Modelos híbridos na educação

300be442b31cb8b390b227457bbddc9b“Deve-se ensinar a pensar e a estudar. Mas isso não se faz no vazio. É preciso adquirir bases e fundamentos que nos permitam pensar e criar. Sabemos que o estímulo e a exigência desde a mais tenra idade criam bases e rotinas (de leitura, de cálculo, de pensamento) que nos libertam para outras aprendizagens. Dito de outro modo: quando as rotinas básicas são feitas ‘automaticamente’, a nossa atenção e energia podem concentrar-se noutras tarefas e atividades.” (António Nóvoa, 2016)

Sair da zona de conforto parece ser o mais difícil obstáculo a ser transposto pelas propostas híbridas na educação, uma vez que movimenta profundamente todos os lados do sistema. Embora a educação sempre tenha sido misturada, híbrida em alcançar diversas fontes de conhecimento e reuni-las em torno de uma aprendizagem, com a conectividade esse processo é muito mais perceptível, amplo e profundo. O conhecimento é um ecossistema mais aberto e criativo, onde pode-se aprender de inúmeras formas, em todos os momentos, e em múltiplos espaços, desde que esse novo movimento de aprender seja estimulado, orientado e monitorado, segundo um objetivo, uma meta de aprendizagem a ser atingida (BACICH et al., 2015).

Híbrido é um conceito rico, apropriado e complicado, ao mesmo tempo. Tudo pode ser misturado, combinado e, com os mesmo ingredientes, pode-se preparar diversas receitas, cada uma delas com sabores e aromas diferentes (BACICH et al., 2015). A complexidade está em integrar o que vale a pena aprender, com que finalidade se aprende, e em quais contextos isso se dá. Apesar desses conceitos serem praticamente inatos quando se fala de educação, a prática dessa moderna hibridização está longe de acontecer. Muitos gestores, professores e estudantes são híbridos, no sentido de contraditórios, pela formação desbalanceada: possuem muito mais competências cognitivas que socioemocionais, e ainda, possuem muitas dificuldades em saber viver, conviver e aprender juntos, em todos os sentidos do processo de aprendizagem.

Tomando a educação superior como linha de base para essa reflexão sobre inovação disruptiva e a hibridização como caminho, percebe-se que é justamente nela, onde o conhecimento se faz por meio da transformação mediada por professores e pesquisadores, que os processos de ensinar e de aprender profissões ainda estão muito distantes da famosa expressão desta última década: “think outside the box”.

“Sair da caixa” parece ser o mais difícil paradigma a ser superado pelos educadores e pela educação, e esse movimento começa, inevitavelmente, pela mudança dos papéis em sala, tanto do professor quanto do estudante. É preciso compreender que a ação simples e direta de entrega do conhecimento foi superada, e está esgotada enquanto modelo.

Nessa nova ordem global de comportamentos e de pensamentos, principal atuação do professor passou a ser o mediador na significação e compartilhamento de experiências (NÓVOA, 2016). O professor atual deve estar vocacionado para atuar enzimaticamente, convertendo informações em conhecimento aplicado e este, por sua vez, deve ser convertido em significado pelos estudantes, cada um segundo seus contextos e experiências de vida, mas todos a partir dos nexos fundantes estabelecido pelas Diretrizes Curriculares Nacionais.

7a21a3e0f0e6ee89ce80e8cc266a6907Se “sair da caixa” para educadores pode significar, em uma interpretação de sentido raso, o abrir mão de um suposto poder total sobre o conhecimento, para passar a dividir uma parte do poder sobre a aprendizagem com seus estudantes, esse movimento não parece mais fácil para os próprios estudantes, quando se trata de colocar na prática contextos inovadores de atitudes e comportamentos, quando há avaliações e notas em jogo.

Quando se afirma que uma nova máxima educacional deveria convergir para adaptação do conhecimento, gerando soluções, e não para o simples armazenamento das informações, o protagonismo do estudante torna-se o pilar de sustentação de todo o processo. Mas esse pilar exige-lhe mudança de comportamento e da forma de utilização de seu tempo durante o período de formação profissional, aqui tratada no ensino superior.

Para os estudantes, ainda em sua maioria, propostas híbridas de aprendizagem, como os modelos de rotação por estações, laboratórios rotacionais, e salas de aula invertidas – modelos metodológicos das inovações educacionais híbridas – soam antes como uma delegação do papel do ensinar pelo professor. É certo que alguns professores colaboraram fortemente, ao longo da história dos métodos e estratégias pedagógicas, para a malversação de modelos não-professor-centrado, mas é igualmente lógico que o estudante, no atual modelo de ensino[1], possui uma zona de conforto onde não são necessários maiores movimentos para cumprir aproveitamento de conteúdos por meio de notas e presenças, dentro de uma matriz curricular generalista mínima.

E mais, todos os esforços do atual modelo de ensino – diferente do que seria em um modelo educacional – estão concentrados em oferecer e consumir mínimos: matriz curricular mínima, avaliações e notas mínimas, frequência mínima, participação mínima.

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Para modelos educacionais engajadores e ativos é preciso que o sistema onde o Curso Superior está inserido tenha um funcionamento diferente do padrão atual. Aliás, um padrão construído há mais de 50 anos atrás, que está ultrapassado.

Mas, se cada um de nós foi formado por esse sistema como podemos fazer um sistema diferente? Eu também pensava nesse problema há alguns anos e, com o passar da prática de sala de aula e de gestão do conhecimento em cargos e consultorias  administrativas, fui incorporando soluções que reverberaram positivamente em PPCs conteudistas. Um passo anterior aos cursos completamente planejados por metodologias ativas.

No curso ECOSSISTEMA EDUCACIONAL SUSTENTÁVEL eu ensino o passo a passo desse novo mapa da Gestão do Conhecimento, que é o novo perfil de prática docente para o século XXI. Um curso prático, 100% online, simples, direto, e que vai começar a fazer você perceber o Ensino Superior de um novo prisma. Não perca tempo e faça logo esse curso porque todos os outros novos cursos para estratégias inovadoras em planos de ensino e metodologias ativas em planos de aula são uma consequência dessa mudança de mindset!

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[1] Note-se que o texto sempre faz uma diferenciação entre o que seja modelo de ensino e modelo de aprendizagem, sendo que o primeiro se relaciona com a educação professor-centrada e conteudista, enquanto o segundo parte do conceito do hibridismo como inovação sustentada, estudante-centrada, e rumo à mudança de mentalidade sobre construção e significação do conhecimento pelo estudante.

 

 

 

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2 comentários em “Modelos híbridos na educação

  1. Excelente texto, temos que mostrar como fazer isso na prática Denise, muitos colegas professores querem muito mudar, mas não sabem por onde começar. São textos e atitudes inovadoras como as suas que me faz ter esperança que vamos revolucionar a educação no Brasil. O ensino híbrido é o futuro não só aqui no Brasil mas no mundo. Abraço. Vasco Patu

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