências de aprendizagem (conhecimentos, habilidades e atitudes) envolvidas na formação, dentro de uma mesma disciplina;
  • para convergir as 3 competências de aprendizagem (conhecimentos, habilidades e atitudes) envolvidas na formação, transversalizando diferentes disciplinas;
  • para estimular o engajamento estudantil, por meio da empatia e personalização de ações, dentro de um módulo temático, que é uma parte do conteúdo de uma disciplina, dentro do contexto curricular.

iacg capaCada uma dessas formas de planejamento possui peculiaridades e rastreio documental, por exemplo, que é essencial para apresentação nas visitas de Comissões de Especialistas do Inep/MEC, nos momentos de Reconhecimento e Renovação de Reconhecimento de Cursos Superiores. Ou seja: quando você conhece bem uma estratégia, ela pode ser bem mais que um recurso didático, em sala de aula.

Ela pode ser (e é) uma alavanca importante como recurso na Gestão da Aprendizagem, capaz de impulsionar para cima conceitos envolvidos no Instrumento de Avaliação de Cursos Superiores (Inep/MEC, 2017), na sua Dimensão 1, principalmente, mas com reverberação para a Dimensão 2, indiretamente.

Nessa série sobre Storytelling e a Jornada do Herói vou me ater à última forma de planejamento citada, ou seja, para estimular o engajamento estudantil, por meio da empatia e personalização de ações, dentro de um módulo temático, que é uma parte do conteúdo de uma disciplina, dentro do contexto curricular.

Por onde começar esse planejamento?

A forma mais simples de planejar uma estratégia de engajamento por Storytelling é escolher o FOCO da aprendizagem principal da sua disciplina. Para saber qual é o seu foco você precisa de 2 informações:

  • Perfis profissionais envolvidos na oferta dessa disciplina
  • Competências de aprendizagem formadas pela disciplina

Essas duas informações, via de regra, devem estar claras no Plano de Ensino e/ou no Projeto Pedagógico de Curso, caso ele esteja atualizado. O Ecossistema Educacional do Curso é tão mais eficaz em seus resultados, formando egressos qualificados, quanto mais verdadeiras forem as relações entre as disciplinas e os perfis de egressos, e quanto mais diretas forem as relações entre a forma de oferta (entre aulas teóricas, práticas, atividades, visitas, treinamentos, produção, etc) e as competências formadas.

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sherlockMuito bem, o FOCO da disciplina será o REPERTÓRIO DO HERÓI, ou seja, uma parte importante do personagem principal, que deve se identificar com o estudante. A esse momento da formação, o Herói já deve ter se apropriado de alguns repertórios: explore-os de forma clara e completa para criar um desafio capaz de ser solucionado SOMENTE a partir desse repertório. Essa é a chave!

Destaque: não torne o desafio complexo, a ponto de não ser possível a solução APENAS com o repertório que o estudante apresenta, até esse momento da formação. O estudante deve sentir-se estimulado pelo que já aprendeu, e não, desanimado com o que o professor já domina, e ele não sabe.  Na primeira afirmação você o torna centro do processo, na segunda, você é o centro do processo; portanto, o começo do planejamento para uma Jornada do Herói é TORNÁ-LO herói.

Segurança e confiança são os primeiros elementos essenciais para conquistar engajamento estudantil, em qualquer estratégia. Sem isso, eles se sentirão perdidos, insuficientes e, portanto, assumirão atitudes de rejeição todo o restante do processo. Aí sua estratégia terá ido por água abaixo…

Um contexto, um cenário, um lugar: ofereça algo para mexer com as emoções, desde o início

As aprendizagens não se dão no vazio, nem na imparcialidade: elas precisam estar ancoradas em SIGNIFICADOS e precisam mexer com as emoções. Isso é princípio essencial das neurociências. Portanto, a escolha do ponto de partida da narrativa do conflito, que será trabalhado pela Jornada do Herói, é um passo fundamental.

Para escolher o cenário, esqueça o que você conhece, professor, e pense no que o ESTUDANTE CONHECE, domina, interage ou almeja intervir, naquele momento. Seja como estudante, seja como cidadão, seja como usuário de algum produto, processo ou serviço, o estudante deve sentir-se compleido a participar ativamente na narrativa que será apresentada no Storytellig.

conexoes cerebraisUse, preferencialmente, os conceitos subsunçores existentes na turma. Para isso, na primeira aula de cada semestre, faça um exercício de diagnóstico didático, por meio de dinâmicas e interações, para identificar as expectativas da turma para a disciplina, e para estabelecer pontos balizadores da sua abordagem, nas aulas que se seguirão.

A partir desse diagnóstico, trace possíveis cenários, contextos, conflitos e personagens que permeiam o mundo do estudante e o mundo do conhecimento que você estará oferecendo, a cada aula.

E os personagens?

É chegada a hora dos personagens que comporão o contexto, atuarão no cenário, e que devem possuir uma expectativa de ação, interação e reação com o Herói, no caso, o estudante em ação, como um profissional em exercício.

superNão economize na narrativa: você pode apresentar personagens que tragam uma criptonita, que é um elemento que acaba com a “força de solução” do Herói, e que deve ser evitada a todo custo. Ou a descoberta de um anel, cinturão ou poder secreto, que são recursos próprios da profissão, que elevam a capacidade de solução do conflito, pelo Herói bem preparado.

Você pode, ainda, abrir espaço para que eles colaborem na construção dos personagens, usando os conceitos subsunçores, personalizando cada Storytelling por turma, por exemplo. As opções são muitas e quase infinitas!

A construção dos personagens é uma relação direta do FOCO DA DISCIPLINA. Portanto:

  • se sua disciplina forma para conceituação teórica e fundamentos da profissão, que serão aplicados posteriormente, em disciplinas profissionalizantes, os melhores personagens serão aqueles que incitam discussões conflitantes e com necessidade de argumentação, ou seja, o foco é no SABER-SER (ou atitudes), alinhado com o SABER (conhecimentos) subsunçor até esse momento. Trabalhar as soft skills, ou competências socioemocionais, é uma chave para o sucesso desse planejamento de Storytelling.
  • já se a sua disciplina forma para habilidades técnicas específicas, aplicadas a partir de indicações e contra-indicações profissionais precisas, os melhores personagens serão aqueles que transgridem essas recomendações (pode ser mocinho desavisado ou vilão malvado, por exemplo). A narrativa do conflito trará à baila a lógica do raciocínio ação-reação ou causa-efeito. É o SABER-FAZER (habilidades) entrando em ação com os SABERES (conhecimentos) subsunçores, e aqueles que estão sendo adquiridos a cada etapa da aprendizagem, na disciplina, aprimorando o SABER-SER (ou atitudes) e as soft skills.

super heroiNo próximo texto, nossa análise da Jornada do Herói vai mostrar como apresentar uma narrativa de conflito/problema, onde o repertório do Herói seja imperscindível para uma solução, mas que passe – antes – por (algumas) dificuldades e por (certos) elementos que aumentarão a pressão sobre a tomada de decisão do Herói. Não perca!

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4 comentários em “A Jornada do Herói como estratégia de Storytelling: CENÁRIO & PERSONAGENS

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