Competências da sala de aula até a gestão do conhecimento: esse é o perfil das práticas docentes do século XXI

Há anos tenho trabalhado no desenvolvimento de estratégias ativas de aprendizagem, na graduação e pós-graduação em Saúde, com interfaces para a Engenharia Biomédica. Os resultados sempre são supreendentes.

Há anos tenho trabalhado no desenvolvimento de estratégias ativas de aprendizagem, na graduação e pós-graduação em Saúde, com interfaces para a Engenharia Biomédica. Os resultados sempre são supreendentes.denise workshop 9cif

Desde Setembro comecei um projeto novo, que nasceu da troca de experiências com colegas em congressos, cursos e oficinas.

Nessas ocasiões, em que nos dedicamos a falar de perspectivas de futuro da profissão, percebi que profissionais das áreas da saúde atuantes na docência ainda estão meio deslocados dessa nova nomenclatura e trends que o moderno mercado de trabalho vem imprimindo às formações profissionais. Somos “velhos” demais, talvez.

Em algumas conversas cheguei mesmo a ouvir a pergunta “o que é esse tal de Design Thinking? Tem alguma utilidade prática na sala de aula?“.

Sim, há quem desconheça totalmente uma das ferramentas mais eficiente para modelagem de solução de problemas complexos, independente da área em que ele á aplicado. E foi nesse momento que tive meu próprio Insight Docente: acho que pertenço a uma área onde o conceito T-shaped professional está mais para um I-shapped mesmo… Por favor, não nos culpem! Fomos formados para pensar e atuar assim.

Verdadeiramente eu entendo as dificuldades dos colegas. Sou fisioterapeuta há 32 anos (completos nesse Dezembro/2017) e passei da máquina de escrever à computação gráfica para análises e medidas de movimentos em imagens. Algo chamado cinemática, coisa que nem era possível ou viável à época da minha graduação. Aliás, inimaginável também…

Meu currículo poderia se enquadrar no que se considerava “feio e torto” para os contemporâneos das décadas de 80 e 90, época em que um currículo impecável era composto de uma mesma área/linha de pesquisa, da graduação ao doutorado (e pós-doc). Fazer o que?! Minha curiosidade nata “enfeiou e entortou” minha formação, porque me levou ao Lato Sensu nas Ciências Biológicas e da Vida, ao Mestrado na Fisioterapia (esse é “normal”), ao doutorado na Medicina (onde desenvolvi um novo processo de pensar a análise quantificada de movimentos) e ao pós-doutorado na Engenharia Biomédica (onde desenvolvi novas maneiras de usar os mesmos equipamentos). Sim, sou meio Prof. Pardal mesmo, admito (entendedores entenderão!).

Mas o tempo passa e os paradigmas mudam. Já diziam poetas e sábios de frases de mídias sociais que nada permanece o mesmo, e que estabilidade é algo que não existe. Eu aprendi isso na virada do novo século, porque meu currículo Patinho Feio virou Cisne Real! Quem diria que possuir inquietação e curiosidade, possuir competências socioemocionais para a solução de problemas práticos, transitar fácil e empaticamente por diferentes áreas do conhecimento – as tais transversalidades – e fazer disso sua área de trabalho e pesquisas seriam atributos valiosos na nova era tecnológica?!

Acho que dá para afirmar que aquela mesma curiosidade que me levou por caminhos tortuosos de formação – em uma época – se tornou preciosa e agregou valor aos meus conhecimentos e minha práxis profissional. Os caminhos “dantes nunca navegados” por profissionais que tinham os tais currículos “bonitos” foram os que me levaram à competência rara (para os da minha geração X) de atuar com excelência nas transversalidades, de dialogar empaticamente com diferentes tribos, de repensar o status quo dentro das rígidas áreas de atuação do profissional da saúde.

E de ter formação acadêmica sólida para levantar a minha voz e dizer: “meu povo! tá na hora de acordar e mudar o rumo dessa embarcação chamada profissional de saúde!”. Bem, cá estou eu.

