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Teoria dos Híbridos na Educação: Inovação Disruptiva

Christensen é um dos pioneiros no que denominou de inovações híbridas na educação. Segundo ele, as inovações híbridas são um estágio intermediário para uma inovação disruptiva, partindo de uma inovação sustentada a partir de um modelo anterior de tecnologia (CHRISTENSEN et al., 2013).

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Por razões previsíveis, a indústria de toda natureza, cria híbridos como forma de testar novos conceitos, ideias, produtos e serviços, até que o mercado, adaptado ao híbrido, esteja pronto para uma disrupção.

Para Christensen (CHRISTENSEN et al., 2013), as inovações híbridas seguem um padrão distinto, com quatro características fundamentais:

(1) representa a nova e a antiga tecnologia, enquanto uma disrupção não oferece a tecnologia anterior em sua forma plena;

(2) buscar atender aos clientes já existentes, em vez de formar novos clientes, induzindo-os a um novo hábito para conhecidas finalidades;

(3) procura ocupar o espaço de uma tecnologia pré-existente e tem, como resultado, a obrigação de atingir um desempenho que supere as expectativas dos clientes existentes, uma vez que o híbrido precisa realizar o trabalho pelo menos tão bem quanto o produto anterior;

(4) seu uso tende a ser mais simples do que o de uma inovação disruptiva, porque ele não reduz o nível de renda e/ou conhecimento necessário para adquiri-lo e operá-lo.

O ensino híbrido segue uma tendência de mudança que ocorreu em praticamente todos os serviços e processos de produção de bens que incorporaram os recursos das tecnologias digitais. Nesse sentido, deve ser entendido não como mais um modismo que cai de paraquedas na educação, mas como algo que veio para ficar.

Todas as transformações observadas na indústria, comércio e serviços, desde a massificação da informatização e tecnologias, a partir do novo século, fizeram com que o foco das atividades passasse aos usuários, ao invés de serem providas pelos agentes que ofertavam os serviços.

Restaurantes por quilo, caixas bancários automatizados, lojas e supermercados com autosserviço, fizeram com que o cliente passasse a servir-se ao invés de ser servido, ao mesmo tempo que muitas tecnologias permitem o desvinculamento geográfico entre o cliente e o serviço, como aplicativos bancários, de músicas e de pedidos de alimentação nos smartphones.

E uma vez que essas facilidades vieram para ficar – e evoluir – um dos poucos, senão o único, serviço que ainda não passou – completamente – por essas inovações, é a educação (VALENTE, 2015).

O ensino híbrido permite-se assumir a intermediação entre a inovação sustentada e a disruptiva, na área da educação. É a partir dele que se pretende que o estudante modifique suas posturas em relação à aprendizagem, à construção do seu conhecimento, e principalmente, à significação que ele deve dar a essa construção.

aprendizagem-3O ensino híbrido é provocador de uma profunda mudança tanto nos hábitos dos estudantes, quanto nos comportamentos dos professores (VALENTE, 2015). E essas mudanças nos processos educacionais, proporcionadas pela introdução do ensino híbrido, são quase naturais, embora haja dois pontos a serem considerados.

O primeiro é que já existe um cenário social de uso intensivo de tecnologias, incluindo aquelas da “palma da mão”, que predispõem a uma adesão imediata das mudanças, por parte dos estudantes. O segundo é que há um necessário movimento de instituições, professores e estudantes, em sair da zona de conforto de papéis muito bem estabelecidos, que vão de detentores da diplomação, a detentores do conhecimento, até o de receptores do conhecimento e da diplomação.

 

Referências:

CHRISTENSEN C.M., HORN M.B., STAKER H. Uma introdução à teoria dos híbridos. Online: http://isesp.edu.br/ensinohibrido/curso/ Última atualização: 2013. Acesso: 15Fev, 2016.

VALENTE J.A. O ensino híbrido veio para ficar (Prefácio). In: Ensino Híbrido. Personalização e tecnologia na Educação. Porto Alegre, RS: Editora Penso; 2015

Um comentário em “Teoria dos Híbridos na Educação: Inovação Disruptiva

  1. Excelente reflexão. Não há como abordar o processo educativo a partir de uma só metodologia ou de um só dos atores. O uso da tecnologia integrando a escola ao mundo fora dela é não só essencial, como inevitável. Parabéns, Denise , pelo belo texto. Escreva mais, precisamos!

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