O diploma e o mindset: do pensamento linear à tecnologia exponencial

Eu não sei quanto a vocês, mas eu ando repensando (muito) sobre os papéis desempenhados por professores e estudantes, no atual cenário educacional superior. Aliás, tenho repensado inclusive o próprio cenário da educação superior.

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Há não muito tempo atrás, o diploma era o objeto de desejo dos jovens e de suas famílias. Cursar uma faculdade e ter uma profissão formal, atestada por um diploma, era mais que uma conquista pessoal: em alguns casos era uma conquista de família. Em outros casos, uma conquista de comunidades inteiras que se organizavam para tornar possível o sonho da faculdade para algum de seus membros mais dedicados aos estudos. Uma vitória do coletivo sobre as dificuldades. Quem nunca ouviu “O Pequeno Burguês”, de Martinho da Vila, onde se canta a vitória de ser universitário, mas numa faculdade particular. Um sacríficio que valia a pena naqueles idos anos 70.

No Brasil há esse paradigma do diploma, e eu mesma fui a primeira da minha família a conseguir um diploma universitário. Uma família simples, mas muito dedicada a proporcionar um futuro melhor para seus herdeiros, entendendo que esse futuro melhor era representado por ter um diploma universitário.

Toda essa representatividade do diploma e do seu significado tinha uma razão de ser, ao longo das décadas que antecederam a virada do milênio: o diploma representava o acesso a um novo mundo. Um mundo de ESTABILIDADE, a palavra chave das gerações dos nossos pais, e que herdamos para a nossa Geração X. Para muitos, esse novo mundo era privilegiado, para outros era o mundo onde as respostas encontravam vida, por meio das pesquisas. O importante era o quanto você sabia, a quais círculos de conhecimento privilegiado se tinha acesso, quais eram suas fontes e materiais diferenciados.

O conhecimento era tratado como uma espécie de tesouro para poucos, acessível somente para esses privilegiados. Nesse sentido, eu fui e sou uma pessoa privilegiada. Esse tipo de percepção perdurou por décadas, onde também a instituição de origem do diploma representava um status quo relevante, como uma marca de qualidade para vencedores.

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BIG DATA é uma expressão sem tradução para o português, mas que trata do volume, velocidade, variedade e veracidade das diferentes fontes e formas de dados, para convertê-los em informações orientadas, capazes de gerar insights e com potencial para construir  novos conhecimentos sobre ideias, tendências e comportamentos da sociedade tecnológica.

Os tempos mudaram, mas alguns comportamentos permanecem. Por um lado, o diploma perdeu seu glamour próprio, seu valor agregado. Hoje em dia, mesmos nos bancos da universidade, trabalho com meus estudantes sob a perspectiva de que o diploma não faz o profissional, mas é a atitude do profissional que dá brilho ao seu diploma. Atitude se tornou a palavra-chave dessa nova geração e desse novo mundo, onde a realidade aumentada vem trazendo a marca de uma nova era.

Discuto muito com os estudantes sobre a diferença de acharmos e agirmos como se estivéssemos em uma era de mudanças enquanto estamos, de fato, numa mudança de era. O pensamento linear, ainda cultivado nas muitas universidades ao redor do mundo, não suporta mais as necessidades e exigências de um avanço exponencial. Tecnologias, big data, conectividade, modelos colaborativos: uma grande revolução no modo de pensar e de relacionar vida, sociedade e trabalho, que ganhou o potencial exponencial de avanço.

É preciso preparar e estar preparado para essa nova forma de “ler” o presente, “escrevendo” o futuro em tempo quase real.

É assim que percebo esses novos tempos: tempos em que a preparação técnica, representada pelo diploma, já não oferece base suficiente para os desempenhos esperados em ganhos e crescimento profissional. É assim que trabalho nesses novos tempos: levo meus estudantes (da graduação à pós-graduação) aos espaços digitais não-formais para, juntos, descobrirmos e estimularmos o caráter exponencial da aprendizagem linear oferecida pela universidade.

São futuros profissionais de diferentes áreas (na graduação), e profissionais e pesquisadores das mais variadas especialidades e campos do conhecimento (na pós-graduação e na pesquisa) que despertaram para a necessidade de lançar novos olhares para velhos problemas, já que esses velhos problemas possuem novas potencialidades de solução derivadas dos novíssimos hábitos e comportamentos mediados por tecnologias.

Os resultados dessa nova maneira de ver a formação universitária e de aprender a aprender, de diferentes maneiras, têm se superado, porque eles se superaram! Eles perceberam (ou já sabiam) que o futuro não é de quem tem o melhor diploma, mas de quem sabe como transformar esse diploma em um passaporte sempre atual para as viagens exigidas por um mercado de trabalho cada vez mais exponencial.

Deixo para vocês uma sugestão de reflexão: quais são as palavras/conceitos/ações que borbulham em sua mente ao passar a pensar exponencialmente sobre suas expectativas e preparação para fazer diferente e fazer a diferença no seu CURSO DE GRADUAÇÃO, no seu ESPAÇO DE TRABALHO, e na sua VIDA PESSOAL?