O mercado é outro. Os pacientes são outros. As tecnologias e o acesso à informação, então, desnecessário falar! Mas continuamos formando profissionais para atenderem como no século passado, no esquema 10-sessões (para Fisioterapia), provavelmente mais preocupados com o produto (atender-e-ponto) do que com o processo (a experiência do usuário e a efetividade do impacto de opções terapêuticas sobre a função).

mindset

Às portas do meu tempo para aposentar como docente do Ensino Superior (no qual atuo há exatos 31 anos), e com 2 cirurgias de coluna que me impedem de prospectar projetos que demandem de mim um alta mobilidade corporal (como voltar a atender clinicamente, ou viajar dando consultorias e aulas em pós-graduações), resolvi reorientar minhas perspectivas de carreira.

Afinal, penso eu (e os que me conhecem também dizem) que tenho background suficiente para colaborar com as novas gerações nesse árduo processo de mudança dos paradigmas educacionais e, por decorrência, do perfil dos negócios que envolvem o profissional da saúde/Fisioterapia.

AIAlém disso, por atuar sempre junto a outros cursos de graduação, minha visão é mais abrangente e não possui o viés de defender somente aquilo que reconheço em publicações de alto impacto: estou sempre atenta, mas aberta às questões e projetos que envolvem Big-Datadesigner de movimentos para alimentar bases de inteligência analítica, e algoritmos para solução de problemas em saúde.

É… O conceito de evidência está mudando também e não é uma questão de render-se ao popular ou a uma tecnopseudociência. É a questão de que (muito breve) vamos ter que passar por repensar toda a própria ciência (e as evidências atuais) sobre as quais praticamos nossas tomadas de decisão clínica. Watson, Siri, ADA e AlphaGo Zero estão aí para provar esse ponto de vista.

insights docentes cover YT

Foi desse caldeirão de experiências que nasceu Insights Docentes”, um canal no YouTube que estou desenhando para funcionar como mini-séries de diálogos sobre como eu fiz diferente a minha sala de aula, e as minhas ações de gestão e consultoria, no âmbito do Ensino Superior, ao longo dos últimos 15 anos.

Pequenas doses de reflexão em vídeos curtos, para suscitar a inquietação em quem quer mudar e não sabe por onde começar. Para este canal estou convergindo toda minha produção anterior, em Metodologias Ativas, frutos das parcerias que tenho e para as quais produzo material multimídia. Mas também estou dedicada às novas produções.

Na verdade, acho que posso descrever o Insights Docentes um portfolio sobre como vejo, percebo, reajo e interajo com as mudanças na Educação, que começaram por demanda espontânea há cerca de 4 anos, e que agora tomam formato de demanda obrigatória com as mudanças que vêm sendo conduzidas na Legislação Educacional brasileira.

O canal está tomando formato e densidade. Tem que ter seu próprio timing, e ainda tenho muito a andar pela frente, mas confesso que a essa altura da vida, é animadora a ideia de interagir e transformar outras práticas docentes (além das minhas e daqueles que me cercam).

Junto com o canal, desenhei já 2 cursos online, na Udemy, que abrem um desfile para o novo desafio: um novo curso/mês (ou quase isso), com foco em capacitar colegas docentes para essa nova era de tecnologias a serviço da vida. Simples, prático, direto, objetivo, com foco na solução de problemas cotidianos. Cada um desses 2 cursos já prontos foi desenhado para discutir mindset docente e as novas competências profissionais do século XXI, e possui trechos disponíveis no canal Insights Docentes.

1- Oficina online: NOVAS TRILHAS MENTAIS DOCENTES E DISCENTES

Essa foi a oficina online de Novembro: um convite para compreender a ansiedade que vivem professores e estudantes em sala de aula, mediados (ou há quem traduza isso para atormentados) pelas revolução que as tecnologias fizeram (e ainda vão fazer muito!) em todos os aspectos de como se vive e como se dá a relação de consumo, já que Educação é um bem de consumo.

Nessa oficina foram trazidos alguns conceitos novos, advindos de outras áreas, especialmente das neurociências. Nela falamos de foco, trilhas mentais e de aprendizagem, a relevância dos distratories emocionais como estratégia de engajamento estudantil na aprendizagem, desenho de comportamento (behavior design), Design Thinking e captura neural para aprendizagens significadas.