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Só uma coisa não há de mudar, para aqueles que me conhecem (de verdade): exponencial ou linear, um bom café acompanha sempre uma boa história… E um excelente desempenho!

Designer de Aprendizagem e os caminhos do sucesso: emoção e liberdade de criação (2)

Emoção! Era isso! Percebi que sempre parti da emoção, da personalização de cada estudante com seu próprio processo de aprendizagem (e não deles para com meu processo de ensino, percebeu a diferença?), para cativá-lo a voos mais altos, e para estimular neles a liberdade de criação supervisionada.

Pronto! Intuitivamente eu tinha os dois elementos fundantes do sucesso no processo de aprendizagem, um como consequência do outro! Mas, como fazer disso uma realidade na sala de aula? (Veja a parte 1 desse texto)

Educar é um processo que parte da alma para mundo. Da emoção para a busca pela criação do sonho, nessa realidade.

Gerar a emoção deve ser um processo genuíno, e cada professor deve descobrir qual é o seu… Há os que cantam, que desenvolvem jingles mnemônicos, os que possuem uma expressão corporal de reforço que impacta na atenção. Não importa.

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O importante é gerar no estudante pontos de contato (ou touch-points) baseados na emoção, e vincular essa emoção à condução positiva pelo processo de aprendizagem, como um fator motivacional. É disso que trata o Design Educacional. Como são muitas inteligências diferentes em cada turma, serão precisos touch-points diferentes, em momentos diferentes do desenvolvimento da unidade curricular. É como labirintos: todos são diferentes, o professor não conhece a saída, mas tem experiência em superar os obstáculos, e guiar-se por bússolas. É isso que ele compartilha.

A cada touch-point uma emoção diferente e progressiva deve ser trabalhada, quer para atingir os diferentes tipos de inteligência de uma mesma turma, quer para provocar sempre a surpresa, e fugir da previsibilidade.

Aliás, professores são a classe mais previsível do planeta, de todos os tempos da história da humanidade. Nada é mais cristalizado que uma sala de aula e uma sala de professores. Da arquitetura às conversas de intervalos. Há um gracejo que diz que se alguém, que tivesse adormecido nos últimos 100 anos, acordasse hoje se surpreenderia e se sentiria perdido e não saberia como as coisas funcionam, nesse mundo moderno, mas saberia exatamente como funciona uma sala de aula. Infelizmente, ainda reflete a realidade.

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Trazer o mundo para a sala de aula, e derrubar as paredes entre a sala de aula e o mundo, requer mais do que professar o conhecimento. Aliás, o conhecimento muda tanto que nem mesmo isso está vinculado ao que se conhece como “professar”, que é coisa de professor.

Trazer a aprendizagem para o mundo, interligar e aumentar realidades, propor desafios, lidar com o inesperado e ensinar que o inesperado também é aprendizagem, são as principais funções dos educadores nos tempos atuais.

Note-se que agora a designação toma novo sentido: educadores tutoram processos de aprendizagem, criam ambientes de ampliação da realidade, em meio controlado, e lidam – ensinando como lidar – com adversidades, surpresas e vieses, trazendo a experiência do erro (antes punitiva) como parte do processo de aprender a aprender para a vida.

Hoje, em tempos de muitas novas definições, funções e ocupações bem rotuladas no novo mundo do trabalho educacional, vejo que sempre trabalhei por desafios, junto aos meus estudantes, e isso me imprimiu – embora intuitivamente – um caráter de cativar a atenção pela conexão com a emoção, e de permitir a liberdade de criação supervisionada como forma de engajamento no processo de aprendizagem.

Dentro e fora da sala de aula, eu e meus estudantes somos grandes parceiros no jogo chamado aprender-a-aprender-para-a-vida. Para chegar à essa performance (e à essa conclusão) foi preciso me reinventar muitas vezes, ao longo dos anos. Sempre de uma maneira legítima e comprometida, para gerar equivalente engajamento e parceria por parte deles, os estudantes.

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Para trabalhar como e trabalho hoje, e com os índices de aproveitamento que meus estudantes alcançam, foi necessário exercitar novos hábitos, para abandonar de vez as velhas manias de professora. E professor é o cara mais cheio de manias que eu conheço!” (Profa. Denise Ricieri)

Deixo para vocês uma sugestão de reflexão: ao passar a pensar exponencialmente, e analisar sua performance, de maneira geral, O QUE VOCÊ JÁ FAZ DE DIFERENTE PARA FAZER A DIFERENÇA, no seu CURSO DE GRADUAÇÃO, no seu ESPAÇO DE TRABALHO, e na sua VIDA PESSOAL?

Emocione-se! Seja você estudante ou educador, leve sempre a emoção para tudo o que faz, comprometa-se com cada etapa do processo, faça o seu melhor sempre, e faça mais do que o esperado. Isso é sucesso!