2- Curso online: ECOSSISTEMA EDUCACIONAL SUSTENTÁVEL

Já o curso de Dezembro (adiantado porque mereço férias!) possui um conteúdo voltado para a compreensão da prática docente como uma extensão ativa da gestão do conhecimento. Nele, eu parto do conceito da autopoiese dos pilares universitários de Ensino, Pesquisa, Extensão e Gestão e, sobre eles, desdobro mapas de ações para autossustentabilidade de um curso superior como uma unidade de negócios.

O objetivo é que o docente compreenda os elementos e as conexões que devem ser consideradas ao elaborar planos de ensino e planos de aula, para um curso superior atingir excelência nas avaliações externas. Ideal para ampliar repertórios de quem se prepara para concursos públicos e para aqueles que estão na carreira docente e querem se reposicionar, aspirando aplicar sua experiência às consultorias/assessorias em gestão universitária.

O curso Ecossistema Educacional Sustentável mostra ainda que, sozinhas, as metodologias ativas podem perder sua essência e efetividade de função (que é a aprendizagem significada), e se perder como “mais um modismo que não deu certo”. Assista à primeira aula aqui, ou vá até o curso e assista também outras aulas que são liberadas para apreciação.

Com o mindset preparado pelos 2 cursos iniciais, os colegas terão acesso a partir de Janeiro/2018 aos cursos instrumentais, com foco para a gestão da unidade curricular em articulação com o Projeto Pedagógico (que já deveria se chamar andragógico) de Curso/PPC, atendendo às Diretrizes Curriculares Nacionais/DCN (que ainda estão mudando e não possuem texto final). Mas não se para por aí!

É preciso sintonizar e atender aos novos instrumentos de avaliação (cujos extratos publicados já confirmaram as trends que se anunciavam desde Junho/2017), formando competências para solução de problemas reais e com aptidões para vantagem competitiva do egresso – e da instituição de ensino superior que o forma – no mercado de trabalho.

consultoriaPor meio de mapas passo a passo, canvas e algoritmos, a partir de Janeiro compartilho minhas práticas sobre elaboração de Planos de Ensino e Planos de Aulas com metas para atendimento aos domínios de aprendizagem e múltiplas inteligências dos estudantes. É a PERSONALIZAÇÃO.

pesquisas nao formaisA adoção de conceitos, estratégias e ferramentas das neurociências do foco e aprendizagem para o desenho de trilhas mais efetivas e que tragam significado ao estudante faz parte da segunda etapa. É o comprometimento do estudante (e não só do professor) que leva à sustentabilidade desse novo modelo de ecossistema educacional e um não acontece sem o outro. Importante compreender essa relação simbiótica para passar do “ensino” (centrado no professor e na aula) para a “aprendizagem” (focada no estudante e na experiência de aprender-a-aprender). É a RECONFIGURAÇÃO.
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Finalmente é hora de interagir, falar outras línguas de outras tribos, compreender como seu próprio ecossistema funciona entre cursos diferentes da mesma IES. O que os une? O que os complementa? Quais são as interfaces? Como podemos unir esforços para planejamentos integrados, no melhor estilo “desafio de garagem à la Silicon Valley“? Essa é a OTIMIZAÇÃO, que atua como um sistema vascular que integra, interage e nutre cada um dos outros órgãos e células desse grande sistema chamado Educação Superior ampliada.

IMG_3923Entendo que é assim que formamos os egressos para a vida.

Fazer provas, trabalhos e atender às notas finais (passou/não passou) não é formar, é diplomar. Formar vai além e é isso que a nova geração busca e não encontra na sala de aula, quando uma geração mais experiente insiste em reproduzir conteúdos, da mesma maneira que foi formada.

Enfim, essa é minha contribuição, meu novo projeto profissional e de vida: compartilhar INSIGHTS DOCENTES para dividir experiências e multiplicar conhecimentos!

Às vezes, não ter solução é a solução. As Leis mudaram e a partir de 2018 não haverá mais solução para postergar a mudança de práticas docentes. Vamos fazer essa transição passo a passo, juntos?

Convido você a visitar, se inscrever, indicar para os amigos e colegas que também atuam na área de formação profissional superior – especialmente na Saúde.