IMG_8084Para modelos educacionais engajadores e ativos é preciso que o sistema onde o Curso Superior está inserido tenha um funcionamento diferente do padrão atual. Aliás, um padrão construído há mais de 50 anos atrás, que está ultrapassado.

Mas, se cada um de nós foi formado por esse sistema como podemos fazer um sistema diferente? Eu também pensava nesse problema há alguns anos e, com o passar da prática de sala de aula e de gestão do conhecimento em cargos e consultorias  administrativas, fui incorporando soluções que reverberaram positivamente em PPCs conteudistas. Um passo anterior aos cursos completamente planejados por metodologias ativas.

No curso ECOSSISTEMA EDUCACIONAL SUSTENTÁVEL eu ensino o passo a passo desse novo mapa da Gestão do Conhecimento, que é o novo perfil de prática docente para o século XXI. Um curso prático, 100% online, simples, direto, e que vai começar a fazer você perceber o Ensino Superior de um novo prisma.

Design de Aprendizagem e os caminhos do sucesso: emoção e liberdade de criação (1)

EMOÇÃO e LIBERDADE DE CRIAÇÃO. É disso que se trata o caminho para o sucesso…

 

EMOÇÃO  e LIBERDADE DE CRIAÇÃO são as duas coisas que mais cativam as pessoas. Muito mais que as tecnologias, é a identidade com a emoção que engaja a atenção, e pontua na balança, para uma influência de opinião. Então se você quer influenciar a opinião de uma pessoa, esses são os dois caminhos do sucesso.

E educadores são influenciadores por natureza, profissão e vocação, esse é nosso primeiro ponto.

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Na Educação, embora esses dois princípios pareçam bastante óbvios, cada vez menos são identificados nas salas de aulas, entre professores. Mas também deixaram de ser alimentados pelos estudantes. O resultado? Bom…

Pergunte para alguém que faz um curso superior, porque ele(a) vai às aulas. Ah! E pergunte também aos professores(as), porque e como se dá uma aula?

Não se espante se as opções de respostas passarem ao largo de ações, de ambos os lados, carentes totalmente de qualquer tipo de emoção e de liberdade de criação. Aliás, provavelmente você terá repostas conflitantes também, porque são gerações diferentes com trilhas mentais diferentes e expectativas diferentes do que seja a função do Ensino Superior.

Com isso, provamos um primeiro ponto: isso é o que se chama ensino. Ensino vem se tornando cada vez mais um procedimento, executado por um binômio professor-aluno. Professor é aquele que professa (no caso, o conhecimento). Aluno (a=sem, luno=luz, ou seja, sem luz) é que está ali para receber o que o professor professa, e “iluminar” sua formação profissional.

O fato é que ensino não assegura aprendizagem, exatamente porque não possui os elementos de sucesso para influenciar: emoção e liberdade de criação. Essa é uma máxima que vem sendo fortalecida a partir dos resultados de outros tipos de relações e formas de trabalhar a formação dos estudantes, nos ambientes educacionais. Você conhece lugar mais desprovido de liberdade de criação do que uma sala de aula convencional?

Vejamos…

Intuitivamente, há muitos anos, a aprendizagem centrada no interesse do estudante tem sido meu pilar de atuação nos cursos superiores. Embora tenha sempre atuado em modelo de Projetos Pedagógicos de Curso professor-centrado, me incomodava aquela espécie de show time padrão, onde alguém sobe ao palco para brilhar enquanto a plateia assiste quieta. E aplaude ao final.

Por causa dessa minha forma intuitiva de ver e de fazer a Educação, levou muito tempo até que eu tivesse contato com conhecimentos de modelos inovadores e formações em metodologias ativas. Um fato interessante é que nas pós-graduações que frequentei, a Metodologia do Ensino era um crédito fácil para mim: eu sempre tinha uma carta na manga, porque já fazia isso no dia a dia. E me admirava a admiração alheia pelo meu repertório, sempre mais amplo que o dos demais professores… O que havia de diferente?

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Diferente era a RELEVÂNCIA do que eu fazia. Além de ampliado, meu repertório sempre foi claro: sem a atenção do estudante, e do seu engajamento na aprendizagem, nada funciona. É aí que entrava o segredo da experiência…

Percebi, ao revisar muitos materiais didáticos que produzi, inclusive em vídeo, que somente quando mexia com o emocional dos estudantes, de modo autêntico e genuíno, é que conseguia sua atenção e disponibilidade pessoal para minhas propostas de métodos ágeis e criativos. Fazer diferente provocava respostas diferentes.

Emoção! Era isso! Percebi que sempre parti da emoção, da personalização de cada estudante com seu próprio processo de aprendizagem (e não deles para com meu processo de ensino, percebeu a diferença?), para cativá-lo a voos mais altos, e para estimular neles a liberdade de criação supervisionada.

Pronto! Intuitivamente eu tinha os dois elementos fundantes do sucesso no processo de aprendizagem, um como consequência do outro! Mas, como fazer disso uma realidade na sala de aula?

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